quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

"Culpa" provoca uma experiência inquietante com alto grau de tensão e mistério


O toque sonoro de uma ligação telefônica para algumas pessoas pode sinalizar a ocorrência de alguma notícia alegre ou catastrófica, no caso de pessoas que trabalham em centrais telefônicas de emergências, o som do telefone quase sempre está relacionado ao último caso. Partindo desse pressuposto, o filme dinamarquês que estreia hoje nos cinemas, "Culpa" (2018), do diretor estreante Gustav Mölle, busca conduzir sua história de tensão e mistério.

"Culpa", escolhido para representar a Dinamarca na corrida ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro", parte de uma trajetória de 88 minutos em que o espectador praticamente acompanha cada suspiro do ex-policial, Asger Holm (Jakob Cedergren), na central de atendimento de emergências. Em cada ligação atendida, o protagonista demonstra uma certa insatisfação, no entanto, em uma dessas ocorrências, ele se depara com o sequestro de uma mulher chamada, Iben (Jessica Dinnage).

À partir desse evento, cada toque sonoro de telefone ou simplesmente o silêncio do personagem se transforma em um mergulho no abismo do nervosismo, uma vez que, a única forma de ajudar a vítima é por meio do aparelho telefônico cujo alcance delimita o desvendar do incidente. Diante dessa realidade, o desenrolar dos nós atados das suspeitas revela uma história muito maior e trágica. 

Toda narrativa se faz em apenas uma sala com mais alguns policiais e uma antessala para assuntos privados, ou seja, perpassa a sensação de enclausuramento e de incapacidade de ação vivenciada pelo protagonista. Asger com suas mãos inquietas, transpira e esforça-se em cada ligação para solucionar o caso numa corrida contra o tempo. Simultaneamente, reflete sobre suas próprias atitudes como profissional e pessoa.

O telefone torna-se um personagem da história, pois por meio desse instrumento o filme é conduzido. A mesma importância se dá para o som, porquanto converte-se em um elemento narrativo mais significativo do que a própria imagem, já que assim como o personagem, o público não visualiza o decorrer da investigação e, sim, ouve os diálogos ou ruídos. As imagens nesse caso, são direcionadas para a progressiva situação emocional de Asger: deboche, preocupação, prestativo, irritação, aflição e culpa.

As reviravoltas da narrativa empregada de forma criativa pelo roteiro, demonstra total precisão na dosagem dos momentos de revelação dos fatos, e, promove uma imersão absoluta do espectador. Ao final, "Culpa", provoca duas importantes reflexões: os pré julgamentos feitos sem o conhecimento total de uma situação e  qual seria o mal que cada indivíduo tem vontade de remover. 
CineBliss ****


Ficha técnica: 

Culpa (Den Skyldige)
Dinamarca, 2018
Direção: Gustav Möller 
Roteiro: Emil Nygaard Albertsen, Gustav Möller
Produção:  Lina Flint
Fotografia: Jasper Spanning
Montagem: Carla Luffe Heintzelmann
Elenco: Jakob Cedergren, Jessica Dinnage, Jacok Ulrik Lohmann, Omar Shargawi 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Retrospectiva e agradecimentos do CineBliss em 2018


O blog CineBliss está com o coração transbordando de gratidão por mais um ano de muito trabalho e dedicação. Foram 365 dias de uma luta constante em continuar acreditando na realização do meu potencial por meio da sétima arte. Esse caminho em 2018 sondou com momentos de frustrações e derrotas, todavia, a chuva de amor por estar em contato todos os dias com o cinema, transbordou para o ralo estes descontentamentos e permitiu dar vazão para várias conquistas, amizades e mensagens de carinho.

A jornada de Festivais de Cinema pelos quais o CineBliss teve o privilégio de prestigiar, incluem: 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes (Minas Gerais), Rio2C - Rio Creative Conference (Rio de Janeiro), 18th Tribeca Film Festival (Nova Iorque), 7ª Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba (Paraná), 51ª Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (Distrito Federal), 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (São Paulo) e no 20ª Festival do Rio (Rio de Janeiro).

Além dos Festivais, o blog CineBliss pôde estar presente em inúmeros lançamentos de filmes e coletivas de imprensas, tudo graças aos convites de cabines das seguintes distribuidoras: Imovision, Pandora Filmes, Vitrine Filmes, Califórnia Filmes, Imagem Filmes, Supo Mungam Films, Paramount Pictures, ArtHouse, CineArte, Fênix Filmes, A2 Filmes e Mares Filmes. 

À vista disso, o blog CineBliss se despede de 2018 com um afetuoso grito de "MUITO OBRIGADO" à todos(as) que de uma forma ou de outra contribuíram nesta trajetória cinematográfica e, espera carinhosamente por um 2019 nutrido de abundância de trabalho, sucesso e um oceano de amor para todas as pessoas.
Viva o Cinema!
Boas Festas!




quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

"Colette" expressa os primórdios gritos femininos em buca de liberdade e igualdade na sociedade ocidental


A cinebiografia da escritora francesa do século XX, Sidonie Gabrielle Colette, ganha as telas do cinema hoje com a estreia do filme "Colette"(2018), do diretor inglês Wash Westmoreland (Para sempre Alice). Estrelado pela atriz Keira Knightley no papel da personagem-título, o filme retrata a jornada dessa mulher de origem camponesa, à frente de seu tempo, em Paris. Num primeiro momento da narrativa, a protagonista esbanja ares de inocência e, depois torna-se numa potência transgressora em busca da liberdade e igualdade de direitos e, em romper com comportamentos patriarcais. 

O período escolhido do longa-metragem permeia o casamento abusivo com Willy (Dominic West), um autor narcisista e com pouca criatividade, que contrata escritores - incluindo a própria esposa-, para escrever histórias e publicá-las como de sua autoria. O primeiro romance escrito por Colette - "Claudine à l'école" (1900) - e, assinado por Willy, torna-se em um fenômeno de vendas entre as mulheres e permite aos dois ganharem dinheiro e fama entre a sociedade parisiense. No entanto, essa união logo expõe o lado dominador de Willy sobre Colette, chegando a trancá-la dentro de um quarto para produzir mais narrativas. Ao mesmo tempo, a jovem começa a desfrutar de outros prazeres, cujo resultado é visto em seu questionamento sobre o casamento e na reivindicação por direitos das obras.

"Colette", é um ótimo exemplo dos primeiros gritos femininos em busca de liberdade e igualdade numa sociedade constituída por meio da dominação e exploração das mulheres. A personagem em seu universo burguês - entediada, fútil e com desejo - ao dar asas para imaginação, desperta para experimentar as mesmas aventuras dos homens, mas pelo fato de ser mulher, o preço a se pagar é alto. 

Observa-se já nas primeiras cenas do filme,  o comportamento subversivo da personagem que logo pode ser visualizado através de seu corte de cabelo (curto) ou em sua forma de se vestir (calças compridas e gravata), algo atípico para mulheres da época. Colette vai além, ao demonstrar também seu desejo por outras mulheres e em corporificar uma fisionomia andrógina.  

Destaque para a atriz inglesa Keira Knightley, cuja entrega na performance reverbera de modo virtuoso os conflitos e prazeres da escritora Colette, sem parecer algo estereotipado e, sim, natural. A progressiva conscientização de seus direitos referentes às suas obras, ganha uma fúria libertadora na cena em que a personagem reivindica colocar o seu nome como autora do livro junto de seu marido.

O roteiro consegue captar com excelência o ambiente de transformação no qual os personagens estão inseridos com um ritmo penetrante e eficiente. O espectador em poucos minutos de duração do filme, já se sente absorto na jornada da protagonista feminina e em como ela irá contar sua história. Como se Colette expressasse a ingenuidade e a cólera de tantas outras mulheres que foram oprimidas por homens e não puderam ser reconhecidas por seus trabalhos. 
CineBliss ***
*Filme visto no Festival do Rio 2018 




Ficha técnica: 

Colette (Colette)
Estados Unidos/ Reino Unidos/ Irlanda do Norte, 2018
Direção: Wash Westmoreland 
Roteiro: Rebecca Lenkiewicz, Richard Glatzer, Wash Westmoreland
Produção:  Caroline Levy, Christine Vachon, David Minkowski, Dominic Buchanan, Elizabeth Karlsen, Gary Michael Walters, Ildiko Kemeny, Lisa Zambri, Michel Litvak, Pamela Koffler, Stephen Woolley
Fotografia: Giles Nuttgens
Montagem: Lucia Zucchetti
Elenco: Keira Knightley, Dominic West, Denise Gough 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

"Tinta Bruta" sonda o poço sem fundo da solidão e da sensualidade masculina


O filme brasileiro "Tinta Bruta" (2018), dos realizadores Filipe Matzembacher e Márcio Reolon, logrou no Festival de Berlim este ano, o Teddy Awards, e, culminou recentemente no grande vencedor do Festival Internacional de Cinema do Rio com a conquista do troféu Redentor nas categorias Melhor Longa-Metragem de Ficção, Melhor Ator para Shico Menegat, Melhor Ator Coadjuvante para Bruno Fernandes e Melhor Roteiro. 

O drama que estreia hoje nos cinemas, acompanha a trajetória do jovem Pedro (Shico Menegat) pouco antes da partida de sua irmã de Porto Alegre. A separação por quem nutre uma relação muito próxima desde da morte da mãe, escancara o poço sem fundo da progressiva solidão que encontra espaço na vida do protagonista. Para aumentar ainda mais sua dor, Pedro está envolvido em um processo judicial cuja sentença pode lhe colocar na cadeia. Sua única válvula de escape e renda vem das apresentações eróticas feitas em uma webcam, transmitidas ao vivo em seu website e visualizada por inúmeros seguidores anônimos. Para se diferenciar, ele pinta o corpo com tinta reluzente, porém, descobre a existência de outro rapaz de sua cidade copiando seu trabalho e, consequentemente, decide tomar providências.

A envolvente performance do ator Shico Menegat transborda o olhar vazio e triste do personagem. Seu corpo potencializa a fragilidade e ao mesmo tempo a virilidade de um jovem cercado de insegurança e medo dos olhares julgadores das pessoas. Esse mesmo corpo, encontra liberdade e segurança durante as performances online e tenta buscar forças para conseguir seguir adiante frente às adversidades da vida.

Por sua vez, o roteiro trafega de forma afetuosa esta história rodeada de temas complexos, tanto que na cena da revelação sobre o motivo de Pedro estar sendo julgado, o espectador não visualiza o evento, mas imagina como ocorreu pela descrição feita por Léo (Bruno Fernandes). Um mecanismo simples, porém eficaz, pois possibilita um olhar ativo e maior envolvimento do público para com a jornada do protagonista.

A trilha sonora é um elemento primordial para a condução da narrativa, uma vez que cria o clima sedutor para Pedro revelar seu lado visceral, assim como a fotografia das cenas das apresentações, em que o escuro dá vazão para reluzir o colorido da tinta neon e transparecer a sensualidade e a alma do personagem. 
CineBliss **




Ficha técnica: 

Tinta Bruta (Tinta Bruta) 
Brasil, 2018
Direção: Filipe Matzembacher, Márcio Reolon 
Roteiro: Filipe Matzembacher, Márcio Reolon 
Produção: Filipe Matzembacher, Márcio Reolon 
Fotografia: Glauco Firpo
Montagem: Germano de Oliveira
Elenco: Shico Menegat, Bruno Fernandes, Sandra Dani 

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

CineBliss anuncia a seleção dos 20 melhores filmes de 2018


A menos de um mês para nos despedirmos do complexo 2018, nada mais prazeroso em dizer adeus para esse ano e ter esperança para um 2019 repleto de amor e tolerância. O cinema com sua função de janela para o mundo, proporcionou nesses 365 dias centenas de títulos cinematográficos que potencializaram reflexões e discussões sobre a sociedade, flertaram com rupturas de comportamento, encantaram corações e sondaram os poços sem fundo da alma humana. 

Filmes como "Infiltrado na Klan", de Spike Lee ou o alemão "Em pedaços", de Fatih Akin retrataram o mal-estar e vazio moral da contemporaneidade. Por sua vez, foi um ano marcante para os blockbusters com histórias de super-heróis que não se aterem apenas em efeitos especiais, mas em proporcionarem uma maior profundidade nos personagens como nos casos de "Pantera Negra", de Ryan Coogler e "Vingadores: Guerra Infinita", de Anthony Russo e Joe Russo, ambos da Marvel. O romance também garantiu espaço com destaque para "Me chame pelo seu nome", de Luca Guadagnino e "A forma da água", de Guillermo del Toro. Já o Brasil teve no gênero terror um de seus melhores filmes, "O animal cordial", de Gabriela Amaral Almeida.

Isto posto, o blog CineBliss organizou uma lista com os vinte melhores títulos lançados no Brasil este ano, durante o período de 01 de dezembro de 2017 a 30 de novembro de 2018. Dentre os escolhidos constam histórias oriundas dos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Rússia, Líbano, Brasil, Coreia do Sul e França. Vale lembrar que a seleção foi feita de modo subjetiva e baseada nos 170 filmes vistos. Segue abaixo a seleção em ordem de preferência:


Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman)
Estados Unidos, 2018
Direção: Spike Lee
Roteiro: Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott, Ron Stallworth, Spike Lee
Elenco: John David Washington, Adam Driver, Alec Baldwin, Laura Harrier
Leia mais em: Infiltrado na Klan



Três anúncios para um crime (Three Billboard Outside Ebbing, Missouri)
Estados Unidos, 2017
Direção: Martin McDonagh
Roteiro: Martin McDonagh
Elenco: Frances McDormand, Woody Harrelson, Sam Rockwell
Leia mais em: Três anúncios para um crime

 

Me chame pelo seu nome (Call me by your name)
Estados Unidos/ Itália/ França/Brasil, 2017
Direção: Luca Guadagnino
Roteiro: James Ivory
Elenco: Timothée Chalamet, Armie Hammer, Michael Stuhlbarg
Leia mais em: Me chame pelo seu nome



Pantera Negra (Black Panther)
Estados Unidos, 2018
Direção: Ryan Coogler
Roteiro: Joe Robert Cole, Ryan Coogler
Elenco: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong'o, Daniel Kaluuya, Forest Whitaker, Andy Serkis, Angela Bassett  



Viva - A vida é uma festa (Coco)
Estados Unidos, 2017
Direção: Adrian Molina, Lee Unkrich 
Roteiro: Adrian Molina, Jason Katz, Lee Unkrich, Matthew Aldrich
Elenco: Benjamin Bratt, Gael García Bernal, Anthony Gonzalez

 

Vingadores: Guerra Infinita (The Avengers: Infinity War)
Estados Unidos, 2018
Direção: Anthony Russo, Joe Russo
Roteiro:  Christopher Markus, Stephen McFeely
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth, Chris Pratt, Scarlett Johansson, Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Mark Ruffalo, Chadwick Boseman, Tom Hiddleston, Tom Holland, Zoe Saldana, Peter Dinklage, Benedict Cumberbatch, Benedict Wong, Don Cheadle, Josh Brolin,  Don Cheadle



A forma da água (The shape of water)
Estados Unidos, 2017
Direção: Guillermo del Toro 
Roteiro: Guillermo del Toro, Vanessa Taylor
Elenco: Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins, Octavia Spencer

 

Em pedaços (Aus dem Nichts)
Alemanha, 2017
Direção: Fatih Akin
Roteiro: Fatih Akin, Hark Bohm
Elenco: Diane Kruger, Numan Acar, Ulrich Tukur
Leia mais em: Em pedaços 

  

A festa (The party)
Reino Unido, 2017
Direção: Sally Potter 
Roteiro: Sally Potter, Walter Donohue
Elenco: Bruno Ganz, Cherry Jones, Cillian Murphy, Emily Mortimer, Kristin Scott Thomas, Patricia Clarkson, Timothy Spall

 

Ilha dos cachorros (Isle of dogs)
Estados Unidos, 2018
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Jason Schwartzman, Kunichi Nomura, Roman Coppola, Wes Anderson
Elenco: Bill Murray, Bryan Cranston, Edward Norton, Frances McDormand, Greta Gerwig, Harvey Keitel, Jeff Goldblum, Liev Schreiber, Scarlett Johansson, Tilda Swinton, Yoko Ono

 

O animal cordial (O animal cordial)
Brasil, 2017
Direção: Gabriela Amaral Almeida
Roteiro: Gabriela Amaral Almeida
Elenco: Murilo Benício, Luciana Paes, Irandhir Santos, Ernani Moraes, Jiddu Pinheiro, Camila Morgado, Humberto Carrão  
Leia mais em: O animal cordial

 

Sem amor (Nelyubov)
Rússia, 2017
Direção: Andrey Zvyagintsev 
Roteiro: Andrey Zvyagintsev, Oleg Negin
Elenco: Alexey Rozin, Maryana Spivak, Matvey Novikov



"Em chamas" (Boening) 
Coreia do Sul, 2018
Direção: Lee Chang-Dong
Roteiro: Oh Jung-Mi, Lee Chang-Dong
Elenco: Yoo Ah-In, Jun Jong-Seo, Yeun Steven  
Leia mais em: Em chamas 



As viúvas (Widows) 
Estados Unidos, 2018
Direção: Steve McQueen 
Roteiro: Steve McQueen, Gillian Flynn
Elenco: Viola Davis, Michelle Rodriguez, Elizabeth Debicki, Cynthia Erivo, Colin Farrell, Liam Neeson
Leia mais em: As viúvas 



Custódia (Jusqu'a la garde)
França, 2017
Direção: Xavier Legrand 
Roteiro: Xavier Legrand 
Elenco: Denis Menochet, Léa Drucker, Thomas Gioria  



120 batimentos por minuto (120 battements par minute)
França, 2017
Direção: Robin Campillo 
Roteiro: Philippe Mangeot, Robin Campillo
Elenco: Nahuel Pérez Biscayart, Adele Haenel, Antoine Reinartz  



Verão (Leto)
Rússia, 2018
Direção: Kirill Serebrennikov
Roteiro: Mikhail Idov, Lili Idova, Kirill Serebrennikov
Elenco: Teo Yoo, Irina Starshenbaum, Roman Bilyk   
Leia mais em: Verão 



O insulto (L'insulte)
Líbano, 2017
Direção: Ziad Doueiri
Roteiro: Ziad Doueir, Joelle Touma 
Elenco: Adel Karam, Kamel El Basha 



Nasce uma estrela (A star is born)
Estados Unidos, 2018
Direção: Bradley Cooper
Roteiro: Alan Campbell, Bradley Cooper, Dorothy Parker, Eric Roth, Robert Carson, Will Fetters, William A. Wellman
Elenco: Lady Gaga, Bradley Cooper, Sam Elliot, Anthony Ramos




Ferrugem (Ferrugem)
Brasil, 2018
Direção: Aly Muritiba
Roteiro: Aly Muritiba, George Moura, Jessica Candal
Elenco: Clarissa Kiste, Dudah Azevedo, Enrique Diaz, Giovanni de Lorenzi, Igor Augustho, Pedro Inoue, Tifanny Dopke




quinta-feira, 29 de novembro de 2018

"Utøya - 22 de julho" transborda a tensão e o pânico de jovens noruegueses frente à um atentado terrorista



A Noruega, país nórdico da Europa com o melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo, viveu em 22 de julho de 2011, um dos piores dias de sua história quando ocorreu uma explosão na zona de prédios governamentais da capital, Oslo, e, poucas horas depois a invasão do terrorista de extrema-direita Anders Behring Breivik, na ilha de Utøya, em que atirou contra centenas de jovens, deixando 77 mortos e dezenas de feridos.

Baseado neste trágico evento, o novo longa do diretor Erik Poppe, "Utøya - 22 de julho" (2018), transborda a tensão e o pânico que se alastraram nos jovens noruegueses durante mais de uma hora de tiroteio na ilha. O filme que estreia hoje nas principais salas de cinema do país, acompanha Kaja (Andrea Berntzen) - uma adolescente prestativa e com personalidade de liderança -, minutos antes de iniciar a onda de tiros e sua busca em encontrar a irmã e sobreviver a esse assustador e caótico cenário.

Com uma câmera praticamente colada em Kaja, o espectador é conduzido freneticamente a cada corrida ou esconderijo da personagem no meio da mata. Dessa forma, pode-se conhecer um pouco sobre alguns dos jovens, suas respectivas histórias e a vontade de viver. Num primeiro momento, a protagonista aparenta estar lúcida em sua procura pela irmã, porém, conforme o tiroteio prevalece ela mergulha em um turbilhão de fatalidades, o que lhe permite dar vazão ao colapso emocional. 

O som é um elemento primordial para unidade dramática de cada cena, pois é através desse mecanismo que o espectador observa a aproximação do atirador ou o desespero dos personagens. O barulho impactante dos tiros, assim como o suspiro, a respiração ofegante ou o silêncio torna a experiência ainda mais real.

Os planos gerais ou close-up mostram imagens devastadoras de corpos estirados na mata ou de rostos perplexos, possibilitando visualizar o cenário desastroso de sonhos interrompidos pelo ato terrorista de um homem. O filme com 98 minutos de duração, consegue captar com primor essa realidade brutal que avassalou esse país de primeiro mundo. Nesse total, 72 minutos de tiroteio são exatamente semelhantes aos vivenciados no acampamento.
CineBliss ***




Ficha técnica:

Utøya - 22 de julho (Utøya 22. juli)
Noruega, 2018
Direção: Erik Poppe
Roteiro: Anna Bache-Wiig, Siv Rajendram Eliassen
Produção: Finn Gjerdrum, Stein B. Kvae
Elenco: Andrea Berntzen, Aleksander Holmen, Brede Fristad

terça-feira, 27 de novembro de 2018

"Um homem comum" reverbera os conflitos internos de um criminoso de guerra


Estreia nesta quinta-feira (29) o filme "Um homem comum"(2017), do diretor Brad Silberling (Cidade dos anjos), em uma coprodução entre Estados Unidos e Sérvia. Na narrativa cinematográfica, a cidade de Belgrado é o cenário para o drama da jornada do criminoso de guerra O General (Ben Kingsley), cujos feitos são condecorados por uns e repudiados por outros.

Devido a esse conflito, O General vive em reclusão fugindo das autoridades internacionais, mudando de lugares com frequência e contando com a ajuda de seus apoiadores. Em um dos seus esconderijos conhece a jovem e solitária Tanja (Hera Hilmar), com a qual inicia uma relação de cumplicidade. Logo, O General descobre que Tanja na verdade não é uma empregada, mas sim, uma agente secreta com a missão de protegê-lo. Conforme o cerco se fecha para capturá-lo, lhe resta apenas a opção de confiar nela. 
 
Com uma fotografia escura com ares de mofo, o espectador é arremessado para dentro de um apartamento claustrofóbico, onde discussões acaloradas sobre nacionalismo, crimes de guerra e passado violento são ecoados na tentativa de redenção do protagonista. As poucas cenas externas, mostra uma região que em algum momento do passado fora devastada pela guerra e agora busca um recomeço. No filme, essa transição do passado sombrio para um futuro melhor está em conseguir fazer parte da União Europeia. Entrentato, para tal feito a exigência da comunidade é o aprisionamento e julgamento do General. 

Os 90 minutos de "Um homem comum" são embriagados pelo conflito interno do protagonista, com pouco suspense e mais diálogo, uma vez que o histórico de si mesmo é carregado de contradições: sofre com traumas familiares sem aparentemente demonstrar arrependimento dos crimes cometidos. Essa complexidade de personagem está notável na performance do ator Ben Kingsley, em que pontua com eficiência a vaidade e o sofrimento deste homem 'supostamente' comum.
CineBliss **



Ficha técnica: 

Um homem comum (An ordinary man)
Estados Unidos/Sérvia, 2017
Direção: Brad Silberling 
Roteiro: Brad Silberling
Produção: Brad Silberling,  Ben Kingsley
Elenco: Ben Kingsley, Hera Hilmar, Peter Serafinowicz

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

"O quebra-cabeça" sensibiliza o despertar de uma mulher submissa e recatada


Até o fim do século XIX na sociedade ocidental, o papel da mulher esteve destinado ao espaço privado relegada a cumprir apenas a função de esposa, dona de casa e mãe, sem permissão para estudar ou seguir uma profissão. Essa divisão de papéis sociais entre homens e mulheres aprisiono-as no âmbito doméstico, não consentindo sua autonomia em outras áreas que não fosse o lar. Por muito tempo elas foram tratadas como cidadãs de segunda classe, submissas a pais, maridos e irmãos, ou seja, a homens. A mudança de cenário começa a acontecer só a partir da segunda metade do século XX, com a entrada das mulheres no mercado de trabalho e uma maior participação no espaço público. 

Mesmo com certos avanços em questões de direitos e igualdade entre homens e mulheres, o retrato em pleno século XXI está longe de ser ideal, uma vez que o patriarcado com seu sistema de dominação e exploração da mulher continua visível, tanto na realidade quanto na ficção. Como no caso do filme lançando esta semana nos cinemas "O quebra-cabeça" (2018), do diretor Marc Turtletaub, cuja protagonista Agnes (Kelly Macdonald) vive em função do bem-estar da família, se preocupando exclusivamente com os desejos e necessidades do marido e dos filhos, presa em sua bolha doméstica. 

O chamado para aventura na rotina de Agnes ocorre ao desembrulhar uma caixa de presente ganho em seu aniversário de 40 anos, um quebra-cabeça. A protagonista, ao começar a juntar as peças logo descobre a velocidade incrível que tem para montá-los e, arrisca-se em participar de um torneio nacional de quebra-cabeça em parceira com Robert (Irrfan Khan), um homem divorciado, rico e que só assiste notícias de catástrofes. 

Agnes, uma católica fervorosa que até então aparentava ter parado no tempo tanto na vestimenta, na decoração da casa, na repulsa à tecnologia ou na submissão ao marido, inicia um processo de transformação em sua autonomia e permiti-se vivenciar algo que lhe faz bem. Suas idas à casa de Robert, proporciona entrar em contato com outro universo completamente distinto do seu e a romper com um comportamento padronizado.

"O quebra-cabeça" é um remake do filme argentino "Rompecabezas" (2009), da diretora Natalia Smirnoff, cuja versão atual é conduzida com ritmo lento e delicado, e assim, o espectador aos poucos torna-se íntimo da rotina de Agnes e observa o nível de sociedade conservadora destinada ainda a muitas mulheres, onde estas são cercadas pela solidão, servidão e vazio interno. A jornada da personagem principal, ilustra quantas mulheres sofrem caladas com seus destinos, sendo que algumas por motivos maiores permanecem cumprindo com suas obrigações e, outras decidem perambularem e serem protagonistas de suas histórias.
CineBliss ***
*Visto no Festival do Rio 2018




Ficha técnica: 

O quebra-cabeça (Puzzle) 
Estados Unidos, 2018
Direção: Marc Turtletaub
Roteiro: Oren Moverman 
Produção: Wren Arthur, Guy Stodel, Marc Turteletaub, Peter Saraf 
Fotografia: Chris Norr 
Montagem: Catherine Haight 
Elenco: Kelly Macdonald, Irrfan Khan, David Denman, Bubba Weiler, Austin Abrams

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

O filme argentino "O anjo" é destaque no Festival do Rio 2018


O filme argentino "O anjo", do diretor Luis Ortega, selecionado para concorrer a uma vaga ao Oscar 2019 na categoria Melhor Filme Estrangeiro, é um dos destaques da programação do Festival do Rio hoje, com uma sessão às 21h30, no Estação NET Gávea 4 e outra no domingo (11), às 21h15, no Kinoplex São Luis 2.

A narrativa baseada em uma história real, segue o adolescente de 17 anos Carlitos (Lorenzo Ferro), cuja aparência angelical não condiz com o lado sombrio de suas entranhas. Filho único de uma família trabalhadora e honesta, na Buenos Aires, de 1971, o jovem prefere viver de pequenos delitos. Na escola, conhece o sedutor Ramon (Chino Darín), por quem logo se encanta tanto de um modo voluptuoso como parceiro ideal para revolucionar suas façanhas no mundo do crime e assumir seu real instinto: matar pessoas. 

O filme lembra um pouco outro fenômeno argentino "O clã" (2015), de Pablo Trapeiro, por também ser inspirado em eventos reais, por transcorrer em um determinado momento da ditadura militar na Argentina e pela violência transposta nas telas de forma ímpia e desconcertante. A diferença é que no filme de 2015, às agressões físicas eram permeadas pelo dinheiro e, no caso de "O anjo", o ato de roubar aparenta ser apenas um dispositivo para a real intenção do personagem, de simplesmente agir com sangue frio e tirar a vida de alguém.

O ritmo do longa-metragem é permeado por muita musicalidade, tanto que em certas cenas dá a sensação de videoclipe, como no caso do abandono do carro realizado por Carlitos. Esse mecanismo não chega a atrapalha o desenrolar da narrativa, tanto que a canção "El extraño del pelo largo", de La Joven Guardia é ressoada no início e final do filme.

Segue abaixo as datas, horários e lugares de exibição do filme "O anjo". O Festival do Rio acontece entre os dias 01 a 11 de novembro. Para maiores informações acesse o site  Festival do Rio

Datas e horários
09/11 (sexta-feira) - 21h30 - Estação NET Gávea 4
11/11 (domingo) - 21h15 - Kinoplex São Luís 2




Ficha técnica: 

O anjo (El Ángel) 
Argentina/Espanha, 2018
Direção: Luis Ortega
Roteiro: Luis Ortega, Rodolfo Palacios, Sergio Olguím
Produção: Hugo Sigman, Sebastian Ortega, Pedro Almodóvar, Augustín Almodóvar
Fotografia: Julían Apeteguío 
Montagem: Guillermo Gatti
Elenco: Lorenzo Ferro, Chino Darín, Mercedes Móran,

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Festival do Rio exibe hoje o filme "A sombra do pai" na mostra competitiva da Première Brasil


O segundo longa-metragem da diretora baiana Gabriela Amaral Almeida, "A sombra do pai" (2018), será exibido hoje pela primeira vez no Festival do Rio 2018, em uma sessão de gala com convidados, às 19h00, em duas salas do Estação NET Gávea.  O filme que já logrou no Festival de Brasília três estatuetas nas categorias de Melhor Atriz Coadjuvante para Luciana Paes, Melhor Som para Daniel Turini e Melhor Montagem para Karen Akerman, concorre pelo troféu Redentor na Première Brasil: Competição longa ficção. 

A emocionante narrativa misturada com um toque de horror, retrata a relação entre Jorge (Júlio Machado) e Dalva (Nina Medeiros), respectivamente pai e filha, que após a morte da mãe e do abandono da tia Cristiana (Luciana Paes) da casa, são obrigados a construirem uma aproximação afetiva. Porém, quando o amigo de trabalho de Jorge morre, este ausentando-se do papel de pai e aos poucos demonstra uma aparência de zumbi, alienado pelo trabalho exaustivo na construção civil e completamente castrado emocionalmente. Por sua vez, Dalva busca refúgio em filmes de terror e em suas crenças, o que a faz acreditar ter poderes sobrenaturais para ser capaz de trazer sua mãe de volta à vida.

Gabriela Amaral Almeida, cujo primeiro longa "O animal cordial" (2017) já introduzia os repertórios do subgênero do terror, o slasher, em seu trabalho atual fica ainda mais evidente com imagens rasgando a tela de filmes cultuados desta categoria tais como "Frankenstein" (1910), de J. Searle Dawley, e, "A noite dos mortos vivos" (1968), de George Romero. A diretora vai além disso, ao aprofundar em seu roteiro a questão da vontade e da fé, ingredientes responsáveis por impulsionar uma potência de escolher entre viver ou morrer, algo tão característico nos personagens de Dalva e Julio.

Segue abaixo as datas, horários e lugares de exibição do filme "A sombra do pai". O Festival do Rio acontece entre os dias 01 a 11 de novembro. Para maiores informações acesse o site  Festival do Rio

Datas e horários
08/11 (quinta-feira) - 19h00 - Estação NET Gávea 3
08/11 (quinta-feira) - 19h00 - Estação NET Gávea 5
09/11 (sexta-feira) - 13h00 - CCLSR - Cine Odeon NET Claro
10/11 (sábado) - 19h00 - Kinoplex São Luis 1



Ficha técnica: 

A sombra do pai (A sombra do pai) 
Brasil, 2018
Direção: Gabriela Amaral Almeida
Roteiro: Gabriela Amaral Almeida
Produção: Rodrigo Sarti Werthein, Runi Tavares, Rodrigo Teixeira
Fotografia: Bárbara Alvarez
Montagem: Karen Akerman
Elenco: Julio Machado, Nina Medeiros, Luciana Paes

terça-feira, 6 de novembro de 2018

O novo filme do diretor Spike Lee, "Infiltrado na Klan", será exibido hoje à noite no Festival do Rio 2018


O diretor americano nascido no bairro do Brookly, em Nova Iorque, Spike Lee, causou rebuliço em Cannes, em 1989, com o febril longa-metragem "Faça a coisa certa", que mesmo com todo potencial de discussão sobre as condições dos negros nos Estados Unidos, não logrou à Palma de Ouro. Quase trinta anos depois, esse mesmo cineasta contagiou a Croisette com seu recente trabalho “Infiltrado na Klan” (2018), sendo laureado com o prêmio do Grand Prix. Por sua vez, o Festival do Rio 2018 tem como destaque em sua programação a primeira exibição deste filme na noite desta terça-feira (06), às 21:30, no CCLSR - Cine Odeon NET Claro.

A história baseada em eventos reais, nos anos 1970, no Departamento de Polícia de Colorado Springs, retrata a infiltração do novato policial negro Ron Stallworth (John David Washington) na organização que defende a supremacia branca, Ku Klux Klan. Para tal feito, ele começa a ter contato por telefone com um dos influentes líderes David Duke (Topher Grace) e, para os encontros presenciais com o grupo destina o parceiro judeu, Flip Zimmerman (Adam Driver). Juntos, eles têm como objetivo desmantelar esta associação difusora de ódio às minorias.

Como na maioria de seus filmes anteriores, Spike Lee pauta a narrativa por meio de uma onda crescente de tensão, cujo efeito provocado no espectador é impactante e visceral. Para isso, o roteiro é construído com base em diálogos embriagados de fúria, convicção e, por que não irônico, sem deixar de lado em nenhum momento o tom político subversivo.

Por si só a história já é nutrida por ingredientes de horror social, mas o cineasta busca aprofundar essa sensação com imagens dos filmes "O nascimento de uma nação" (1915), de D.W. Griffith, "...E o vento levou" (1939), de Victor Fleming, e, das passeatas que aconteceram em 2017, na cidade de Charlottesville, na Virgínia, nos Estados Unidos. Como se esses fatos pudessem ilustrar a linha cronológica da violência física e psicológica direcionada aos negros americanos.

O ator John David Washington - filho do astro Denzel Washington - dispõe de uma performance arrebatadora, o tom de deboche, revolta, sagacidade e comprometimento com a missão se harmonizam em seu personagem, transmitindo para o espectador o abismo moral e bizarro deste 'particular' momento da sociedade estadunidense. A representação feminina também ganha voz ativa no papel da líder estudantil Patrice Dumas (Laura Harrier), cujo entusiasmo em dar vazão de poder para todos "power to all the people", serve de engrenagem tanto para combater o ódio como para alimentá-lo.

Um filme simplesmente imperdível e extremamente necessário para tempos de obscurantismo político e social em diversas partes do mundo. Não deixem de conferir!

Segue abaixo as datas, horários e lugares de exibição do filme "Infiltrados na Klan". O Festival do Rio acontece entre os dias 01 a 11 de novembro. Para maiores informações acesse o site  Festival do Rio
CineBliss

Datas e horários
06/11 (terça-feira) - 21h30 - CCLSR - Cine Odeon NET Claro
07/11 (quarta-feira) - 18h30 - Reserva Cultural Niterói 1
09/11 (sexta-feira) - 16h00 - Estação NET Ipanema 2
10/11 (sábado) - 18h40 - Kinoplex São Luis 2





Ficha técnica : 

Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman)
Estados Unidos, 2018
Direção: Spike Lee
Roteiro: Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott, Spike Lee
Produção: Sean Mckittirick, Jason Blum, Raymond Mansfield, Jordan Peele, Spike Lee, Shaun Redick
Fotografia: Chayse irvin
Montagem: Barry Alexander Brown 
Elenco: John David Washington, Adam Driver, Laura Harrier, Topher Grace, Alec Baldwin 

CineBliss partipa do encontro "Processo criativo com Olivier Assayas" no Festival do Rio 2018


O blog CineBliss teve o privilégio de participar na tarde de ontem (05) do encontro "Processo criativo com Olivier Assayas", promovido pelo Festival do Rio 2018, na Casa Firjan. A conversa contou com a presença  do cineasta e roteirista francês Olivier Assayas, responsável por filmes como "Personal Shopper"(2016), "Acima das nuvens" (2014) e o mais recente "Vidas Duplas"(2018) - sendo que o último faz parte da programação do evento - e, do produtor brasileiro Rodrigo Teixeira, fundador da produtora paulista RT Features, cujo currículo conta com sucessos como "Me chame pelo seu nome" (2017), "A Bruxa" (2015) e "Frances Ha" (2012). A mediação foi realizada pela organizadora do festival Ilda Sampaio.

Olivier e Rodrigo que estão em fase de preparação para gravarem um novo filme no primeiro semestre de 2019, comentaram sobre suas carreiras, as formas de trabalharem e como funciona o mercado audiovisual fora do Brasil. O cineasta relatou que o importante para ele: "não é fazer um filme, mas fazer um filme bom e honesto", bem como, procura em seus projetos cinematográficos a autenticidade.

Já Rodrigo comentou que a produção de "Frances Ha" mudou sua carreira: "quando o Noah Baumbach me procurou para realizar um filme com orçamento de US$ 500 mil dólares em preto e branco, foi algo que possivelmente eu não conseguiria realizar no Brasil e tê-lo feito alavancou minha carreira como produtor". Ele também mencionou sobre o que move sua profissão: " curiosidade é o que faz um bom produtor e ditar tendências é uma regra".

Para saber mais sobre a conversa entre Olivier Assayas e Rodrigo Teixeira, é só acessar os vídeos abaixo. O Festival do Rio acontece entre os dias 01 a 11 de novembro. Para maiores informações acesse o site Festival do Rio
CineBliss









CineBliss com Olivier Assayas

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O filme "As viúvas" abre hoje à noite o Festival do Rio 2018


A vigésima edição do Festival do Rio que ocorre entre os dias 01 a 11 de novembro na capital fluminense, promove hoje a partir das 21:00, no CCLSR Cine Odeon, a Noite de Abertura com a participação no tapete vermelho de diretores, atores, atrizes e personalidades brasileiras e estrangeiras. Dentre os mais de 200 títulos de 60 países que farão parte da programação, o selecionado para abrir o festival é "As viúvas" (2018), do diretor Steve McQueen (12 anos de escravidão; Shame), cuja exibição também poderá ser desfrutada pelo público em uma única sessão esta noite, às 23:59. O ingresso pode ser adquirido através do site Festival do Rio

Como o próprio título já sugere, as viúvas Veronica (Viola Davis), Alice (Elizabeth Debicki) e Linda (Michelle Rodriguez) são deixadas pelos maridos criminosos após um assalto malsucedido. Sem dinheiro para continuarem a viver e ameaçadas por uma dívida de alto valor de seus falecidos, elas são obrigadas a se juntarem e organizarem um plano para conseguirem pagar a determinada quantia. Mesmo sem se conhecerem, com filhos para cuidarem sozinhas e traumas do passado, as três reúnem força, coragem e uma quarta integrante, Belle (Cynthia Erivo), para tornarem-se heroínas de suas próprias jornadas. 

Essa trajetória de superação é marcada pelo empoderamento da mulher negra e imigrante - latina e leste europeu - na atual Chicago, com diversos questionamentos políticos sobre esta parcela da sociedade estadunidense. A política na verdade, é o cerne de todo o desarranjo de destino sofrido por essas viúvas, o conflito entre a tradicional e velha política versus a nova forma de fazer política é ostentada em várias cenas por meio de diálogos calorosos entre Tom Mulligan (Robert Duvall) e Jack Mulligan (Colin Farrell), pai e filho, ambos políticos. 

A narrativa que num primeiro momento se encaixa num gênero de ação com a cena febril de perseguição dos assaltantes logo no começo, se direciona para algo muito mais profundo e complexo, dissecando diversos mecanismos institucionais como política, casamento e igreja. Por sua vez, o roteiro triunfa na construção desse mosaico de interesses com uma história extremamente atual, ágil e visceral que imprime reviravoltas formidáveis, como por exemplo, na cena de faro e descoberta do cachorro de Veronica. 

A química dos atores é combustível para a fluidez da narrativa, destacando o brilho da atriz Viola Davis que por meio da interpretação de sua personagem imersa no luto, demonstra rigidez e determinação, mas que transborda em emoções quando necessárias. 
CineBliss




Ficha técnica: 

As viúvas (Widows) 
Estados Unidos, 2018
Direção: Steve McQueen 
Roteiro: Steve McQueen, Gillian Flynn
Produção: Iain Canning, Steve McQueen, Arnon Milchan, Emile Sherman
Fotografia: Sean Bobbitt 
Montagem: Joel Walker
Elenco: Viola Davis, Michelle Rodriguez, Elizabeth Debicki, Cynthia Erivo, Colin Farrell, Liam Neeson

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo - "Em chamas" tece com cuidado e maestria o terreno escorregadio entre real e imaginário


O diretor sul-coreano Lee Chang-dong (Poesia), que iniciou sua carreira no cinema nos anos 1990, provoca em seu novo filme "Em chamas" (2018), um olhar ativo e atento do espectador frente a teia de nuances entre o real e o imaginário, expostos por meio de uma narrativa concentrada em um triângulo amoroso. O longa-metragem representante da Coreia do Sul na corrida ao Oscar 2019 na categoria Melhor Filme Estrangeiro, é baseado no conto "Queimar celeiros", do escritor japonês Haruki Murakami

A história inicia-se com o reencontro de dois colegas de vizinhança o jovem Jongsu (Yoo Ah-In) e a garota Haemi (Jun Jong-Seo), mesmo com pouca intimidade a última pede para que ele cuide de seu gato enquanto estiver viajando pela África. No retorno da viagem, Haemi volta acompanhada de Ben (Yeun Steven), um homem um pouco mais velho que ela que ostenta uma qualidade de vida de alto padrão financeiro, mas sem dizer ao certo no que realmente trabalha. 

Logo, os três personagens começam a desfrutarem de momentos juntos, ao ponto de Ben confessar um estranho hobby para Jongsu. A revelação impacta na rotina de Jongsu, impulsionando-o em um labirinto de mistérios. 

O roteiro construído de forma crescente o pulsar das tensões, revela as dicotomias existentes nesta sociedade, seja entre podre versus rico, realidade versus fantasia, ou Coreia do Sul versus Coreia do Norte. Vale destacar que a história é ambientada na cidade de Panju, local próximo da área desmilitarizada entre os dois países.

Segue abaixo as datas, horários e lugares de exibição do filme "Em chamas". A 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo acontece entre os dias 18 a 31 de outubro. Para maiores informações acesse o site 42 Mostra
CineBliss

Datas e horários
29/10 (segunda-feira) - 21h00 - Espaço Itaú de Cinema Pompéia
31/10 (quarta-feira) - 14h00 - Cinearte Petrobras 


Ficha técnica: 

"Em chamas" (Boening) 
Coreia do Sul, 2018
Direção: Lee Chang-Dong
Roteiro: Oh Jung-Mi, Lee Chang-Dong
Produção: Lee Joon-Dong, Lee Chang-Dong
Fotografia: Hong Kyung-Pyo 
Montagem: Hyun Kim, Da-Won Kim
Elenco: Yoo Ah-In, Jun Jong-Seo, Yeun Steven

domingo, 21 de outubro de 2018

42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo - O filme brasileiro "Temporada" contempla a jornada de transformações de uma pessoa comum


O filme brasileiro "Temporada" (2018), do realizador André Novais Oliveira (Ela volta na quinta), que logrou o troféu Candango, em Brasília, nas categorias Melhor Filme, Melhor Atriz para Gracê Passô, Melhor Ator Coadjuvante para Russo Apr, Melhor Fotografia para Wilsa Esser e Melhor Direção de Arte para Diogo Hayashi, integra a programação da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

A história situada na periferia de Contagem, Minas Gerais, se destina a observar com carinho a personagem Juliana (Gracê Passô), quando esta muda-se para a cidade por causa de um novo trabalho. Nesse ambiente desconhecido, a protagonista se depara com experiências singulares que irão afetar a sua jornada e converter-se em combustível para transformações.

Com um ritmo lento, o público é conduzido nas caminhadas diárias de Juliana para realização do trabalho como agente de prevenção da dengue, nos diálogos conflituosos com o marido feitos por telefone, na tentativa de mobiliar um novo lar e na construção de novas amizades, algo inédito para personagem. Um recorte aparentemente simples sobre a rotina de uma mulher comum, mas que nas entrelinhas esconde um emaranhado de emoções.

Segue abaixo as datas, horários e lugares de exibição do filme "Temporada". A 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo acontece entre os dias 18 a 31 de outubro. Para maiores informações acesse o site 42 Mostra
CineBliss


Datas e horários: 
21/10 (domingo) - 21h10 - Reserva Cultural
22/10 (segunda-feira) - 15h40 - Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca
30/10 (terça-feira) - 14h00 - Cinesala




Ficha técnica: 

Temporada ( Temporada)
Brasil, 2018
Direção: André Novais Oliveira
Roteiro: André Novais Oliveira
Produção: Thiago Macedo Correia
Fotografia: Wilssa Esser
Montagem: Gabriel Martins
Elenco: Grace Passô, Russo Apr, Rejane Faria, Helio Ricardo, Ju Abreu, Renato Novaes

O filme ganhador da Palma de Ouro "Assunto de família" é destaque na 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo


A 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo exibe hoje um dos longas-metragens de maior destaque da programação, o filme japonês "Assunto de família" (2018), do diretor Hirozaku Kore-eda (Pais e Filhos; Depois da tempestade), ganhador da Palma de Ouro esse ano. Como o próprio título já evidencia, a família é a matéria-prima para o desenrolar de toda narrativa tanto na construção das relações afetivas, no enfrentamento das dificuldades financeiras ou como fardo. 

A família em questão é composta pela senhora Hatsue Shibato (Kirin Kiki), Osamu Shibata (Lily Frankly), Shota Shibata (Kairi Jyo), Aki Shibata (Mayu Matsuoka) e Nobuyo Shibata (Sakura Ando). Todos dividem a mesma morada, um pequeno apartamento bagunçado e cercado de acúmulo de coisas, onde fazem as refeições juntos, trocam afetos e dormem sem nenhum tipo de privacidade. Pelo acaso da vida, Osamu e Shota após cometerem um furto em um supermercado deparam-se com a frágil e solitária Yuri (Miyu Sasaki), uma garotinha com marcas de agressão no corpo. Os dois a levam para casa, e, logo, ela é acolhida por todos os membros da família. 

Mesmo com mais uma boca para alimentar, os Shibata aparentam viverem felizes contornando o problema de dinheiro através de pequenos delitos e afeto. No entanto, um incidente envolvendo Shota e Yuri possibilita a revelação de segredos inimagináveis dessa família. 

Hirozaku Kore-eda que também assina o roteiro, mais uma vez retorna com a jornada de pessoas comuns, que nesse caso são nutridos pela potência transformadora do amor, independente de laços familiares ou não. Esse combustível meio em desuso nos dias atuais, possibilita a construção de uma história aparentemente corriqueira, sem nada demais, para no final deixar o público estarrecido, como se tivesse levado um soco no estômago. 

Segue abaixo as datas, horários e lugares de exibição do filme "Assunto de família". A 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo acontece entre os dias 18 a 31 de outubro. Para maiores informações acesse o site 42 Mostra
CineBliss

Datas e Horários:
21/10 (domingo) - 17h45 - Cinesala
26/10 (sexta-feira) - 18h40 - CineSesc
27/10 (sábado) - 16h00 - Reserva Cultural



Ficha técnica: 

Assunto de família (Manbiki Kazoku)
Japão, 2018
Direção: Hirozaku Kore-eda
Roteiro: Hirozaku Kore-eda
Produção: Kaoru Matsuzaki, Akihiko Yose, Hijiri Taguchi
Montagem: Hirozaku Kore-eda
Elenco: Lily Franky, Sakura Ando, Mayu Matsuoka, Kirin Kiki, Kairi Jyo 

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

42ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo - O documentário "Garotos que gostam de garotas" expõe a busca em desconstruir padrões masculinos violentos na Índia


O documentário "Garotos que gostam de garotas" (2018), da diretora Inka Achte, integra a programação da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo com quatro sessões ao total durante o evento. A narrativa é centrada na figura do adolescente Ved, na periferia de Mumbai, quando se junta em um projeto destinado a desconstruir padrões masculinos violentos referentes ao modo de se relacionarem com as mulheres. 

O grupo de meninos é liderado por Harish, um homem de meia idade, gentil e atencioso, que além de buscar ajuda financeira para instituição também tenta estimular os jovens a se capacitarem. No caso de Ved, o estimulo vem através da dança, uma demonstração artística que o ajuda a lidar com um pai abusivo e controlador dentro de casa. 

Em um universo praticamente de figuras masculinas, a diretora transita entre o passado com homens violentos representado pelo pai de Ved e, a possibilidade de um futuro diferente para esses jovens por meio do diálogo e da transmissão para uma masculinidade sadia, sem envolver abusos físicos ou psicológicos sobre as mulheres. 

Lembrando que em 2012, em Nova Déli, ocorreu o fatídico caso de estupro coletivo de uma jovem de 23 anos dentro de um ônibus, onde fora estuprada por passageiros por quase uma hora, espancada com barras de metal e jogada pela janela com o veículo em movimento. O caso que chocou o mundo, repercutiu em vários protestos ao redor da Índia e na implementação de algumas leis em defesa da mulher.

Segue abaixo as datas, horários e lugares de exibição do documentário "Garotos que gostam de garotas". A 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo acontece entre os dias 18 a 31 de outubro. Para maiores informações acesse o site 42 Mostra
CineBliss

Datas e horários
19/10 (sexta-feira) - 21h50 - Espaço Itaú de Cinema Augusta
20/10 (sábado) - 19h50 - Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca
30/10 (terça-feira) - 20h45 - MIS Museu de Imagem e Som
31/10 (quarta-feira) - 15h15 - Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca 




Ficha técnica: 

Garotos que gostam de garotas (Miehen Malli) 
Finlândia/ Índia/ Noruega, 2018
Direção: Inka Achte 
Roteiro: Inka Achte
Produção: Liisa Karpo
Fotografia: Sari Aaltonen, Riju Das, Malini Dasari, Jayanth Mathavan 
Montagem: Livia Serpa

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo - O filme russo "Verão" é um deleite sonoro e visual


A 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo que inicia-se hoje na capital paulista é um deleite para o público de todos os gostos. A seleção está composta por 336 títulos, de diferentes partes do mundo e, um dos selecionados é o russo "Verão" (2018), do diretor Kirill Serebrennikov (O estudante), que concorreu à Palma de Ouro em Cannes. Baseado em eventos reais, a narrativa com um deslumbre de fotografia em preto e branco, retrata a cidade de Leningrado, durante o verão de 1980, especificamente no nicho de jovens envolvidos com o rock underground. 

Nesse ambiente controverso à reestruturação econômica da Perestroika, encontra-se o casal Mike (Roman Bilyk) e Natasha (Irina Starshenbaum) envoltos com a busca de vivenciar todas as nuances da música ao lado do grupo de amigos, mesmo que isso signifique ser cautelosos em relações às letras e nas performances. Por sua vez, o aparecimento de Viktor Tsoï (Teo Yoo), um jovem inquieto à procura de se estabelecer no cenário musical, desperta em Mike um sentimento de paternidade, de querer ajudar e, em Natasha, um desejo adormecido formando um triângulo amoroso.

Em meio aos concertos, encontros e trocas, os três expõem para o público o poço sem fundo da censura e uma vontade de se rebelar contra esse sistema. Se tudo é proibido, se para tudo precisa-se pedir autorização, o único lugar para se ver livre é através da imaginação e, em diversas cenas, o filme enaltece essa ânsia coletiva. Como por exemplo, na sequencia em que o grupo de amigos encontra-se dentro do metrô e um deles é retirado por policiais por ter opiniões contrárias ao governo, nesse momento entoa a canção "Psycho killer", do Talking Heads, lembrando um videoclipe e uma tentativa de ter um final diferente para a realidade. 

Em todo desenrolar da narrativa é possível identificar como pano de fundo a presença do autoritarismo, de militares, da censura e, mesmo assim, o lirismo musical se sobressaindo a toda essa conjuntura. A embriaguez estética e sonora é um presente para os olhos e ouvidos do público. 

Vale lembrar que o cineasta Kirill Serebrennikov encontra-se em prisão domiciliar desde 2017, sob acusação de desvio de dinheiro público e, por esse motivo, não teve permissão para deixar o país para apresentar o filme no Festival de Cannes, em maio desse ano. 

Segue abaixo as datas, horários e lugares de exibição do filme "Verão". A 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo acontece entre os dias 18 a 31 de outubro. Para maiores informações acesse o site 42 Mostra
CineBliss

Datas e Horários: 
18/10 (quinta-feira) - 16h40 - Reserva Cultural
19/10 (sexta-feira) - 19h30 - Cinesala
21/10 (domingo) - 17h20 - Espaço Itaú de Cinema Frei Frei Caneca 
28/10 (domingo) - 19h20 - Reserva Cultural



Ficha técnica: 

Verão (Leto)
Rússia, 2018
Direção: Kirill Serebrennikov
Roteiro: Mikhail Idov, Lili Idova, Kirill Serebrennikov
Produção: Pavel Burya, Georgy Chumburidze
Fotografia: Vladislav Opelyants
Montagem: Yuri Karikh
Elenco: Teo Yoo, Irina Starshenbaum, Roman Bilyk 

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

CineBliss marca presença na coletiva de imprensa de lançamento da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo


O blog CineBliss participou no último sábado (06) da coletiva de imprensa de lançamento da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre os dias 18 a 31 de outubro, na capital paulista em mais de 30 espaços, entre cinemas, museus e locais culturais. A coletiva contou com a participação da organizadora do evento Renata de Almeida, do Secretário Municipal de Cultura de São Paulo André Sturm, da Gerente de Ação Cultural do Sesc Rosana Paulo da Cunha, dos representante da Petrobras Rodrigo Diullas, do Itáu Claudiney Ferreira, da CPFL Mario Mazzilli e do Diretor-presidente da Spcine Mauricio Andrade de Ramos

Durante a coletiva de imprensa foram destacados os filmes "A favorita", de Yorgos Lanthimos, vencedor do Grande Prêmio Especial do Júri, selecionado para abrir o evento no dia 17 de outubro, em sessão para convidados no Auditório Ibirapuera; o título mexicano "Roma", de Alfonso Cuáron, que logrou o troféu Leão de Ouro no Festival de Veneza e encerra a programação no dia 31 de outubro. Outros destaques da seleção de títulos da 42ª Mostra são para: "Não me toque", da romena Adina Pintilie vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim, o cingapuriano "Uma terra imaginada", de Siew Hua Yeo, que logrou o Leopardo de Ouro no Festival de Locarno, "A casa que Jack construiu", de Lars von Trier, o brasileiro "O grande circo místico", de Cacá Diegues, o polonês "Guerra Fria", de Pawel Pawlikowski, o sul-coreano "Em chamas", de Chang-Dong Lee, o libanês "Capernaum", de Nadine Labaki, o dinamarquês "Culpa", de Gustav Moller, "Infiltrado na Klan", do americano Spike Lee, entre outros.

O prêmio Leon Cakoff desta edição é para o cineasta iraniano Jafar Panahi, cuja obra recente "3 faces", vencedor de Melhor Roteiro no Festival de Cannes, integra a programação. Já o Prêmio Humanidade homenageará duas pessoas: o cineasta japonês Hirokazu Kore-eda, que também terá seu novo trabalho "Assunto de família" vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes este ano, compondo a seleção de títulos, e, ao brasileiro Drauzio Varella - não cineasta, mas um produtor de imagens - que participará  da mesa Da Vida à Palavra; Da Palavra à Imagem, no II Fórum Mostra. O centenário do líder sul-africano Nelson Mandela será celebrada com a exibição de quatro títulos, entre eles o inédito "O estado contra Mandela e os outros", de Gilles Porte e Nicolas Champeaux.

A 42ª Mostra ainda vai apresentar várias sessões especiais entre elas, os 20 anos de "Central do Brasil", de Walter Salles que contará com a participação do diretor e elenco principal; "O bandido da luz vermelha", de Rogério Sganzerla, e, "O bravo guerreiro", de Gustavo Dahl, ambos com seus 50 anos de lançamento, além de "Feliz Ano Velho", de Roberto Gervitz que completa 30 anos. 

As produções da América Latina também farão parte do evento com 30 títulos selecionados, incluindo dois filmes do premiado cineasta argentino Fernando Solanas com "La hora de Los Hornos" e o inédito "Viaje a los pueblos fumigados. Para conferir a programação completa da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo é só acessar o site: 42Mostra
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