segunda-feira, 28 de março de 2016

"Ex_machina: Instinto artificial" aponta até que nível há consciência humana em um robô


Com lançamento no Brasil diretamente em DVD, o vencedor do Oscar de Melhor Efeitos Visuais em 2016 "Ex_machina: Instinto artificial" do diretor estreante Alex Garland recria de uma maneira bastante significativa a lendária história do criador vs criatura, máquina vs ser humano. Em uma sociedade sem data específica, mas com aparatos tecnológicos de última geração, o filme expõe questões sobre o limite da tecnologia, a intenção humana de querer brincar de Deus e o que diferencia um robô de um ser humano.

Caleb (Domhnall Gleeson), um jovem solteiro, programador de computador da BlueBook (website de pesquisa) ganha um concurso da empresa onde trabalha. O prêmio consiste em hospedar-se uma semana na imensa residência do solitário dono da companhia, Nathan Bateman (Oscar Isaac). Sem saber ao certo o real motivo de sua estadia na casa de Nathan, Caleb coloca-se a disposição do chefe ao assinar um contrato de confidencialidade sobre sua tarefa.

O motivo dessa segurança deve-se ao projeto de inteligência artificial chamada Ava (Alicia Vikander), uma maquina construída na versão feminina, para imitar e ter consciência humana. Caleb recebe a missão de conversar com Ava, em sessões observadas por Nathan através dos sistemas de câmeras, e analisar se ela realmente tem raciocínio semelhante à raça humana ou está simulando. Os diálogos entre os dois, num primeiro momento até parece uma conversa casual, contudo, o tom de cada personagem e as escolhas dos assuntos, expõem o quão intenso e provocativo cada fala tornar-se, dissimulando a verdadeira intenção de cada um ou conquistando um grau de confiança na convivência. Conjuntamente, Caleb também mantém discussões profundas com Nathan sobre o misterioso processo de criação da robô e participa das rotineiras bebedeiras do empresário.

A cada encontro entre Caleb e Ava confidencias são reveladas, criando um certo elo de intimidade. Fato esse que instiga a robô vestir-se com roupas de mulher, prender uma peruca e perguntar à Caleb como ela está. Provavelmente esse ato, reflete nele um outro olhar sobre Ava, desorientando sua mente racional para o nível emocional. Curioso notar, que nesses bate-papos há a queda da energia, gerando uma intensa luz vermelha, na linguagem simbólica a cor representa o desejo, uma possível entonação para o ânimo que não está expresso nas conversas.

Com a maioria das cenas no âmbito interno, dentro da mansão, com o predomínio da coloração azul e vermelho, há por parte do espectador uma provável sensação de claustrofobia, dialogando talvez com Ava o sentimento de enclausuramento. O respiro, aparece somente nas belíssimas paisagens externas ocorridas em alguns momentos. 

Absorto em exemplos de questões filosóficas, com uma fotografia fenomenal e inovador na construção estética de Ava (rosto de mulher e partes do corpo robótica, entre elas o ventre) o filme seduz o espectador, mesmo para os não admiradores do gênero de ficção científica, pois a narrativa tem um ritmo assertivo de suspense com thriller. Com certeza uma instigante e reflexiva obra cinematográfica que vale a pena ganhar destaque no universo da sétima arte.
CineBlissEK


Ficha Técnica: 

Ex_machina: Instinto artificial (Ex machina)
2015, Reino Unido
Direção: Alex Garland
Roteiro: Alex Garland
Produção: Allon Reich, Andrew MacDonald
Fotografia: Rob Hardy
Elenco: Domhnall Gleeson, Alicia Vikander, Oscar Isaac

quarta-feira, 23 de março de 2016

Para homenagear o diretor Michael Haneke o CineBlissEK prepara uma lista com 5 filmes do cineasta


Michael Haneke, cineasta austríaco, completa hoje 74 anos de idade com uma refinada carreira no cinema e televisão. Formado em psicologia, filosofia e teatro pela Universidade de Viena, sua estreia nas telonas deu-se em 1989 com "O sétimo continente" e desde então surpreende o espectador em cada novo filme, em virtude de sua ousadia e provocação. Acumula prêmios internacionais, tais como: Melhor Diretor em Cannes 2005 por "Caché", Palma de Ouro por "A fita branca" e "Amor", respectivamente 2009 e 2012, esses dois filmes também foram premiados com Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e também o Oscar para o último.

O diretor costuma retratar em seus filmes o tema da violência de uma maneira real, crua e sem truque, provocando em seu público uma reflexão involuntária sobre a crueldade e maldade humana. A forma de trabalhar com a câmera geralmente é estática e com planos longos, causando ao espectador a observação, contemplação, julgamento e interação com a narrativa. Seus filmes são conhecidos por trazer uma certa estranheza, cenas chocantes e impactantes. Uma união de imagens instintivas e intelectuais.

Para homenagear Michael Haneke, o blog CineBlissEK seleciona cinco filmes do diretor que elucida sua carreira no universo cinematográfico, conquistando admiradores em todo mundo. 


A professora de piano (La pianist)
2001, Alemanha/França/ Áustria
Direção: Michael Haneke
Elenco: Isabelle Hupert, Benoit Magimel, Annie Girardot,


A professora de piano Érika Kohut (Isabelle Hupert) trabalha em um conservatório em Viena, tem como hobby ir ao cinema assistir sessão de filme pornô, mora com sua mãe controladora e executa em si mesma mutilação do órgão genital. Com a chegada do novo estudante Walter (Benoit Magimel), sua rotina ganha outra dimensão, pois os dois iniciam um romance, baseado em dominação, poder e violência. Um filme intenso, chocante e provocativo. A atriz Isabelle Hupert está plena e magnífica nessa interpretação, o que lhe resultou no prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes em 2001.  


Amor (Amour)
2012, Franca/ Alemanha/ Áustria
Direção: Michael Haneke
Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert


O casal de pianistas com mais de 80 anos, Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva) vivem em um apartamento em Paris sem dependerem de ninguém, inclusive da filha Eva (Isabelle Huppert), que mora em outro país. Os dois compartilham de uma cumplicidade, afeto e amizade decorrente de anos juntos. No entanto, Anne inesperadamente é diagnosticada com uma doença recorrente da velhice. Georges decide cuidar sozinho da amada Anne, contudo a tarefa torna-se intensa e penosa, pois vê-se a transformação física sofrida por Anne.
Com uma câmera praticamente parada, Haneke expõe de uma maneira acentuada e reflexiva a violência do corpo humano perante o avanço da idade.


A fita branca (Das weisse band)
2009, Alemanha/ Áustria/ França/ Itália
Direção: Michael Haneke
Elenco: Christian Friedel, Josef Bierbichler, Ulrich Tukur


Com uma fotografia branco e preto deslumbrante, "A fita branca" retrata um vilarejo alemão às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Nesse local com característica autoritária, as famílias vivem tranquilamente até que alguns eventos estranhos causam medo e pânico nas pessoas. Sem saber ao certo o verdadeiro responsável pelas atrocidades, o professor do coro decidi investigar quem está por trás desses acontecimentos. Conjuntamente, vê-se crianças sofrendo com a educação rígida e violenta por parte de seus pais. Um filme perturbador e tenso, ao qual o diretor elabora uma narrativa sobre a suposta origem da maldade humana.


Violência gratuita (Funny games U.S.)
2007, Estados Unidos
Direção: Michael Haneke
Elenco: Tim Roth, Naomi Watts, Michael Pitt, Brady Corbet


Michael Haneke faz em 2007 uma refilmagem de sua própria obra austríaca de 1997 "Violência gratuita", só que nesse caso com atores falando inglês e nos Estados Unidos. A versão de 2007 é praticamente igual a primeira, uma família de classe alta Ann (Naomi Watts), George (Tim Roth) e o filho vão passar o final de semana na residência à beira de um lago. Enquanto George e o filho arrumam o barco, Ann prepara a comida, logo é surpreendida por um rapaz bem vestido e educado pedindo emprestado ovos. Em seguida, outro jovem parecido junta-se a ele e iniciam um jogo violento e cruel com a família. Estes rapazes interpretados por Michael Pitt e Brad Corbett externam o terror e a maldade sem uma justificativa plausível, eles simplesmente querem causar a violência.
Leia mais em: Violência Gratuita U.S.


Caché (Caché)
2005, França/ Estados Unidos/ Áustria/ Alemanha
Direção: Michael Haneke
Elenco: Daniel Auteuil, Juliette Binoche,


O apresentador de televisão Georges (Daniel Auteuil) tem sua vida mudada completamente quando começa a receber em sua casa vídeos com imagens suas e de sua família. Sem saber o remetente desses vídeos, Georges recorre à polícia sem conseguir ajuda necessária. Ao lado da esposa Anne (Juliette Binoche), eles sentem-se ameaçados e amedrontados diante esses vídeos que cada vez mais tornam-se íntimos e apavorantes, pois supõem-se ser de uma pessoa próxima do casal, já que nessas imagens há a revelação de segredos do passado.

segunda-feira, 14 de março de 2016

CineBlissEK faz uma lista com 10 filmes da década de 80 que conquistaram gerações de cinéfilos



A década de 1980 para alguns críticos cinematográficos não é considerada como um cinema voltado para questões políticas comparado com os anos anteriores, pois nesse período há uma perda da resistência política e um certo conservadorismo, principalmente com relação ao sexo, devido o avanço do vírus HIV. Como resultado, surgem outras temáticas retratadas nas telonas, tais como: o indivíduo ganha destaque distanciando-se do âmbito coletivo, há uma exacerbação das problemáticas afetivas do adolescente, a tese do exército de um homem só conquista o público, o gênero terror banhado de muito sangue e violência intensificada provoca o medo, os efeitos especiais adquirem uma maior sofisticação, sem abandonar o realismo. Conjuntamente nessa época há o apogeu da MTV, cuja influência são videoclips nas narrativas.

Essas questões na trajetória do cinema fizeram parte da infância de milhares de pessoas ao redor do mundo, afetando de alguma forma a jornada cinéfila dos apaixonados pela sétima arte. Para celebrar esse período cinematográfica, o blog CineBlissEK seleciona 10 filmes que inspiraram o amor pelo audiovisual da autora que vós escreve.


Os caça-fantasmas (Ghostbusters)
1984, Estados Unidos
Direção: Ivan Reitman
Elenco: Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis, Rick Moranis, Sigourney Weaver



A jornada de três profissionais de estudos sobrenaturais Peter Venkman (Bill Murray), Raymond Stantz (Dan Aykroyd) e Egon Spengler (Harold Ramis) é interrompida na universidade ao qual trabalham por falta de fundos. Incrédulos, eles decidem criar o próprio negócio "Ghostbusters" para continuarem com seus projetos, esse fator vem a calhar com estranhos eventos na cidade de Nova Iorque que demandam o conhecimento desses homens. Com o aumento de clientes em busca de prender os fantasmas, há a contração do quarto integrante, Winston Zeddemore (Ernie Hudson). Entre os trabalhos, o mais intrigante é da bela Dana Barrett (Sigourney Weaver), cujo apartamento vem sofrendo diversas interferências sobrenaturais.
O filme conta com duas sequencias, sendo uma delas em 2016 com nova roupagem, já que são mulheres as caça-fantasmas. 


Clube dos cinco (The breakfast club)
1985, Estados Unidos
Direção: John Hughes
Elenco: Emilio Estevez, Anthony Michael Hall, Judd Nelson, Molly Ringwald e Ally Sheedy


Em uma manhã de sábado, John Bender (Judd Nelson), Brian Johnson (Anthony Michael Hall) e Andish (Molly Ringwald), Allison Reynolds (Ally Sheedy) e Andrew (Emilio Estevez), vão à escola cumprir uma detenção. Os cinco, sem conhecerem-se, reúnem-se na biblioteca e ficam sob a tutela do diretor Richard Vernon (Paul Gleason) que exige uma redação de cada um para passar as oito horas de custódia. Os jovens carregam estereótipos, tais como o atleta, a neurótica, a patricinha, o nerd e o rebelde. Num primeiro momento, discutem entre si, porém no desenrolar da narrativa unem-se para desabafar suas inquietações afetivas e construirem laços de lealdade.  


O exterminador do futuro (The terminator)
1984, Estados Unidos
Direção: James Cameron
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Michael Biehn, Linda Hamilton



A jovem Sarah Connor (Linda Hamilton) não tem a mínima ideia na mudança de sua rotina quando depara-se com o cyborg, Kyle Reese (Michael Biehn), enviado do futuro pela resistência humana para protegê-la do Exterminador T-800 (Arnold Schwarzenegger). Também de origem futurística, T-800 tem outra função, exterminar Sarah devido seu destino de gerar o líder dos rebeldes humanos no século XXI. Nesse jogo de gato e rato, há várias cenas de perseguição, ação e efeitos especiais.


Dirty Dance - Ritmo quente (Dirty Dance)
1987, Estados Unidos
Direção: Emile Ardolino
Elenco: Patrick Swayze, Jennifer Grey

 

Baby Houseman (Jennifer Grey) com seus 17 anos vai passar as férias com a família em um hotel. Para entreter os hóspedes o lugar proporciona diversas atrações, contudo Baby não sente nem um pouco entusiasmada por esses divertimentos e direciona sua atenção para um grupo de dançarinos que trabalham nesse estabelecimento. Devido a um incidente, Baby oferece-se para substituir uma dançarina e fazer par com o charmoso Johnny Castle (Patrick Swayze). Com treinos frequentes e calorosos, a jovem apaixona-se por Johnny, sendo repreendida pelo seus pais. Baby vê-se no conflito de entregar-se a essa paixão ou render-se aos preconceitos familiares.  


Rambo - Programado para matar (First blood)
1982, Estados Unidos
Direção: Ted Kotcheff
Elenco: Sylvester Stallone, Brian Dennehy, Richard Crenna


O ex-combatente da Guerra do Vietnã John Rambo (Sylvester Stallone) perambula desorientado por cidades, em uma delas é convidado a se retirar pelo xerife Will Teasle (Brian Dennehy), Rambo se recusa a deixar o local e é preso por vagabundagem. Na prisão sofre diversas torturas, até que decide lutar pela sua própria vida e foge da cadeia. O xerife, reúne todos seus homens para capturar Rambo, porém ele torna-se no exército de um homem só, repleto de habilidades militares, disposto a matar e impossível de prender.  


Flashdance - Em ritmo de embalo (Flashdance)
1983, Estados Unidos
Direção: Adrian Lyne
Elenco: Jennifer Beals, Michael Nouri, Lilia Skala


"What a feeling" música ganhadora do Oscar de Melhor Canção Original em 1984 embala o sonho de Alex Owens (Jennifer Beals) de ser uma bailarina profissional. A jovem trabalha durante o dia em um universo completamente masculino, como metalúrgica e durante a noite transforma-se numa dançarina em uma casa noturna. Para almejar sua paixão, ela conta com o apoio de seu chefe e admirador Nick Hurley (Michael Nouri) e sua mestra Hanna Long (Lilia Skala). Com garra e força de vontade, Alex batalha para tornar seu sonho e realidade, já que tem dificuldades de acreditar em seu potencial. 


De volta para o futuro (Back to the future)
1985, Estados Unidos
Direção: Robert Zemeckis
Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd



Em 1985, o adolescente Marty McFly (Michael J. Fox) costuma passar seu tempo livre com o bizarro cientista Dr. Brown (Christopher Lloyd). Em um dos experimentos malucos do Dr. Brown, ocorre um incidente e McFly dirige para o ano de 1955. Sem saber ao certo como retornar para seu tempo, ele decide ir à procura do Dr. Brown, contudo antes mesmo de buscar por ajuda, acaba deparando-se com seu futuro pai e intromete-se no encontro dele com sua futura mãe, o que resulta em um outro destino. McFly em sua aventura temporal, precisa reverter a situação familiar que criou ao mesmo tempo voltar para 1985.


Curtindo a vida adoidado (Ferri's Bueller day off)
1986, Estados Unidos
Direção: John Hughes
Elenco: Matthew Broderick, Alan Ruck, Mia Sara


 
Completando 30 anos de estreia, o clássico "Curtindo a vida adoidado" narra um dia na vida do adolescente Ferris Bueller (Matthew Broderick) quando este decidi tirar um dia de folga da escola e aventurar-se na cidade de Chicago em uma Ferrari vermelha. Juntamente, ele cria um plano divertido para retirar a namorada do colégio e convence seu amigo tristonho e medroso Cameron (Alan Ruck) para embarcarem nessa jornada de descoberta, cumplicidade e libertação. Enquanto aproveitam o dia livre, o diretor da escola e a irmã de Ferris buscam todas as formas possíveis para desmascará-lo. 


Sexta-feira 13 (Friday the 13th)
1980, Estados Unidos
Direção: Sean S. Cunningham
Elenco: Kevin Bacon, Jeannine Taylor,  Betsy Palmer,


O acampamento Crystal Lake sofre diversas rejeições e desconfianças devido ao afogamento de um garoto em 1957. Após anos fechado, o local de férias decide abrir novamente as portas, contrariando os moradores locais que aconselham os visitantes a irem embora do lugar. Tanto os monitores quanto os adolescentes não dão ouvido para os conselhos e ficam hospedados em Crystal Lake. No entanto, cada um vai sendo assassinado de forma brutal e amedrontadora, demonstrando a resistência por parte de alguém para a não abertura do acampamento.   


Top gun - Ases indomáveis (Top gun)
1986, Estados Unidos
Direção: Tony Scott
Elenco: Tom Cruise, Kelly McGillis, Val Kilmer


Pete Mitchell (Tom Cruise), um jovem piloto da elite da Força Aérea americana, busca nessa profissão a superação e libertação de traumas passados que envolve a figura paterna. Para ajudá-lo nessa jornada ele conta com a terapeuta Charlotte (Kelly McGillis), cuja relação desenrola-se num romance. Pete além do conflito pessoal, vive uma rotina de competição com o piloto Iceman (Val Kilmer) em provar quem é o melhor profissional. O filme conta com belíssimas cenas de combate no ar com alta tecnologia. 

terça-feira, 8 de março de 2016

Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, o blog CineBlissEK comenta a jornada de três mulheres em épocas distintas com o filme "As horas"


A primeira imagem que vem à cabeça com relação ao Dia Internacional da Mulher, são de lutadoras e guerreiras que enfrentaram e ainda desafiam, cada uma do seu jeito, o sistema patriarcal estabelecido na sociedade. As protagonistas de cada lar, de cada escritório, de cada sala de aula, de cada construção civil, de cada modalidade esportiva, ou seja, de cada profissão ao redor do mundo, lidam com situações de desigualdade, constrangimento, violência física, machismo, agressão verbal, entre outros. Em diferentes épocas ou lugares, sempre existiu e agora mais do que nunca existe, heroínas trilhando novos caminhos para um mundo igualitário entre homens e mulheres, onde cada um saiba respeitar seus direitos.

O blog CineBlissEK para homenagear esse dia importante para o sexo feminino, apresenta a jornada de três mulheres em tempos distintos que enfrentaram os padrões existentes para serem exatamente o que eram, "As horas" (2002) do diretor Stephen Daldry (Billy Elliot), baseado no livro de mesmo nome de Michael Cunningham, retrata em um único dia a vida dessas mulheres, aos quais deixam de viver uma mentira, para se colocarem como protagonistas de suas histórias.

Primeiramente, tem-se a escritora inglesa Virginia Woolf (Nicole Kidman) em 1923 escrevendo o romance Mrs. Dalloway, ao mesmo tempo ela enfrenta problemas psicológicos que desafiam a sua própria sanidade, justificando os cuidados constantes de seu marido. Essa vigília, faz com que Virginia sinta-se cada vez mais em uma prisão, não tendo espaço para ser ela mesma. Em outra localidade, Los Angeles, 1951, encontra-se a dona de casa Laura Brown (Julianne Moore), grávida de seu segundo filho, aparentemente com uma vida estável e feliz ao lado do marido, porém sofre calada com a dor de não pertencer ao seu círculo social, de não ver saída para a realidade sufocante. Por último, já em 2001 na cidade de Nova Iorque, vê-se a mulher moderna Clarissa Vaughn (Meryl Streep), numa suposta euforia na realização de uma festa para seu amigo e ex-amante Richard (Ed Harris).

A trama de cada uma é ligada ao romance Mrs. Dalloway, a autora Virginia cria o texto, ao mesmo tempo que Laura, a leitora devora o livro, enquanto Clarissa, uma editora, vivencia a trajetória da obra "... a vida toda de uma mulher, em apenas um dia. E naquele dia, a vida toda dela". Nesse desenrolar, as três precisam desempenhar um papel para um evento festivo. De um lado, Virginia ao receber a visita de sua irmã e empenhar-se para demonstrar melhoras, do outro, Laura em preparar um simples bolo para celebrar o aniversário do marido, encarnando a esposa ideal. Consequentemente, Clarissa em convencer Richard a ir em sua própria festa, já que ele encontra-se em estágio terminal do vírus HIV.

Com a intenção de elucidar que supostamente está tudo bem, essas mulheres chegam ao fundo do poço e erguem-se para defender suas próprias existências da forma como acham serem a mais apropriada, mesmo que isso implique em decisões complicadas. Essa busca por flertar com a verdadeira essência de viver algo real e não aparente para a sociedade, faz de Virginia, Laura e Clarissa, um exemplo de obra cinematográfica para mulheres reais que lutam com as "armas" possíveis para experimentarem uma jornada com mais respeito e significativa. É curioso o papel dos homens de cada história, tanto os maridos de Virginia ou Laura quanto Richard tratam essas mulheres da forma mais afetuosa e carinhosa possível, tentando de suas maneiras cuidar ou abrir os olhos delas, sem deixarem de desempenhar a figura patriarcal. 

Junto de uma trilha sonora envolvente, com um ritmo narrativo construido magistralmente pela montagem, o filme sensibiliza o público do início ao fim. Meryl Streep, Nicole Kidman e Julianne Moore proporcionam interpretações brilhantes e comoventes. A fotografia, por sua vez, dialoga harmonicamente com um roteiro bem estruturado e provocativo. Ao término da narrativa, impossível não lançar um olhar para a própria vida, indagando se a jornada individual corresponde aos anseios pessoais ou de uma sociedade, grupo ou outro sujeito. Particularmente às mulheres, cujas trajetórias ainda enfrentam preconceitos, dificuldades de igualdade e falta de respeito, essa questão não deixa de ser pertinente.    
CineBlissEK



Ficha Técnica: 

As horas (The hours)
2002, Estados Unidos
Direção: Stephen Daldry 
Roteiro: David Hare
Produção: Robert Fox, Scott Rudin
Fotografia: Seamus McGarvey
Elenco: Meryl Streep, Nicole Kidman, Julianne Moore, Claire Danes, Ed Harris, Jeff Daniels, John C. Reilly, Toni Collette