quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

"Tinta Bruta" sonda o poço sem fundo da solidão e da sensualidade masculina


O filme brasileiro "Tinta Bruta" (2018), dos realizadores Filipe Matzembacher e Márcio Reolon, logrou no Festival de Berlim este ano, o Teddy Awards, e, culminou recentemente no grande vencedor do Festival Internacional de Cinema do Rio com a conquista do troféu Redentor nas categorias Melhor Longa-Metragem de Ficção, Melhor Ator para Shico Menegat, Melhor Ator Coadjuvante para Bruno Fernandes e Melhor Roteiro. 

O drama que estreia hoje nos cinemas, acompanha a trajetória do jovem Pedro (Shico Menegat) pouco antes da partida de sua irmã de Porto Alegre. A separação por quem nutre uma relação muito próxima desde da morte da mãe, escancara o poço sem fundo da progressiva solidão que encontra espaço na vida do protagonista. Para aumentar ainda mais sua dor, Pedro está envolvido em um processo judicial cuja sentença pode lhe colocar na cadeia. Sua única válvula de escape e renda vem das apresentações eróticas feitas em uma webcam, transmitidas ao vivo em seu website e visualizada por inúmeros seguidores anônimos. Para se diferenciar, ele pinta o corpo com tinta reluzente, porém, descobre a existência de outro rapaz de sua cidade copiando seu trabalho e, consequentemente, decide tomar providências.

A envolvente performance do ator Shico Menegat transborda o olhar vazio e triste do personagem. Seu corpo potencializa a fragilidade e ao mesmo tempo a virilidade de um jovem cercado de insegurança e medo dos olhares julgadores das pessoas. Esse mesmo corpo, encontra liberdade e segurança durante as performances online e tenta buscar forças para conseguir seguir adiante frente às adversidades da vida.

Por sua vez, o roteiro trafega de forma afetuosa esta história rodeada de temas complexos, tanto que na cena da revelação sobre o motivo de Pedro estar sendo julgado, o espectador não visualiza o evento, mas imagina como ocorreu pela descrição feita por Léo (Bruno Fernandes). Um mecanismo simples, porém eficaz, pois possibilita um olhar ativo e maior envolvimento do público para com a jornada do protagonista.

A trilha sonora é um elemento primordial para a condução da narrativa, uma vez que cria o clima sedutor para Pedro revelar seu lado visceral, assim como a fotografia das cenas das apresentações, em que o escuro dá vazão para reluzir o colorido da tinta neon e transparecer a sensualidade e a alma do personagem. 
CineBliss ***




Ficha técnica: 

Tinta Bruta (Tinta Bruta) 
Brasil, 2018
Direção: Filipe Matzembacher, Márcio Reolon 
Roteiro: Filipe Matzembacher, Márcio Reolon 
Produção: Filipe Matzembacher, Márcio Reolon 
Fotografia: Glauco Firpo
Montagem: Germano de Oliveira
Elenco: Shico Menegat, Bruno Fernandes, Sandra Dani 

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