terça-feira, 26 de dezembro de 2017

CineBliss seleciona 10 títulos que destacaram a jornada da heroína em 2017


O ano de 2017 foi notório para o protagonismo feminino no cinema através de narrativas centradas em mulheres transgressoras e, que quebraram estereótipos na forma de serem representadas cinematográficas. As jornadas das heroínas que passaram pelas telas esse ano, não retrataram mocinhas frágeis, à espera para serem salvas por homens viris, pelo contrário, elas acionaram o sabre de luz e despertaram para serem protagonistas de suas próprias jornadas. 

Assim como personagens femininos estiveram em destaque no universo cinematográfico, diretoras também deram um avanço em busca de conquistarem um maior espaço nesse meio tão dominado pelos homens, teve-se a cineasta Sofia Coppola logrando à Palma de Ouro de Melhor Direção por "O estranho que nós amamos" e Patty Jenkins como a primeira mulher na direção de um filme de super-herói com "Mulher Maravilha". 

Vale destacar as denúncias fora do mundo da ilusão, que borbulharam Hollywood envolvendo homens de alto escalão da indústria do cinema. A hashtag #MeToo, nascida em outubro desse ano, expôs a dimensão do assédio sexual, envolvendo atrizes que relataram algum tipo de agressão sexual sofrida. O movimento ganhou força ao redor do mundo, permitindo que homens e mulheres vítimas de agressão sexual se pronunciassem em demonstração de solidariedade. 

Esse despertar para promover uma mudança no meio cinematográfico, possibilita um confronto com o sistema patriarcal e os privilégios destinados ao homens, assim como, uma luta por um olhar que vise a igualdade. 

Dessa forma, o blog CineBliss selecionou 10 títulos de 2017, que destacaram a jornada da mulher por meio de narrativas que contemplaram o universo feminino perante uma sociedade em que são constantemente comparadas e definidas por valores e padrões masculinos. Além de destacarem o protagonismo feminino, alguns filmes propuseram reflexões para uma sociedade mais igualitária por meio da complementariedade entre feminino e masculino e, não da dominação. Segue abaixo a lista:  

Como nossos pais (Como nossos pais)
Brasil, 2017
Direção: Laís Bodanzky
Roteiro: Laís Bodanzky, Luiz Bolognesi
Elenco: Maria Ribeiro, Paulo Vilhena, Sophia Valverd, Clarisse Abujamra, Felipe Rocha, Jorge Mautner
Leia mais em: Como nossos pais



Mulheres Divinas (Die Göttliche Ordnung)
Suíça, 2017
Direção: Petra Biondina Volpe 
Roteiro: Petra Biondina Volpe 
Elenco: Marie Leuenberger, Marta Zoffoli, Rachel Braunschweig, Sibylle Brunner
Leia mais em: Mulheres Divinas



Mulher-Maravilha (Wonder Woman)
Estados Unidos, 2017
Direção: Patty Jenkins
Roteiro: Zack Snyder, Allan Heinberg, Jason Fuchs
Elenco: Gal Gabot, Chris Pine, Robin Wright, Connie Nielsen, David Trewlis, Danny Huston, Elena Anaya, Lucy Davis 
Leia mais em: Mulher Maravilha


Thelma (Thelma)
Noruega, 2017
Direção: Joachim Trier 
Roteiro: Eskil Vogt, Joachim Trier
Elenco: Eili Harbor, Okay Kaya


Lady Macbeth (Lady Macbeth)
Reino Unido, 2016
Direção: William Oldroyd
Roteiro: Alice Birch, Nikolai Leskov
Elenco: Florence Pugh, Paul Hilton, Christopher Fairbank



O estranho que nós amamos (The Beguiled)
Estados Unidos, 2017
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola, Thomas Cullinan
Elenco: Nicole Kidman,  Kirsten Dunst, Colin Farrell, Elle Fanning
Leia mais em: O estranho que nós amamos 



Fatima (Fatima)
França, 2015
Direção: Philippe Faucon
Roteiro: Philippe Faucon
Elenco: Soria Zeroual, Zita Hanrot, Kenza-Noah



Mulheres do século XX (20th Century Women)
Estados Unidos, 2016
Direção: Mike Mills
Roteiro: Mike Mills
Elenco: Annette Bening, Elle Fanning, Greta Gerwing, Billy Crudup, Lucas Jade Zumann
Leia mais em: Mulheres do século XX



Estrelas além do tempo (Hidden Figures)
Estados Unidos, 2016
Direção: Theodore Melfi
Roteiro: Allison Schroeder, Margot Lee Shetterly, Theodore Melfi
Elenco: Octavia Spencer, Taraji P. Henson, Janelle Monáe, Kevin Costern, Kirsten Dunst, Jim Parsons, Mahershala Ali.
Leia mais em: Estrelas além do tempo 

 

Atômica (Atomic Blonde)
Alemanha, 2017
Direção: David Leitch 
Roteiro: Antony Johnston, Kurt Johnstad, Sam Hart
Elenco: Charlize Theron, James McAvoy 


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

"Mulheres Divinas" esbanja simpatia ao retratar a busca das mulheres por igualdade de direitos


O ano é 1971, em uma vila suíça, que o filme "Mulheres Divinas", da diretora Petra Biondina Volpe  seleciona para retratar as condições de opressão das mulheres brancas, cujos efeitos dos movimentos feministas ao redor do mundo, não passam apenas de notícias de jornais. Selecionado pela Suíça para disputar uma vaga na corrida ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, a narrativa esbanja simpatia ao dosar de um modo equilibrado a seriedade da busca das mulheres por mudanças numa sociedade dominada pelos homens, com uma pitada de humor inteligente para denunciar o modelo de domínio e submissão.

Neste vilarejo, mora a dona de casa Nora (Marie Leuenberger) ao lado de seu marido Hans Grube (Maximilion Simoniscchek) e seus dois filhos. Como padrão da sociedade patriarcal, ela exerce suas funções apenas no espaço privado - cuida da casa, dos filhos, do marido, do sogro - e, só pode vir a trabalhar com a permissão do marido. Devido alguns acontecimentos em sua rotina relacionados à ausência de protagonismo feminino e voz ativa em sua família, Nora despertar para lutar pela liberação das mulheres e, consequentemente, pelo direito ao voto feminino, já que na Suíça o sufrágio universal ainda não era uma lei. Na jornada em busca de promover transformações à favor das personagens femininas, Nora enfrenta preconceitos não só dos homens que debocham de sua atitude, mas até mesmo, das mulheres da vila.

O roteiro construído de forma didático e primoroso, expõe as dificuldades enfrentadas por essas personagens que decidiram reivindicar por igualdade de direitos e, subverter a imagem da mulher ideal, ou seja, "bela, recatada e do lar", sem voz ativa ou sem desejo sexual. Em várias sequencias, são escancarados os clichês utilizados pela sociedade machista com intuito de oprimir as mulheres como o pai falando com o filho "na minha época as mulheres não se comportavam assim", de Hans com Nora "sorte que não tivemos filhas" ou "você não precisa trabalhar fora, o que eu ganho é suficiente para vivermos".

A questão da repressão da sexualidade feminina também é exposta no filme, tanto na busca das mulheres em adquirirem conhecimento sobre o próprio corpo e, assim, desejarem sentir orgasmo, quanto em mostrar que a transgressão da mulher não é bem-vinda na sociedade machista e por isso, merece ser repreendida, como no caso da sobrinha de Nora.

"Mulheres Divinas" contempla uma reflexão calorosa e intensa sobre como as mulheres foram tratadas como cidadãs de segunda classe por muito tempo, restringida, com raríssimas exceções, ao espaço privado. Todavia, o tom cômico utilizado no filme, permite que o discurso político seja transmitido de modo em angariar simpatizantes - tanto homens quanto mulheres - para uma sociedade igualitária e, não em dividi-los em hierarquias de dominante versus dominado.  
CineBliss




Ficha técnica: 

Mulheres Divinas (Die Göttliche Ordnung)
Suíça, 2017
Direção: Petra Biondina Volpe 
Roteiro: Petra Biondina Volpe 
Produção: Lukas Hobi, Reto Schaerli 
Elenco: Marie Leuenberger, Marta Zoffoli, Rachel Braunschweig, Sibylle Brunner

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

"Em busca de Fellini" contempla uma carta de amor à Itália



O diretor italiano Federico Fellini (1920-1993), é o grande homenageado do filme "Em busca de Fellini" (2016), do diretor Taron Lexton. Nessa aventura de autoconhecimento e descobertas, retratada em 1993, tem-se a jovem americana Lucy (Ksenia Solo) morando com a mãe super protetora Claire (Maria Bello), em Cleveland, Estados Unidos, quando entra em contato pela primeira vez com as obras cinematográficas do cineasta italiano. Com seus 20 anos, sem nunca ter trabalhado ou feito uma faculdade, Lucy decidi embarcar para Itália, para conhecer o responsável pelas obras tão mágicas e humanas vistas na tela de cinema.

Com uma fotografia de luz intensa e tonalidades quentes - propositalmente para realçar as belezas turísticas italianas -, Lucy depara-se no país com diversos personagens bizarros, que fizeram parte do repertório de Fellini. As referências passam por Cabíria de "Noites de Cabíria" (1957), Guido de "A doce vida" (1960) e, Gelsomina de "A estrada da vida" (1954). A última, ganha destaque por caracterizar a própria Lucy, que assim como Gelsomina, tem uma índole ingênua e caminha pela estrada da vida com olhares cabisbaixos. 

O conceito do filme é criativo e envolvente, no entanto, a forma como é conduzida a narrativa deixa um pouco a desejar, visto que, o romantismo hollywoodiano acaba sobressaindo a reflexão sobre a decadência burguesa ou a crônica contra a miserabilidade, tão recorrentes nos filmes de Fellini. O universo felliniesco com imagens alucinógenas invadindo uma situação comum e colocando Lucy em situações bizarras, se faz presente no filme, mas sem a carga emocional de desilusão ou de esperança.  

Assistir "Em busca de Fellini" é adentrar num mundo de fantasia que na verdade, não te conduz para uma reflexão séria sobre o cotidiano de indivíduos frágeis perante uma sociedade cruel, como muitas vezes visto nos filmes de Fellini, e, sim, num passeio turístico por algumas cidades italianas  que foram retratadas nas histórias do mestre italiano. Para os apaixonados pelas obras de Federico Fellini, fica uma sensação amarga de ausência de algo, talvez uma pitadinha de desfiles circenses informais, pudessem ter expressado um pouquinho desse algo a mais. 
CineBlis



Ficha técnica: 

Em busca de Fellini (In search of Fellini)
Estados Unidos, 2017
Direção: Taron Lexton 
Roteiro: Nancy Cartwright, Peter Kjenaas
Produção:  Michael Doven, Milena Ferreira, Monica Gil, Nathan Lorch, Peter Kjenaas, Taron Lexton
Fotografia: Kevin Garrison
Elenco: Ksenia Solo, Mary Lynn Rajskub, Maria Bello

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

CineBliss divulga a lista com os 15 melhores filmes de 2017


Com 2017 prestes a dar adeus, não tem como se despedir sem antes fazer aquela retrospectiva do que rolou de melhor no mundo da sétima arte. Teve lançamentos de blockbusters tão aguardados pelos fãs de quadrinhos como a jornada da heroína da DC "Mulher Maravilha", batendo recordes de bilheteria. O musical romântico "La la land - Cantando estações", que dividiu opiniões e abalou as estruturas da entrega do Oscar de Melhor Filme, quando anunciado equivocadamente como ganhador. E o deleite visual e sonoro da Segunda Guerra Mundial nas mãos do diretor Christopher Nolan com "Dunkirk". O ano cinematográfico contemplou histórias para todos os gostos e, com certeza emocionou até mesmo os corações mais durões.

Como de costume, o blog CineBliss organizou uma listinha com os quinze melhores títulos de 2017, durante o período de 01 de dezembro de 2016 a 30 de novembro de 2017. Lembrando que a seleção foi feita de modo subjetivo e baseada nos 110 filmes vistos. Segue abaixo a seleção:


Dunkirk (Dunkirk) 
Estados Unidos, 2017
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan
Elenco: Mark Rylance, Tom Hardy, Kenneth Branagh, Cillian Murphy



Moonlight - Sob a luz do luar (Moonlight)
Estados Unidos, 2016
Direção: Barry Jenkins,
Roteiro: Barry Jenkins, Tarell McCraney
Elenco: Mahershala Ali, Janelle Monáe, Alex R. Hibbert, Andre Holland, Ashton Sanders, Trevante Rhodes, Tharrel Jerome



Mulher-Maravilha (Wonder Woman)
Estados Unidos, 2017
Direção: Patty Jenkins
Roteiro: Allan Heinberg, Flor Ferraco
Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright, Connie Nielsen
Leia mais em: Mulher-Maravilha



O apartamento (Forushande)
Irã, 2016
Direção: Asghar Farhadi
Roteiro: Asghar Farhadi
Elenco: Shahab Hosseini, Taraneh Alidoosti



La la land - Cantando estações (La la land)
Estados Unidos, 2016
Direção: Damien Chazelle
Roteiro: Damien Chazelle
Elenco: Ryan Gosling, Emma Stone, J.K. Simmons,
Leia mais em: La la land - Cantando Estações



Corra! (Get out)
Estados Unidos, 2017
Direção: Jordan Peele
Roteiro: Jordan Peele
Elenco: Daniel Kaluuya, Allison Williams, Catherine Keener, Bradley Whitford, LiRel Howery
Leia mais em: Corra!  



Como nossos pais (Como nossos pais)
Brasil, 2017
Direção: Laís Bodanzky
Roteiro: Laís Bodanzky, Luiz Bolognesi
Elenco: Maria Ribeiro, Paulo Vilhena, Clarisse Abujamra, Felipe Rocha, Jorge Mautner
Leia mais em: Como nossos pais



Logan (Logan)
Estados Unidos, 2017
Direção: James Mangold
Roteiro: David James Kelly
Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Boyd Holbrook, Dafne Keen, Stephen Merchant



Toni Erdmann (Toni Erdmann)
Alemanha, 2016
Direção: Maren Ade
Roteiro: Maren Ade
Elenco: Peter Simonischek, Sandra Huller
Leia mais em: Toni Erdmann



O estranho que nós amamos (The Beguiled)
Estados Unidos, 2017
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola, Thomas Cullinan
Elenco: Nicole Kidman, Kirsten Dunst, Colin Farrell, Elle Fanning, Oona Laurence, Angourie Rice
Leia mais em: O estranho que nós amamos 



Detroit em rebelião (Detroit)
Estados Unidos, 2017
Direção: Kathryn Bigelow
Roteiro: Mark Boal
Elenco: John Boyega, Anthony Mackie, Will Poulter



Okja (Okja)
Estados Unidos/ Coreia do Sul, 2017
Direção: Bong Joon ho
Roteiro: Bong Joon ho, Jon Ronson
Elenco: Tilda Swinton, Jake Gyllenhaal, Ahn Seo-Hyun, Paul Dano
Leia mais em: Okja



Lady Macbeth (Lady Macbeth)
Reino Unido, 2016
Direção: William Oldroyd
Roteiro: Alice Birch, Nikolai Leskov
Elenco: Florence Pugh, Paul Hilton, Christopher Fairbank

 


Terra Selvagem (Wind River)
Canadá, 2017
Direção: Taylor Sheridan
Roteiro: Taylor Sheridan
Elenco: Jeremy Renner,, Elizabeth Olsen
Leia mais em: Terra Selvagem



Thelma (Thelma)
Noruega, 2017
Direção: Joachim Trier 
Roteiro: Eskil Vogt, Joachim Trier
Elenco: Eili Harbor, Okay Kaya



quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O diretor estreante Taylor Sheridan esbanja seriedade e provocação com o filme "Terra Selvagem"


Taylor Sheridan, roteirista de "A qualquer custo"(2016) e "Sicario: Terra de ninguém"(2015) teve sua estreia na direção no filme "Terra Selvagem"(2017), em que o próprio título já indica o cenário como personagem, assim como o adjetivo selvagem, para caracterizar o lugar. O longa-metragem situado em Wyoming, nos Estados Unidos, tem na morte de uma pessoa na região da reserva indígena Wind River, uma história em busca da verdade, onde cada um é por si mesmo. 

O corpo encontrado pelo guarda florestal Coby Lambert (Jeremy Renner), logo, desperta outros problemas da região devastada por drogas e violência. O FBI envia a agente novata Jane Banner (Elizabeth Olsen) para ajudar na investigação do caso, no entanto, por não conhecer a área e não estar acostumada com o rigoroso inverno, escala Coby para auxiliá-la. Juntos, os dois caminham perigosamente num labirinto de mistérios sobre o caso e também sobre suas próprias vidas.

O diretor que logrou o prêmio de Melhor Direção na mostra Um Certo Olhar no Festival de Cannes 2017, contempla o espectador com uma narrativa provocadora sobre a situação de mulheres indígenas, num local predominado pelo homem branco. As sequencias conduzidas num ritmo paciente e frio, têm nas imagens em plano aberto da vastidão da natureza - no caso as montanhas cobertas de neve - um confronto com a fragilidade e pequenez do indivíduo.

Até mesmo o personagem Coby Lambert exterioriza o lado humano gélido, contrapondo com a energética Jane Banner. Jeremy Renner, entrega uma de suas melhores performances expondo de modo preciso as diversas camadas de seu protagonista, que balança entre uma figura reservada e quieta versus desejosa em encontrar sua própria verdade fruto de um passado infeliz.

O roteiro assinado por Taylor Sheridan expõe um tema complicado e indigesto, de um modo cru e brutal arrancando reflexões profundas sobre o sistema de domínio e submissão, onde a lei do mais forte opera sobre o mais fraco. Como na maioria dos casos na sociedade patriarcal, sobra para mulher ser relegada à opressão. 
*Visto no Festival do Rio 2017
CineBliss



Ficha técnica: 

Terra Selvagem (Wind River) 
Estados Unidos, 2017
Direção: Taylor Sheridan
Roteiro: Taylor Sheridan
Produção: Elizabeth A. Bell, Peter Berg
Fotografia: Ben Richardson
Elenco: Jeremy Renner,, Elizabeth Olsen, Graham Greene, Gil Birmingham 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Com roteiro bem humorado "Doentes de amor" contagia pela simplicidade e leveza


O estopim para qualquer roteiro de comédia romântica flerta na concepção básica de "menino encontra menina" ou vice versa, logo, o casal se apaixona, se desentende, enfrenta conflitos para no final, na maioria das vezes, ficarem juntos. No caso de "Doentes de amor" (2017), do diretor Michael Showalter, essa premissa até se faz presente, porém os ingredientes para conduzir a narrativa são direcionados para outro patamar, iluminando para uma outra relação, a do rapaz com os pais da mocinha.

Baseado na vida real dos roteiristas Kumail Nanjiani e Emily V. Gordon, o primeiro interpretado por ele mesmo e condutor da narrativa, tem em sua origem paquistanesa um dos elementos primordiais para sua jornada.  Com uma família extremamente devota das tradições, Kumail divide seu tempo como motorista de Uber, comediante e, pretendente para diversas mulheres arranjadas por sua mãe, que tem o sonho de casá-lo com alguém de mesma nacionalidade. Ao se apaixonar por Emily (Zoe Kazan), uma moça branca americana, estudante de psicologia, o comediante se vê num dilema emocional diante da tradição familiar versus seus próprios sentimentos.

Para incrementar ainda mais o conflito, Emily é internada às pressas em um hospital por causa de uma infecção, e, acaba sendo induzida ao coma. À partir daí, a narrativa desloca-se do romance do casal, para focar na relação de Kumail e os pais da jovem, Beth e Terry - respectivamente desempenhados por Holly Hunter e Ray Romano -, enquanto aguardam no hospital a melhora da filha. Os três embarcam numa aproximação um tanto quanto obrigatória, que num primeiro momento, é cercada por barreiras e preconceitos para depois ganhar novos ares. É justamente nesse ciclo que Kumail desperta para questionar sua própria vida até então governada por seus pais, tendo como mentores Beth e Terry cuja relação também passa por um momento de crise.

O roteiro bem humorado e inteligente transcorre de forma assertiva do começo até o meio da narrativa, como na cena em que Kumail e Emily estão se despedindo depois de fazerem sexo e, ela pede um Uber, a resposta vem do motorista mais próximo, no caso, o comediante. Porém, quase no final torna-se um pouco arrastada com situações um tanto quanto banais, cuja função é forçar emoções no espectador. Esse fator, não desmerece a graça e simplicidade do filme.

"Doentes de amor" produzido por Judd Apatow mesmo de "Missão madrinha de casamento" e "Descompensada", segue a linha de seus antecessores com o mesmo ritmo ágil para as piadas. Kumail Nanjiani - que interpreta Dinesh no seriado da HBO Silicon Valley -, ao emprestar sua vida para o personagem do filme, permiti revelar seu lado simpático e cativante por meio de diálogos inteligentes, sarcásticos e provocadores. Além de uma comédia romântica misturada com drama, "Doentes de amor", aposta na reflexão sobre as diferenças culturais sem deixar de ser leve e divertida.
*Visto no Festival do Rio 2017
CineBlissEK





Ficha técnica:

Doentes de amor (The Big Sick)
Estados Unidos, 2017
Direção: Michael Showalter
Roteiro:  Emily V. Gordon, Kumail Nanjiani
Produção:  Barry Mendel, Judd Apatow
Fotografia: Brian Burgoyne
Elenco:  Kumail Nanjiani, Zoe Kazan, Holly Hunter, Ray Romano

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

"Como nossos pais" chega num momento oportuno para discutir a mulher contemporânea


Em 2015, o cinema brasileiro apresentou ao espectador a emprega doméstica Val (Regina Casé), em "Que horas ela volta?", da diretora Anna Muylaerte. No ano seguinte, foi a vez de Clara (Sonia Braga), em ""Aquarius", de Kleber Mendonça Filho, e, esse ano, o destaque é para a personagem Rosa (Maria Ribeiro), do filme "Como nossos pais" (2016), de Laís Bodanzky (O bicho de sete cabeças; Chega de saudade). A jornada dessas três personagens brasileiras demonstra uma transformação de narrativas cinematográficas nacionais, por meio de um aumento de protagonistas femininas e um novo jeito de contar histórias. Val, Clara e Rosa, retratam os diferentes tipos de mulheres que anseiam serem heroínas de suas próprias jornadas. Seja em construir uma relação afetiva com a filha, em resistir ou em suspirar pela verdade. 

No caso de Rosa, uma mulher com seus trinta e poucos anos, a fase de buscas e conflitos sucede nos minutos iniciais do filme com a revelação bombástica de sua mãe Clarissa (Clarisse Abujamra), sobre a verdadeira identidade de seu pai. A cena da confissão que ocorre após um desastroso almoço familiar, indica o clima tenso na relação entre mãe e filha. Casada com Dado (Paulo Vilhena) e mãe de duas adolescentes, Rosa desenvolve conteúdos para uma empresa de cerâmica de banheiros, contudo, guarda em seu coração o sonho frustrado de ser uma dramaturga.

Sua rotina imersa em acúmulo de papéis - mãe, filha, esposa, trabalhadora e dona de casa-, sucumbe com a revelação de Clarissa. À partir disso, sua trajetória transforma-se em questionar seus laços afetivos e, aceitar que não consegue dar conta de tudo sozinha. Sua jornada por uma nova identidade e pela verdade, tornam-se seu propósito. 

É notório a exploração do roteiro - assinado por Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi - sob o ponto de vista da mulher, perante uma sociedade regida pelos ditames patriarcais com diálogos provocadores sobre os conflitos da mulher contemporânea. Destaca-se também as diversas referências de mulheres no filme, que buscaram transgredir o patriarcalismo tanto no mundo real, ficcional ou bíblico. No primeiro caso, a menção é para Simone de Beauvoir, com a clássica obra "O segundo sexo", de 1949, que abriu espaço para discussões e reivindicações feministas. Na literatura, a ligação é com a peça teatral "Casa de Bonecas", do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, de 1879, em que a protagonista Nora, abandona a família patriarcal. Por último, a citação da escritura referente à Eva - origem de todo pecado na Terra segundo a Bíblia - feita de um modo um tanto quanto sarcástico.

Com uma interpretação arrebatadora de Maria Ribeiro - logrou o Kikito de Melhor Atriz em Gramado -, expondo de forma intensa as diversas camadas de sua personagem, as questões sobre os papéis desempenhados pela mulher contemporânea afloram para fora da sessão de cinema e alavanca reflexões e discussões profundas. O mérito de atuações primorosas também contempla Clarisse Abujamra que faturou o Kikito, como Melhor Atriz Coadjuvante e, esbanja a complexidade de ser uma mãe intelectual de classe média, que procura resistir aos ditames da sociedade capitalista.

Vale destacar os personagens masculinos, cuja representação no longa-metragem expressam uma tentativa de nova imagem do homem. Tanto o pai de Rosa, Homero (Jorge Mautner), com seu jeito sonhador e dependente financeiramente das mulheres, como Pedro (Felipe Rocha) ou, Dado, no papel do marido exercitando na cooperação com a divisão de tarefas dentro de casa.

"Como nossos pais", chega num momento oportuno para incrementar debates sobre os papéis desempenhados tanto pelas mulheres quanto pelos homens na construção de uma sociedade mais igualitária. Além de contemplar uma delicada e expressiva relação de mãe e filha. Sem sombra de dúvidas, o cinema nacional vive um período pujante, com narrativas cinematográficas de alto nível e para todos os gostos. Não deixem de apreciar o Cinema Brasileiro!
CineBliss




Ficha técnica: 

Como nossos pais (Como nossos pais)
Brasil, 2016
Direção: Laís Bodanzky
Roteiro: Laís Bodanzky, Luiz Bolognesi
Produção: Caio Gullane, Rodrigo Castellar
Fotografia: Pedro J. Márquez
Elenco: Maria Ribeiro, Clarisse Abujamra, Paulo Vilhena, Felipe Rocha, Jorge Mautner

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Balanço do CineBliss no Festival do Rio 2017


CineBliss esteve presente mais um ano no Festival do Rio, com um total de 23 filmes vistos durante os 10 dias de maratona. Segue abaixo a lista com os títulos e, em destaque estão os 10 melhores. 
Em breve comentários dos filmes aqui no blog.


1. "Em pedaços" - Fatih Akin (Alemanha)
2. "120 batimentos por minuto" - Robin Campillo (França)
3. "Terra Selvagem" - Taylor Sheridan (Estados Unidos)
4. "Detroit em rebelião" - Kathryn Bigelow (Estados Unidos)
5. "A Ciambra" - Jonas Carpignano (Itália/ Estados Unidos/ França/ Alemanha)
6. "La vita in comune" - Edoardo Winspeare (Itália)
7. "Aos teus olhos" - Carolina Jabor (Brasil)
8. "O estado das coisas" - Mike White (Estados Unidos)
9. "Ó céu de Tóquio à noite é sempre mais denso tom de azul" - Yuya Ishii (Japão)
10. "Alanis" - Anahí Berneri (Argentina)
11.  "Rastros" - Agnieska Holland (Polônia/Alemanha/República Tcheca/ Suécia/ Eslováquia) 
12. "Marjorie Prime" - Michael Almereyda (Estados Unidos)
13. "A câmera de Claire" - Hong Sang-soo (França/ Coreia do Sul)
14. "O nome da morte" - Henrique Goldman (Brasil)
15. "A Aliança" - Rahmatou Keita (Niger)
16. "Doentes de amor" - Michael Showalter (Estados Unidos)
17. "Tschick" - Fatih Akin (Alemanha)
18. "Uma criatura gentil" - Sergei Loznitsa (França)
19. "Atrás há relâmpagos" - Julio Hernández Cordón (Costa Rica/ México)
20. "Based on a true story" - Roman Polanski (França/ Bélgica)
21. "Zama" - Lucrecia Martel (Brasil/ Argentina/ Espanha/ Portugal/ México)
22. "Tulipani: Amor, honra e uma bicicleta" - Mike van Diem (Holanda/ Itália/ Canadá) 
23. "Depois daquela montanha" - Hany Abu-Assad (Estados Unidos) 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Começa hoje o Festival do Rio 2017


O Festival do Rio chega hoje à sua 19ª edição, com mais de 250 títulos de várias partes do mundo, distribuídos em diversas salas de cinema na cidade. A noite de gala da abertura ocorrerá está noite, no CCLSR - Cine Odeon NET Claro, com o filme "A forma da água", do cineasta e escritor mexicano Guillermo del Toro, vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza 2017. 

O blog CineBliss estará cobrindo esses 11 dias de maratona cinematográfica através do Instagram @macknight_travel_movie e também do Twitter @cineblissek. Não deixem de conferir as novidades do Festival do Rio e de comparecer às sessões. Para detalhes da programação e maiores informações acesse: Festival do Rio .

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A refilmagem de "O estranho que nós amamos" salienta o lado das mulheres


Era uma vez uma menina nascida em berço cinematográfico, que aceitara o chamado de fazer parte de um time seleto de mulheres diretoras de Hollywood. Filha de Francis Ford Coppola e Eleanor Coppola, Sofia Coppola, ao adentrar nesse universo um tanto quanto machista, logrou em 2003 o Oscar de Melhor Roteiro Original por "Encontros e desencontros". Desde então, a carreira da cineasta deslanchou de vento em pompa, atingindo a consagração esse ano, com a conquista da Palma de Ouro de Melhor Direção, no Festival de Cannes, com a refilmagem de "O estranho que nós amamos" (2017).  

O longa-metragem teve sua primeira versão dirigido por Don Siegel, em 1971, com Clint Eastwood como o protagonista masculino, cabo John McBurney. No remake, a interpretação do mesmo coube à Colin Farrell, que invoca a característica do homem viril exigido pelo personagem. Sob os cuidados de Sofia, a narrativa centrada no sul dos Estados Unidos, em plena Guerra Civil do século XIX, permeia sob a órbita do temido e desconhecido universo feminino. Se em 1971 o foco da trama era o soldado, em 2017, a atenção direciona-se para o lado das mulheres.

Logo na primeira cena, o espectador é conduzido para dentro de um bosque envolto de névoa através do caminhar da jovem Amy (Oona Laurence), com sua cesta à procura de cogumelos. Inevitavelmente lembra um refinado conto de fadas, no exato momento em que a mocinha 'ingênua', adentra para o obscurantismo do mundo desconhecido. No caso do filme, a floresta revela o soldado ianque John McBurney deitado em uma árvore, com ferimento na perna. Como uma boa cristã, Amy ajuda John a se locomover para chegar até o internato da senhora Martha Farnsworth (Nicole Kidman).

No casarão de luxo e conservado do internato, encontram-se outras estudantes Jane (Angourie Rice), Alicia (Elle Faming), Marie (Addison Riecke), Emily (Emma Howard) e, a vulnerável professora Edwina (Kirsten Dunst). Em terra confederada, John McBurney num primeiro momento, obtém um arredio abrigo para recuperar a perna ferida. No entanto, sua chegada transforma a rotina de todas as mulheres, afetando suas maneiras de se vestirem e se comportarem, despertando desejos até então enclausurados.

O roteiro assinado por Sofia Coppola e Thomas Cullinan, constrói-se num ritmo eloquente à tensão erótica que se desenvolve na maior parte do filme no espaço privado do casarão. O abrir e fechar de portas é algo notório e proposital. A área externa apresenta-se como uma bela passagem de tempo e, também como respiro para toda inquietude que aflora nas personagens.

Novamente Sofia introduz a questão da pessoa deslocada do ambiente em que se encontra. A cineasta já havia trabalhado esse tema em seus filmes anteriores e, no atual, esbarra nos papéis de Edwina e John McBurney. A fotografia refinada de Philippe Le Sourd esboça o ambiente interno, à noite, com luzes de vela e uma certa escuridão. Por outro lado, a parte externa carrega uma vivacidade das luzes do sol durante o dia e, um certo mistério ao cair da noite, com destaque para neblina.

Todo esse invólucro cinematográfico criado por Sofia Coppola a partir de um remake, demonstra o quão vasto é o universo feminino, com milhares de histórias ansiosas para serem retratadas no cinema. Todavia, a forma de contar essas narrativas almeja por novo jeito, ou melhor, uma transgressão com o sistema patriarcal de representação da mulher, como visto em "O estranho que nós amamos"
CineBlissEK



Ficha técnica: 

O estranho que nós amamos (The Beguiled)
Estados Unidos, 2017
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola, Thomas Cullinan
Produção:  Sofia Coppola, Youree Henley
Fotografia: Philippe Le Sourd
Elenco: Nicole Kidman,  Kirsten Dunst, Colin Farrell, Elle Fanning

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

"Corra!" provoca reflexões sobre diferenças raciais embasado no gênero terror


Visitar pela primeira vez os pais da namorada ou vice-versa, não é lá uma das coisas mais tranquilas para se fazer, para alguns até bate uma certa insegurança e receio. Adiciona-se nesse cenário o conflito das diferenças raciais nos Estados Unidos, numa era pós Obama e atual governo Trump. Basicamente, essa é a premissa de "Corra!" (2017), do diretor e roteirista Jordan Peele, que utiliza do gênero terror para discutir o caráter humano diante do âmago das questões raciais. 

A narrativa provocadora constrói-se no fotógrafo negro, Chris (Daniel Kaluuya), quando viaja junto da namorada Rose Armitage (Allison Williams), para conhecer os pais dela. A recepção na casa dos familiares acontece de modo um tanto quanto empolgante demais, sem vestígio para comportamento racista. O plano aberto na chegada do casal na casa, cumprimentado os pais, aparenta uma normalidade, a não ser pelos dois empregados negros, com algumas atitudes estranhas e uma certa alienação nos olhares. No desenrolar da noite, toda a tranquilidade de outrora, começa a ser rodeado de mistério e suspense. Chris sem querer, vê-se sentado numa poltrona conversando com a mãe de Rose, uma psicoterapêutica que através da hipnose "cura" certos vícios das pessoas.

O roteiro construído de forma criativo e apavorante, elucida diversas questões ainda latentes sobre o racismo nos Estados Unidos. Do início ao fim, o espectador fica preso na poltrona para acompanhar o desenrolar da narrativa, como que hipnotizado. A transformação dos personagens também é algo relevante, o modo como pessoas aparentemente normais revelam o caráter humano, alicerçados em convicções de superioridade e dominação.

Todo ar de mistério e pânico é alavancado com a assustadora trilha sonora que evoca nos momentos mais tensos da narrativa, causando uma tensão psicológica. As imagens do mergulho no inconsciente de Chris, remetem à uma tela de televisão, algo marcante na vida do personagem e sufocante para o espectador. As ferramentas utilizadas por Jordan Peele para expressar os conflitos de raça é um tanto quanto perturbador, provocador e, ao mesmo tempo, necessário nos dias atuais.
CineBliss





Ficha técnica: 

Corra! (Get out)
Estados Unidos, 2017
Direção: Jordan Peele
Roteiro: Jordan Peele
Produção: Edward H. Hamm Jr., Jason Blum, Jordan Peele, Sean McKittrick
Fotografia: Toby Oliver
Elenco: Daniel Kaluuya, Allison Williams, Catherine Keener, Betty Gabriel, Lirel Howery

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Com recortes pulsantes de emoções "De canção em canção" expõe as feridas das relações


Triângulos amorosos no cinema é algo recorrente, vez ou outra surgem histórias com esses tipos de conflitos. Todavia, o que o consagrado cineasta americano Terrence Malick (A árvore da vida; Cinzas do paraíso) proporciona em seu novo filme "De canção em canção" (2017), é algo muito além disso, é a crua e dolorida situação de pessoas que machucam umas as outras, por simplesmente serem indivíduos com fraquezas, cercadas de vazio. 

Num ritmo meio atordoante e fragmentado, tem-se o casal BV (Ryan Gosling) e Faye (Rooney Mara) envoltos no cenário musical de Austin, no Texas. Ao lado deles, encontra-se o produtor Cook (Michael Fassbender), com seu jeito sedutor, energético e cínico, que atrai Faye para seus braços. O mesmo acontece com a garçonete Rhonda (Natalie Portman). Esse invólucro de relações e sentimentos pulsantes, transbordam de um modo febril em cada um dos envolvidos.
 
As narrações em off presente em todo desenrolar da trama, aparentam ser suspiros no ouvido do espectador. Essas falas repletas de emoções segmentadas, proporcionam uma maior identificação do público para com os protagonistas, tornando-os íntimos dos conflitos internos destes personagens. Vale descartar as participações de Iggy Pop- como ele mesmo-, Cate Blanchett, Patti Smith e Val Kilmer.

A câmera em várias cenas procura focar no toque, seja na interação entre corpos ou em coisas. Ao mesmo tempo, proporciona ângulos singulares e requintados nas cenas dos festivais de música, ou nas imagens da natureza. A fotografia com tonalidade clara e natural diversifica com a utilização de luzes de neon oferecendo um deleite visual. 

O filme não atinge todo o estágio de excelência como os anteriores de Terrence Malick citados acima, porém não deixa de ser um belo vislumbre cinematográfico das relações afetivas pautadas pelo âmago do vazio.
CineBlissEK




Ficha técnica: 

De canção em canção (Song to song)
2017, Estados Unidos
Direção: Terrence Malick 
Roteiro: Terrence Malick 
Produção: Ken Kao, Sarah Green
Fotografia: Emmanuel Lubezki
Elenco: Michal Fassbender, Ryan Gosling, Rooney Mara, Natalie Portman, Cate Blanchett, Val Kilmer

terça-feira, 15 de agosto de 2017

"Okja" sensibiliza através da sátira o consumo desenfreado de carnes


O Festival de Cannes esse ano, esteve imerso em discussões envolvendo o lançamento de filmes diretamente via streaming (Netflix) sem percorrer o caminho habitual de distribuição. Isso ocorreu, devido ao longa-metragem que concorreu à Palma de Ouro, "Okja" (2017), do diretor Bong Joon-ho (Expresso do amanhã; O hospedeiro). O longa-metragem original da Netflix, teve sua estreia no final do mês de junho, para todos os assinantes do canal, sem dar o ar da graça em qualquer sala de cinema. Esse novo formato de distribuição de filmes, vem gerando inúmeros debates no meio cinematográfico. 

"Okja", é o nome do porco criado em laboratório pela empresa Mirando, cujo nos primeiros meses de vida, é enviado para um produtor rural para desenvolver-se no meio natural. Assim como Okja, têm-se mais dezenas de porcos com destinos em diferentes partes do mundo. O motivo deve-se ao plano mirabolante da CEO, Lucy Mirando (Tilda Swinton), de sintetizar ciência com a natureza na criação de animais destinados ao abate. Para popularizar a ideia, Lucy elabora um concurso para eleger o maior porco no decorrer de dez anos. No fim desse período, o ganhador será apresentado por Johnny Wilcox (Jake Gyllenhaal), um famoso aventureiro da televisão.

Longe de todo burburinho, Okja vive nesses dez anos, tranquilamente na natureza ao lado de sua amiga humana, Mija (Ahn Seo-Hyun). Ao chegar o momento da partida do porco gigante para o concurso da companhia, a menina dominada pelo amor ao animal, luta contra todos para conseguir salvá-lo. Sem saber ao certo para onde ir, ou o que fazer, Mija, atravessa diversas provações para poupar o destino fatal de Okja. Ela encontra aliados ao lado do grupo de defesa dos animais, compostos por Jay (Paul Dano), Red (Lily Collins), K (Steven Yeun), Blond (Daniel Henshall) e Silver (Deron Bostisk)

Bong Joon-ho e Jon Ronson responsáveis pelo roteiro, constroem a narrativa sob dois viés, de um lado a amizade entre humanos e animais de um modo afetuoso, e do outro, burlesca ao retratar o universo corporativo e a sociedade em si. Também exploram didaticamente as diferenças do modo de vida da civilização versus a natureza. Como por exemplo, na forma de obter e preparar o alimento.

Vale destacar os personagens um tanto quanto bizarros de Lucy Mirando e Johnny Wilcox. A primeira, como a executiva psicopata evidenciando uma performance propositalmente artificial de Tilda Swinton, que está primorosa. Já o segundo, como representante do universo do entretenimento, apresenta o lado grotesco de todo o aparato publicitário do mercado capitalista.

Sem sombra de dúvida, o filme é um alarme sobre a produção desenfreada de carne animal para o consumo humano. Isso é algo gritante na cena dentro do frigorífico, com imagens de vários processos da produção. Essa sequencia, deixa de lado a ficção para dar espaço à denúncia documental. Ao lado disso, a versão animal do próprio homem com sua sede de lucratividade. "Okja", arranca do coração humano a sensibilidade para refletir a relação com os animais, de um modo satírico e comovente. 
CineBlissEK



Ficha técnica: 

Okja (Okja)
2017, Estados Unidos/ Coreia do Sul
Direção: Bong Joon-ho
Roteiro: Bong Joon-ho; Jon Ronson
Produção: Brad Pitt, Dooho Choi, Lewis Taewan Kim, Ted Sarandos
Elenco: Tilda Swinton, Jake Gyllenhaal, Ahn Seo-Hyun, Paul Dano, Lily Collins, Steven Yeun,
Daniel Henshall, Deron Bostisk

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Com uma imaginação sem limite "Poesia sem fim" desperta o lado criativo da alma


Entrar no escurinho do cinema para conferir o novo filme do diretor chileno Alejandro Jodorowsky, "Poesia sem fim" (2016), tem-se a necessidade de abrir o coração, desprender-se de qualquer tipo de amarra racional e, simplesmente, permitir-se ser guiado na jornada onírica do jovem futuro poeta Alejandro (Adan Jodorowsky). A narrativa é baseado na vida do próprio diretor que utiliza da fantasia, do exagero e teatral, para recriar suas memórias.

Ambientando em Santiago do Chile, no período de 1940, Alejandro contraria as expectativas dos pais em ser um médico para seguir o sonho de tornar-se um poeta. Com uma das cenas mais divertidas e simbólicas, Alejandro corta laços com os familiares, golpeando com um machado a árvore da casa da avó, dizendo "família de merda". Esse evento é apenas a "entrada", para as outras tantas situações escrachadas vivenciadas pelo jovem. Em cada uma destas cenas, observa-se o trabalho primoroso de toda equipe para apresentar um vislumbre visual e poético. 

Alejandro junta-se a outros artistas para cultivar seu dom. Saí em busca de sua musa inspiradora no Café Iris, local com uma decoração singular, cercado de pessoas em estado de sonolência. Ali, depara-se com a extravagante poeta Stella Diaz (Pamela Flores), uma mulher repleta de peculiaridades com quem desenvolve um caso amoroso. Tem a oportunidade de conhecer o famoso poeta Nicanor Parra e tornar-se amigo de Enrique Lihn.

Com um colorido de encher os olhos de vida, a fotografia transporta o espectador para um universo onde não há fronteiras, apenas a fluidez da imaginação. Concomitantemente, o cenário alegórico proporciona ainda mais energia para esse mergulho poético, ao lado de personagens um tanto quanto circenses. Todo esse invólucro relembra algumas obras do italiano Federico Fellini. 

Vale destacar a presença do diretor como ele mesmo em alguns momentos da narrativa, sendo a consciência do jovem Alejandro com conselhos sobre a jornada da vida. "Poesia sem fim", é o segundo filme do montante de cinco estipulados por Alejandro Jodorowsky para transportar ao cinema suas memórias. O primeiro deles foi "A dança da realidade", de 2013. Sem sombra de dúvida, fica a expectativa do que a imaginação desse poeta, sonhador e cineasta, pode presentear o público nos próximos três filmes. 
CineBlissEK





Ficha técnica: 

Poesia sem fim (Poesía sin fin)
Chile/França, 2016
Direção: Alejandro Jodorowsky 
Roteiro: Alejandro Jodorowsky 
Produção: Alejandro Jodorowsky 
Fotografia: Christopher Doyle
Elenco: Adan Jodorowsky, Brontis Jodorowsky, Carolyn Carlson, Pamela Flores, Leandro Taub,

quinta-feira, 13 de julho de 2017

"Mulheres do século XX" pulsa com as transformações de uma época sob a ótica do feminino


Cada geração é envolvida por características específicas que enaltecem a época e, na maior parte das vezes, contradiz a anterior. Em "Mulheres do século XX"(2016), novo longa-metragem do diretor e roteirista Mike Mills (Toda forma de amor), as discussões sobre as transformações culturais e de revolução de um período, são baseados nas próprias experiências do diretor. 

O momento é 1979, na ensolarada Califórnia - especificamente Santa Barbara, onde mora Dorothea Fields (Annette Bening), uma mulher de 50 anos, moderna, complexa e mãe solteira. Ao constatar que seus esforços em preparar seu filho adolescente Jamie (Lucas Jade Zumann) para a sociedade, não estão sendo suficientes, ela decide pedir ajuda para duas pessoas nada convencionais: a fotógrafa Abbie (Greta Gerwing), apaixonada pelo movimento punk, que aluga um quarto na casa de Dorothea e, a jovem Julie (Elle Fanning), com seus primeiros contatos sexuais e em busca de auto-conhecimento. Ambas muito próximas de Jamie aceitam o desafio, ao mesmo tempo que lidam com seus próprios conflitos.

Guiado por Abbie e Julie, o adolescente depara-se com experiências fora do padrão patriarcal, desloca-se do aprendizado do homem viril - que conserta coisas, para seguir um novo caminho, o de valores até então considerados banais, como a afetividade, o entendimento do corpo feminino e suas zonas de prazeres. Esse contato com o feminino, alimenta em Jamie novos nutrientes para dialogar de uma maneira igualitária com a mãe. A única proximidade com o masculino - já que a figura paterna é ausente, está em William (Billy Crudup), outro locatário da pensão de Dorothea.

Cada um dos personagens retratados no desenrolar da narrativa, carregam suas feridas. No entanto, são trabalhadas de modo efervescente e leve, sem deixar-se dramatizar pelas situações. Feliz para Mike Mills, que desenvolve as histórias dos personagens de um modo sublime e divertido. Não apenas isso, os fatos históricos introduzidos, são sucintamente pincelados num ritmo coerente a trama. Vale destacar, as referências culturais da época, apontados com veemência em praticamente todo o filme: a pop art, o punk, a dança, a fotografia, o skate, entre outros.

A fotografia do longa-metragem assinado por Sean Porter, faz jus a esse belo retrato da época, com um colorido de vivacidade e, em certos momentos, uma mistura de sobreposições que proporciona uma certa velocidade aos eventos. Não se pode deixar de ressaltar, a nostálgica trilha sonora, com sucessos marcantes desta geração que respingou transformações até hoje vistas na sociedade.
CineBlissEK




Ficha técnica: 

Mulheres do século XX (20th Century Women)
2016, Estados Unidos
Direção: Mike Mills
Roteiro: Mike Mills
Produção: Anne Carey, Megan Ellison, Youree Henley
Fotografia: Sean Porter
Elenco: Annette Bening, Elle Fanning, Greta Gerwing, Billy Crudup, Lucas Jade Zumann

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A importância da semente plantada por "Mulher-Maravilha" para futuras gerações


Com a estreia do filme solo da super-heroína da DC Comic, "Mulher-Maravilha" (2017), milhares de teorias e discursos feministas repercutiram nas redes sociais. Dirigido pela americana Patty Jenkins (Monster - Desejo assassino) - que assumiu o comando após o afastamento de Michelle MacLaren, o longa-metragem apresenta uma referência de mulher que sabe exatamente o que quer, uma mulher que se posiciona, uma representação do feminino que não utiliza da sensualidade para atingir seus objetivos, e sim, da inteligência e força física. A atriz israelense Gal Gabot, abraça com carinho a personagem Diana Prince/Mulher Maravilha, presenteando o público com uma heroína jus ao momento atual da sociedade ocidental nas reivindicações de direitos iguais e inúmeras provações no dia a dia. 

Originária da ilha paradisíaca de Themyscira, Diana, ao lado de outras amazonas é treinada por sua tia Antiope (Robin Wright), para ser a maior guerreira. À chegada inesperada do capitão Steve Trevor (Chris Pine) - acidentalmente caí na ilha depois de seu avião ser abatido -, desperta na jovem seu chamado à aventura. Contrariando sua mãe, a rainha Hippolyta (Connie Nielsen), ela decidi juntar-se a Steve, para tentar impedir que a guerra tome proporções ainda mais devastadoras. Para isso, Diana acredita que precisa encontrar o deus da guerra Ares, combate-lo, para impedir sua influência sobre os humanos. Todavia, as atrocidades estão à cargo do General Erich Ludendorff (Danny Huston) e, a química Doctor Maru/Poison (Elena Anaya). 

Durante as duas horas e pouco de duração, observa-se uma guerreira que busca enfrentar o que for necessário para atingir seu objetivo, mesmo contrariando recomendações de outras pessoas. Sua esperança em trazer a paz no mundo novamente, é a sua força motriz.  Ao mesmo tempo, vê-se uma heroína ativa e sem apelo sexual, junto de outros homens, companheiros da empreitada. O personagem do capitão Steve Trevor, é de um homem consistente, destemido e convincente, cuja significância para jornada da Mulher Maravilha é crucial no sentido de complementaridade e não de dominação.

O roteiro situado na Primeira Guerra Mundial - a história de quadrinhos de 1941 tem-se a Segunda Guerra Mundial -, proporciona uma narrativa introdutória sobre a origem da Mulher Maravilha de um modo didático, com uma fotografia clara e viva nas cenas em Themyscira, para logo depois, o público ser arremessado na escuridão do conflito armado na Europa. Em Londres, Diana necessita a todo momento provar sua força e posição perante os homens que a cercam. Claro, que não poderia faltar uma parcela de humor, perante tanto horror, esse feito além de ser realizado pelo casal, também é visto na secretária de Steve, Etta Candy (Lucy Davis), que proporciona divertidas provocações em relação à sociedade patriarcal, além de dar menções do movimento das sufragistas.

Com um figurino libertador, que valoriza um vestuário para facilitar nas lutas e não para apelo sensual, Mulher Maravilha enfrenta seus adversários com a consistência e habilidade de uma heroína. Os diversos planos de slow motion, são uma outra forma de realçar a força física de Diana, sem em nenhum momento masculinizá-la.

O ponto fraco do filme se concentra no embate final, com um vilão pouco desenvolvido durante a narrativa. Por outro lado, a mensagem de amor e união entre homens e mulheres, deixa notório que só através desses dois elementos, o mundo pode sonhar com a esperança de tempos de paz. Dessa forma, a importância de milhares de meninas/jovens/mulheres/senhoras, em se verem finalmente representadas no universo dos super-heróis, é uma conquista que trará sementes poderosas para as futuras gerações.
CineBlissEK



Ficha Técnica: 

Mulher-Maravilha (Wonder Woman)
Estados Unidos, 2017
Direção: Patty Jenkins
Roteiro: Zack Snyder, Allan Heinberg, Jason Fuchs
Produção: Charles Roven, Deborah Snyder, Zack Snyder
Fotografia: Matthew Jensen
Elenco: Gal Gabot, Chris Pine, Robin Wright, Connie Nielsen, David Trewlis, Danny Huston, Elena Anaya, Lucy Davis

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Pedido de desculpas do CineBlissEK pela ausência nos últimos três meses


Queridos(as) leitores e seguidores, o blog CineBlissEK vem por meio deste, pedir sinceras desculpas pela ausência nos últimos três meses. A autora que vos escreve, esteve envolta em alguns projetos durante esses meses que demandaram tempo e atenção. Dessa forma, a produção de conteúdo foi afetada, mas a jornada de filmes vistos continuou no mesmo ritmo. 

Também neste período, a autora teve a oportunidade de realizar uma viagem por um longo tempo, que se encerrou na capital do cinema, Los Angeles. Durante a estadia em Hollywood, a cinéfila que vos escreve, visitou dois estúdios: a Warner Bros e a Paramount Studios. Essas visitas, foram sublimes e impactantes para continuar na trajetória do universo cinematográfico. Uma experiência única para esta amante de cinema. 

Abaixo, publico algumas fotos desse momento mágico! E, destaco que em breve, o CineBlissEK volta com novos conteúdos e outras novidades! É só aguardar! 
Beijo grande a todos(as) cinéfilos de plantão!









quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

As apostas do CineBlissEK para 89ª cerimônia do Oscar


A cerimônia mais prestigiado do cinema mundial, Oscar 2017, ocorre no próximo domingo (26), em Los Angeles. Jimmy Kimmel, será pela primeira vez o apresentador do evento em um momento complexo da política americana, com o inicio do mandato de Donald Trump. O presidente,  recentemente tentou barrar a entrada de imigrantes de sete países - na maioria muçulmanos, e, insiste na construção do muro entre as fronteiras do Estados Unidos e México. A expectativa de discursos inflamados nunca esteve tão alta. 

No quesito arte cinematográfica, o filme "La la Land: Cantando estações" conta com maior número de indicações, somando 14 ao total. O longa-metragem, tem grandes chances de faturar como Melhor Filme, já que conquistou o Globo de Ouro de Melhor Filme Comédia ou Musical. Os possíveis concorrentes dentre os oito restantes na disputa, estão "Moonlight: Sob a luz do luar" que logrou o Globo de Ouro de Melhor Filme Drama, ou, "Estrelas além do tempo" que conquistou o SAG de Melhor Elenco 2017. Os outros filmes na competição são: "Manchester à beira-mar", "A qualquer custo", "A chegada", "Até o último homem", "Um limite entre nós" e "Lion: Uma jornada para casa". A torcida do CineBlissEK, vai para o polêmico e urgente drama, "Moonlight: Sob a luz do luar".

O jovem diretor de 32 anos, Damien Chazalle de "La la land: Cantando estações", tem grandes chances de faturar o prêmio de Melhor Diretor, pois logrou o Globo de Ouro na mesma categoria, mas está numa disputa acirrada com Barry Jenkins por "Moonlight: Sob a luz do luar". Os demais diretores são: Mel Gibson com "Até o último homem", Kenneth Lonergan de "Manchester à beira-mar" e Dennis Villeneuve por "A chegada". 

As interpretações estão em um nível bem equilibrado, uma vez que Casey Affeck de "Manchester à beira-mar" logrou o Globo de Outro de Melhor Ator Drama, Ryan Gosling por "La la land: Cantando estações" faturou o Globo de Ouro de Melhor Ator Comédia ou Musical e,  Denzel Washington com "Um limite entre nós" conquistou o SAG de Melhor Ator. A torcida do CineBlissEK, é para o ator dinamarquês-americano Viggo Mortensen, com "Capitão Fantástico". Para completar a lista dos indicados está, Andrew Garfield por "Até o último homem". 

Na categoria feminina, há grandes chances de Emma Stone de "La la land: Cantando estações" faturar como Melhor Atriz, pois já obteve o Globo de Ouro de Melhor Atriz Comédia ou Musical e, o SAG de Melhor Atriz. Sua concorrente de peso, é a francesa Isabelle Huppert por "Elle", que merecidamente levou o Globo de Ouro de Melhor Atriz Drama e, tem o maior apoio do blog CineBlissEK. As demais atrizes são: Natalie Portman com "Jackie", Meryl Streep por "Florence: Quem é essa mulher?" e Ruth Negga de "Loving". 

Para completar a lista de performances, o ator coadjuvante Mahearshala Ali de "Moolinght: Sob a luz do luar", provavelmente leve para casa o Oscar de Melhor Ator, já que conquistou o Globo de Ouro e SAG na mesma categoria. Dentre os indicados, os possíveis concorrentes que podem surpreender estão entre, Jeff Bridges com "A qualquer custo" e, Michael Shannon por "Animais Noturnos". Os dois restantes na disputa são: Lucas Hedges por "Manchester à beira-mar" e Dev Patel em "Lion: Uma jornada para casa".  Em atrizes coadjuvantes, tudo leva à crer que, Viola Davis por "Um limite entre nós", seja a escolhida da noite, afinal, já logrou no Globo de Ouro e SAG na mesma classe. As demais na disputa são: Michele Williams por "Manchester à beira-mar", Nicole Kidman de "Lion: Uma jornada para casa", Octavia Spencer com "Estrelas além do tempo" e, Naomi Harris "Moonlight: Sob a luz do luar".

Como Melhor Filme Estrangeiro, a disputa acirrada deve ficar entre "O apartamento" de Asghar Farhadi, representante do Irã - não terá participação do diretor ou elenco, como forma de protesto as leis anti imigratórias de Trump - e, o longa-metragem alemão "Toni Erdmann", da diretora Maren Ade e, favorito do CineBlissEK. As outras três indicações, vem da Holanda com "Tanna" de Bentley Dean e Martin Butler, da Suécia por "Um homem chamado Ove" do diretor Hannes Holm e, por último da Dinamarca, o filme "Terras de Minas", de Martin Zandvliet.

Para encerrar o breve levantamento do Oscar 2017, os indicados para Melhor Filme de Animação tem como candidatos, "Zootopia: Essa cidade é o bicho" de Byron Howard, Jared Bush e Rich Moore, ganhador do Globo de Ouro na mesma categoria, "Moana - Um mar de aventuras" de John Musker e Ron Clements, "A tartaruga vermelha" de Michael Dudok de Wit, "Kubo e as cordas mágicas" de Travis Knight e, "Minha vida de abobrinha" do diretor Claude Barras

Confira abaixo, os trailers dos longas-metragens indicados ao Oscar de Melhor Filme 2017: 

"La la Land: Cantando estações" (La la Land)
Direção: Damien Chazelle
Elenco: Ryan Gosling, Emma Stone, John Legend
Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Canção Original, Melhor Design de Produção, Melhor Trilha Sonora, Melhor Edição, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som. 
Leia mais sobre o filme em: La la Land: Cantando estações



"Manchester à beira-mar" (Manchester by the sea)
Direção: Kenneth Lonergan
Elenco: Casey Affeck, Michelle Williams, Kyle Chandler, Lucas Hedges
Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Original. 
Leia mais sobre o filme em: Manchester à beira-mar



"Moonlight: Sob a luz do luar" (Moonlight)
Direção: Barry Jenkins
Elenco: Mahearshala Ali, Naomi Harris, Alex R. Hibert, Jharrel Jerome, Andre Holland, Trevante Rhodes
Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, 
Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora, Melhor Edição.



"A qualquer custo" (Hell or high water)
Direção: David Mackenzie
Elenco: Ben Foster, Chris Pine, Jeff Bridges, Buck Taylor
Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Original, Melhor Edição. 


"A chegada" (Arrival)
Direção: Dennis Villeneuve
Elenco: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker
Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Design de Produção, Melhor Edição, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som. 
Leia mais sobre o filme em: A chegada


"Até o último homem" (Hacksaw Ridge)
Direção: Mel Gibson
Elenco: Andrew Garfield, Vincent Vaughn, Sam Worthington
Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Edição, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som


"Um limite entre nós" (Fences)
Direção: Denzel Washington
Elenco:  Denzel Washington, Viola Davis, 
Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado



"Estrelas além do tempo" (Hidden Figures)
Direção:  Theodore Melfi
Elenco: Octavia Spencer, Taraji P. Henson, Janelle Monáe, Kevin Costern, Mahearshala Ali, Jim Parsons, Kristen Dunst
Indicações: Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado.
Leia mais sobre o filme em: Estrelas além do tempo



"Lion: Uma jornada para casa" (Lion)
Direção: Garth Davis
Elenco: Dev Patel, Nicole Kidman, Rooney Mara
Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora.