quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

21ª Mostra de Cinema de Tiradentes: Roda de Conversa - A mulher negra na direção de Cinema no Brasil


A 21ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, contou na noite de terça-feira (23), com uma fervorosa Roda de Conversa sobre a mulher negra na direção de Cinema no Brasil. O debate mediado pelo crítico de cinema Juliano Gomes, teve a presença de Ana Julia Travia, diretora do curta "Outras"(2017), e, Bárbara Maria, diretora do curta "Pele de Monstro"(2017). 

As duas diretoras compartilharam suas experiências e dificuldades em conduzir uma narrativa cinematográfica no Brasil em que a mulher negra não tem espaço e quase nenhuma visibilidade. Os comentários de Ana Julia e Barbara , refletem nos dados divulgados pela Ancine, no Jornal Globo, do qual "homens brancos assinaram a direção de 75,4% dos 142 filmes nacionais lançados em 2016. As mulheres brancas dirigiram 19,7% e os homens negros, só 2,1%. Nenhum filme brasileiro em 2016 foi dirigido ou roteirizado por uma mulher negra".

A 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes vai até 27 de janeiro. Para maiores informações acesse: Mostra de Tiradentes
CineBliss 


21ª Mostra de Cinema de Tiradentes: Pré-estreia do filme "Imo"


Na noite de ontem (23), o público da 21ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, pôde conferir a pré-estreia mundial do longa "Imo"(2017), da diretora Bruna Schelb Corrêa, de Minas Gerais, que concorre ao prêmio da Mostra Aurora. 

"Imo", que significa o âmago, o mais íntimo, retrata três histórias conduzidas metaforicamente sobre o cotidiano de três mulheres. Sem praticamente nenhum diálogo, o lado sensorial se sobressai na narrativa para discutir questões de gênero, tão atuais na sociedade.

A 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes vai até o dia 27 de Janeiro. Para maiores informações acesse: Mostra Tiradentes
CineBliss 





segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

A "Mostra Panorama -Série 2” da 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes apresenta curtas viscerais



A "Mostra Panorama- Série 2", da 21ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, apresentou na noite de domingo (21), quatro curtas-metragens. O arrebatador "Repulsa"(2017), do diretor Eduardo Morotó, de Pernambuco, expôs um retrato cruel do sertão nordestino, com a prevalência da lei do mais forte dominando os mais fracos através da violência. 

Direto do Paraná, o segundo curta exibido "Tentei"(2018), de Laís Melo, exterioriza a dor de Glória (Patrícia Saravy), em denunciar o marido por abuso sexual. O momento crucial da jornada dessa mulher em romper com o silêncio, é narrado praticamente com imagens, sem a utilização de diálogos.    

A exibição também contou com o curta "Subcutâneo"(2017), representando Minas Gerais, de Carlos Segundo, e, "Merencória"(2017), de Carlos Gotardo, de São Paulo.

A 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes vai até 27 de janeiro. Para maiores informações acesse: Mostra de Tiradentes
CineBliss 

21ª Mostra de Cinema de Tiradentes: "Bandeira de Retalhos" exprime um momento histórico do Vidigal com afeto e união


A 21ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, prestigiou na noite de domingo (21), a pré-estreia nacional do novo filme de Sérgio Ricardo, "Bandeira de Retalhos"(2018). Originária da peça teatral do mesmo, a história retrata a união dos moradores do Vidigal, Rio de Janeiro, contra o despejo decretado pelo Estado.         

Realizado com um orçamento de R$100 mil reais, o filme de "mutirão" - expressão de Sérgio Ricardo - é antes de tudo, um filme de grupo, em que teve a ajuda dos habitantes do Vidigal para ser concretizado.

A narrativa que mescla ficção com documental - o material de arquivo foi retirado da internet -, tem na trilha sonora um elemento primordial para pontuar o desenrolar da trama. As interpretações conduzidas de modo teatral, tem na atriz Kizi Vaz, como Tiana, um brilho à mais na demonstração de resistência da  comunidade.

A 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes vai até dia 27 de janeiro. Para maiores informações acesse: Mostra Tiradentes
CineBliss




terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A jornada de "Lou" inspira mulheres a trilharem seus caminhos de modo contestador e autônomo



No atual momento da sociedade ocidental, as discussões relacionadas às mulheres e ao empoderamento feminino estão presentes nas manchetes de jornais e nas redes sociais. Dito isso, é de extrema significância ter conhecimento de histórias de mulheres de séculos passados que ousaram transgredir os ditames do patriarcalismo, tornando-se revolucionárias de seus tempos. Um desses casos, é da escritora e psicanalista russa Louise Andreas Salomé, retratada no filme "Lou"(2016), da diretora estreante Cordula Kablitz-Post.  

Nessa jornada pela vida de Lou - interpretada quando jovem por Katharina Lorenz e, mais velha por Nicole Heesters - no universo intelectual europeu no final do século XIX, vê-se uma mulher com sede para viver sua vida fora dos padrões sociais e ser protagonista de seu próprio destino. Para isso, ela matricula-se na Universidade da Suíça - única na época a aceitar mulheres - e ali, começa a entrar em contato com diferentes ideias e pessoas. Em Roma, conhece o filósofo Paul Rée (Philipp HauB), que a introduz à Friedrich Nietzsche (Alexander Scheer). 

Os três desfrutam de um período de amizade profunda, nutridos por discussões intelectuais acaloradas e pedidos de casamentos, todos negados por Lou. Além dos filósofos, o psicanalista Sigmund Freud, o poeta Rainer Maria Rilke e o jovem filólogo Ernst Pfeiffer, também fizeram parte do núcleo social de Lou. Esses homens, foram contagiados pelas ideias contestadoras e pelo espírito livre que cerceou a vida dessa escritora. No Brasil, ela não é muito conhecida, tanto que seus livros não foram traduzidos para o português. 

Na trama, a cronologia dos fatos não é linear, uma vez que a narrativa transcorre através de memórias de Lou quando velha. O roteiro altera-se entre passado e presente, sem perder o ritmo. No entanto, observa-se que o foco permanece nas relações amorosas desenvolvidas por Lou ao longo da vida - em sua maioria rejeitando os homens e o casamento -, com pouco espaço para importância de seu trabalho no meio intelectual. 

As recordações dos fatos, resgatadas através de cartas, fotos e cartões postais, convertem-se em um elemento primordial para o drama, ao ponto de algumas sequencias terem o trabalho de fotografia semelhante a um cartão postal. 

O filme "Lou" ilumina a trajetória de vida de uma mulher que buscou trilhar seu próprio caminho, sem deixar-se sucumbir perante os modos ou convenções sociais da época. Recusou o papel da mulher relegada apenas ao espaço privado, na função de servir o marido e cuidar dos filhos. Lou, abalou a moral e os bons costumes, assim como corações, e, também sofreu difamações por seu comportamento. Sua relevância inspira outras tantas mulheres a se identificarem com sua jornada contestadora dos padrões estabelecidos pela sociedade e, não deixa de exemplificar o empoderamento feminino em pleno século XIX.
CineBliss 



Ficha técnica: 

Lou (Lou)
2016, Alemanha
Direção: Cordula Kablitz-Post 
Roteiro:  Cordula Kablitz-Post, Susanne Hertel
Produção: Cordula Kablitz-Post, Gabriele Kranzelbinder, Helge Sasse
Fotografia: Matthias Schellenberg
Elenco: Katharina Schüttler, Nicole Heesters, Alexander Scheer,Philipp Hauß