segunda-feira, 23 de novembro de 2015

"Mistress America" dialoga com duas gerações de mulheres em busca de autoconhecimento


"Mistress America" o novo filme do diretor Noah Baumbach (Enquanto somos jovens; Frances Ha) traz novamente a parceria com a atriz Greta Gerwig como protagonista e também autora do roteiro, trabalho anterior havia sido "Frances Ha" (2012). Como nos filmes passados, o cineasta brinda a história com o cenário da cidade de Nova Iorque com sua magia e fascinação para retratar os temas da dificuldade do adulto em encontrar seu lugar, a artificialidade do ser humano em projetar ser uma pessoa "legal" quando na verdade tem apenas o vazio dentro de si e também a relação de companheirismo criada através do laço da amizade.

No longa recente, a jovem Tracy (Lola Kirke) recém chegada na metrópole para estudar, enfrenta dificuldades para socializar-se na universidade, dessa forma decide entrar em contato com sua futura irmã mais velha Brooke (Greta Gerwig) para fazerem algo juntas. O encontro das duas causa deslumbramento e admiração de Tracy por Brooke, pois esta introduz o lado descolado da cidade de Nova Iorque e consequentemente representa num primeiro momento uma mulher moderna, independente, decidida, criativa e acima de tudo contagiante. Como a própria personagem descreve sobre o fato de estar ao lado de Brooke "Estar com ela é como estar em Nova Iorque".

Tracy ao entrar em contato com esse universo hype materializado em Brooke, resolve escrever um romance sobre a vida dessa mulher e, com isso tentar entrar no clube de literatura da universidade. Nesse processo de escrita a jovem aprofunda-se cada vez mais em observar a rotina de sua musa, coletando informações e de uma certa maneira julgando seus comportamentos, já que Brooke costuma culpar várias pessoas por supostos fracassos de sua jornada. 

Esse fator de atribuir os percalços em outra pessoa, leva Brooke numa viagem até à casa de sua ex-amiga para esclarecer algumas questões do passado. Nessa visita ela conta com a companhia de Tracy e dois amigos universitários, que também passam por um processo de crise. Essa aventura até Connection para a lavagem de roupa suja gera um encadeamento de situações embaraçosas, cujo resultado é uma sessão de autoconhecimento para Brooke e Tracy.

A atriz Greta Gerwig assim como em "Frances Ha" mostra mais uma vez seu lado cômico, cativante e cheio de vida. Sua personagem inicialmente repleta de glamour e agitação torna-se em algo decadente e vazio, de uma mulher com milhares de ideias criativas para uma pessoa com dificuldades para colocá-las em prática. Essa descrição de Brooke não deixa de ser uma crítica à sociedade atual com a intensa conectividade entre pessoas, no qual cria-se a ilusão de que seguidores com perfis sociais atraentes são pessoas interessantes e legais, mas que mascaram uma realidade completamente diferente.  

Um filme cativante pelo discurso abordado em dois ângulos distintos, de um lado a jovem de 18 anos Tracy, em busca de um lugar na sociedade, e do outro Brooke com seus 30 anos, confusa em enxergar a si mesma e num estágio complexo de tentar concretizar algo que represente sua personalidade. Essas duas jornadas são construídas através de um roteiro bem estruturado, engraçado e crítico. Pode-se dizer que novamente a união de Greta Gerwig e Noah Baumbach gera um filme com temas similares dos anteriores, mas com nuances específicas para "Mistress America".
CineBlissEK




Ficha técnica: 

Mistress America (Mistress America)
2015, Estados Unidos
Diretor: Noah Baumbach
Roteiro: Greta Gerwig, Noah Baumbach
Produção: Lila Yacoub, Noah Baumbach, Rodrigo Teixeira
Fotografia: Sam Levy
Elenco: Greta Gerwig, Lola Kirke, Kathryn Erbe

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

CineBlissEK seleciona 5 cenas memoráveis do cinema




A magia do cinema atravessa fronteiras e conquista milhares de corações ao redor do mundo. Ao contar histórias do imaginário humano os filmes proporcionam as pessoas uma identificação com os personagens e uma viagem para o universo que se apresenta nas telas. Para fazer uma pequena homenagem ao cinema, o CineBlissEK seleciona cinco cenas memoráveis da sétima arte. 


Star Wars: Episódio V - O império contra ataca (Star Wars: Episode V - The empire strikes back)
Direção: Irvin Kershner, 1980




Perfume de mulher (Scent of a woman)
Direção: Martin Brest, 1992




Psicose (Psycho)
Direção: Alfred Hitchcock, 1960

  


Casablanca (Casablanca)
Direção: Michael Curtiz, 1942




Sem destino (Easy rider)
Direção:  Dennis Hopper, 1969




quinta-feira, 5 de novembro de 2015

CineBlissEK conferiu a 39ª Mostra Internacional de Cinema e traz a lista com os filmes vistos de maiores destaques

Encontro com Roteiristas: Carolina Kotscho, Luiz Bolognesi, Santiago Mitre e
Di Morett (mediador)

Encerrou ontem (04/11) em São Paulo a 39ª Mostra Internacional de Cinema, com duração de duas o evento teve ao todo 311 títulos de 62 países. O filme islandês "Pardais" do diretor Rúnar Rúnarsson foi o ganhador do Troféu Bandeira Paulista e também levou o de melhor roteiro. No quesito melhor filme brasileiro o premiado foi "Tudo o que aprendemos juntos" de Sérgio Machado. O longa "Sabor da vida" da japonesa Naomi Kawase foi eleito como melhor longa pela votação do público. 

O  blog CineBlissEK esteve presente pela primeira vez na Mostra por cinco dias e teve o privilégio de conferir 14 longas de diferentes nacionalidades e também o  Encontro com Roteiristas (imagem acima) ocorrido no dia (30/10) com a presença de Santiago Mitre, Carolina Kotscho, Luiz Bolognesi e Di Morett (mediador). O assunto abordado durante a conversa foi a transição de roteiristas para direção e produção de filmes.

Dentre os 14 filmes vistos durante a 39ª Mostra Internacional de Cinema, o CineBlissEK fez uma lista com as obras mais marcantes durante a maratona. Para conferir a listagem completa acesse: CineBlissEK/39Mostra


Virgin Mountain (Fúsi)
2015, Islândia
Direção: Dagur Kári
Mostra Foco Nórdico


Fúsi (Gunnar Jónsson) um homem solitário e sensível trabalha como carregador de malas em um aeroporto, vive com a mãe e passa suas horas vagas brincando com as miniaturas da II Guerra Mundial. Em seu aniversário de 43 anos ganha do namorado de sua mãe um curso de aulas de dança, por ser tímido ele não entra na sala e fica no estacionamento e justamente nesse local Fúsi é surpreendido para um despertar através da aparição de Sjöfn. Nessa arte do encontro da vida Fúsi tenta de todas as maneiras manter um relacionamento com Sjöfn ao mesmo tempo que enfrenta bullying no trabalho por ser obeso.
Um filme de extrema sensibilidade e delicadeza ao mostrar a transformação de homem solitário e obeso em lidar com as batalhas da vida ao sair de sua zona de conforto.


Mulheres vestindo camisa de homens (Kvinner I for store herreskjorter)
2015, Noruega
Direção: Yngvild Sve Flikke
Mostra Foco Nórdico


A trama é permeada pela vida de três mulheres, cada uma de diferente idade. No primeiro momento tem-se a história da estudante de literatura Sigrid que por acaso da vida depara-se com um autor famoso numa galeria e tornar-se completamente apaixonada por ele. Depois há o encontro da inusitada artista plástica Trine, grávida sem dinheiro cuja ajuda surge na desconhecida Astrid, uma mulher de quase 60 anos que vive no dilema de achar que está prestes a morrer e com a culpa de ter colocado o filho na adoção.
Através do universo espertinho o filme encaixa as histórias de uma maneira sutil e cômica ao mesmo tempo que enaltece o feminino no sentido de "liberte-se para ser libertado".  


La memoria del agua (La memoria del agua)
2015, Chile/ Espanha/ Argentina/ Alemanha
Direção: Matías Bize
Mostra Perspectiva Internacional


Cada relação, cada pessoa busca diferentes mecanismos para lidar com a perda de um ente querido, no caso do filme "La memoria del agua" o casal Javier (Néstor Cantillana) e Amanda (Elena Anaya) precisam buscar forças para superar a morte prematura do filho. No entanto, enquanto Javier esforça-se de todas as maneiras para continuar o casamento ao mesmo tempo que não chora pela perda do filho, Amanda prefere afastar-se do marido e tentar recomeçar a vida ao lado de outro. De uma forma sensível e sem cair em clichês o diretor narra as etapas do luto de cada um nessa jornada de perda, sofrimento e renovações.
Após a sessão o diretor Matías Bize participou de um debate e comentou que sua intenção ao fazer o filme era de contar uma história da maneira mais honesta e simples.


Um homem decente (Nichts passiert)
2015, Suíça
Direção: Micha Lewinsky
Mostra Perspectiva Internacional


O tranquilo e devotado pai de família Thomas Engel (Devid Striesow) tem uma rotina comum e certinha, no entanto ao sair de férias junto de seus entes queridos mais a filha do patrão, defronta-se com novos ares de sua personalidade o que quebra com sua suposta índole de ser um homem decente. Essa ruptura acontece quando a filha do patrão relata a Thomas um abuso sexual cometido por um dos adolescentes locais. Thomas esconde da família essa confissão e busca de todas as formas resolver o assunto de uma forma racional e amigável sem medir as consequências.
O filme que se passa nos Alpes Suíços conta com belíssimas imagens da paisagem local, igualando com a fisionomia do personagem que não demonstra expressão diante de todos os eventos ocorridos e transformados em uma bola de neve. 


Labirinto de mentiras (Im labyrinth des schweigens)
2014, Alemanha
Direção: Giulio Ricciarelli



Em 1958, o jovem promotor público Johann Radmann (Alexander Fehling) tem sua vida completamente transformada quando deixa de trabalhar com multas de trânsito para investigar crimes cometidos por militares alemães nazistas durante a II Guerra Mundial. Nesse labirinto de apuração dos fatos, Johann depara-se com um país ainda sensível com relação aos eventos cometidos e que busca não querer saber das crueldades consumadas durante a guerra. No ínterim da jornada investigativa Johann também precisa lidar com episódios de sua própria vida.
Um drama com roteiro bem estruturado baseado em uma história real que mostra a geração alemã pós II Guerra com o sentimento de vergonha e dos mais velhos em querer esquecer do passado.


Nise - O coração da loucura (Nise - O coração da loucura)
2013, Brasil
Direção: Roberto Berliner
Mostra Brasil


Baseado em uma história real, o filme conta do período de 1942 a 1944 na vida da psiquiatra Nise interpretado pela atriz Glória Pires, quando esta começa a trabalhar no Hospital Psiquiátrico Pedro II no subúrbio do Rio de Janeiro. Nise ao deparar-se em com um ambiente exclusivamente masculino decide optar por outra forma de trabalho, ao invés de adotar a lobotomia ela caminha para criar um espaço onde os pacientes (depois clientes) possam expressar outras formas de comunicação, no caso os clientes começam a dialogar através da pintura, algo similar introduzido pelo psiquiatra suíço Carl G. Jung. Através da condução dos trabalhos artísticos feitos no hospital, Nise conquista uma melhora dos clientes e ganha notoriedade nas mídias.  


Son of Saul (Saul Fia)
2015, Hungria
Direção: László Nemes 


O húngaro Saul (Géza Hohring) trabalha como Sonderkommando (grupo de prisioneiros judeus forçados a ajudar os nazistas na limpeza dos massacres). Em um de seus turnos, Saul se comove com a morte de um menino e decide fazer todo processo de sepultamento da criança alegando ser o pai. No entanto, para que isso se torna possível ele precisa encontrar um rabino, passar por todos os tipos de provação para salvar o corpo e também lidar com o processo de rebelião que se instala. Nessa jornada de sofrimento e perigo o público é conduzido às atrocidades cometidas durante a II Guerra Mundial. 
Com imagens ora desfocadas ora apenas focada nas costas do personagem o filme busca retratar uma história cruel sem cair no sensacionalismo da violência.


Sindicato de ladrões (On the waterfront)
1954, Estados Unidos
Direção: Elia Kazan
Mostra The Film Foundation


O jovem ex-boxeador Terry (Marlon Brando) costuma prestar serviço de vez em quando para a máfia que controla o cais pois seu irmão Charlie (Rod Steiger) é um dos integrantes. Porém ao conhecer Edie (Eva Marie Saint) irmã de um trabalhador morto por denunciar a máfia, Terry começa a questionar os gangsters e ir contra a forma como eles dominam o cais. Esses questionamentos seguem para proporções maiores quando Charlie é morto pelos mafiosos ao tentar defender Terry. Aproveitando esse fato o padre Barry (Karl Malden) busca em Terry um líder para desafiar os gangsters.


A floresta que se move 
2015, Brasil
Direção: Vinícius Coimbra 
Mostra Brasil


Quando a ambição perpassa para o lado negro e transforma-se no pecado capital da soberba o ser humano torna-se capaz de tudo para atingir o mais alto nível de poder. Com essa temática, o filme "A floresta que se move" baseado na obra "Macbeth" de William Shakespeare retrata a ascensão profissional do jovem empresário César (Gabriel Braga Nunes) no segundo maior banco do país. Esse fato ocorre depois do encontro dele com uma bordadeira supostamente com dom de profetizar eventos. Ao relatar a previsão da bordadeira à sua esposa Clara (Ana Paula Arósio) esta decide marcar um jantar com o presidente do banco como único convidado e colocar em ação um plano ambicioso e malévolo. No entanto o resultado desse esquema traz consequências irreparáveis para cada um dos envolvidos.