segunda-feira, 30 de março de 2015

"O abutre" trás um retrato da sociedade atual através de imagens chocantes


Muito se pergunta onde está a ética jornalística ao mostrar imagens sensacionalistas de violência ou acidentes atualmente nos telejornais, o filme "O abutre" de (Dan Gilroy) narra justamente essa falta de moral televisiva que busca por imagens chocantes para aumentar a audiência e alimentar um certo tipo de público sedento por sangue.

A história traz o jovem Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) que vive de alguns furtos por não conseguir uma colocação no mercado de trabalho, mas que vê sua vida mudar completamente quando se depara com um acidente de carro e observa que além dos policiais e bombeiros há uma outra tarefa sendo feita no local, o cinegrafista amador registrando as cenas sangrentas do acidente e a explicação de que as imagens estarão no telejornal da manhã. Ele se fascina por essa ideia de trabalho e decidi investir o seu tempo e o único dinheiro para comprar uma câmera e um rádio de polícia para também conquistar espaço nesse tipo de negócio.

Claro que no começo ele se atrapalha um pouco para capturar a imagem ou chega atrasado nos locais, mas logo pega o jeito de trabalhar e descobre que seu dom é ter olhos apurados para saber como gravar a melhor imagem. Ele contrata o rapaz Rick (Riz Ahmed) para lhe ajudar nas direções dos acidentes e vende as gravações para a experiente editora-chefe de um jornal local, Nina (Rene Russo).

O protagonista gasta uma boa parte de seu tempo na internet em busca de informações que lhe proporcione um melhor desempenho profissional, mas essa atitude o deixa cada vez mais com um certo ar de louco ao falar sobre seus interesses profissionais. Essa forma de agir da personagem não o torna um herói que o público se simpatiza e se identifica, mas sim em algo a ser deixado à margem da sociedade, porém necessário para satisfazer o apetite por imagens chocantes.

As ambições de Louis Bloom o leva a ir cada vez mais fundo no negócio e o torna em um cinegrafista amador sem escrúpulo, ao ponto de alterar cenas de crimes ou até mesmo eliminar a concorrência. Sua maneira de se relacionar com as pessoas em tentar ser simpático esconde um forte problema de socialização e uma falta de humanização com relação as vidas que são expostas em sua lente.

O longa-metragem que a todo momento traz um certo incomodo para o público, retrata o mundo noturno de uma cidade grande com seus mistérios, violência, pessoas marginalizadas, agressividade e competitividade dos indivíduos. Com imagens perturbadoras, o filme sombrio apresenta o papel da mídia na sociedade atual e a falta de ética para conseguir superar os concorrentes e acima de tudo o gosto da audiência em receber em seus televisores, imagens que se parecem com filmes de ação de tão sangrentas e violentas.

Mérito para as atuações de  Jake Gyllenhaal e  Rene Russo que estão perfeitos para os papéis, assim como o diretor Dan Gilroy que em sua estreia na direção de um longa-metragem traz um thriller eletrizante e se torna uma aposta para Hollywood.  
CineBlissEK


Curiosidades: 
  • Primeiro filme do diretor Dan Gilroy que é casado com a atriz Rene Russo;
  • O ator Jake Gyllenhaal emagreceu cerca de 10 quilos para interpretar a personagem Louis Bloom;

Ficha técnica: 

O abutre (Nightcrawler)
2014, Estados Unidos
Direção: Dan Gilroy
Roteiro: Dan Gilroy
Produção: David Lancaster, Jake Gyllenhaal, Jennifer Fox, Michel Litvak, Tony Gilroy
Fotografia: Robert Elswit
Elenco: Jake Gyllenhaal, Rene Russo, Bill Paxton, Riz Ahmed

segunda-feira, 23 de março de 2015

Os melhores filmes de serial killers para o CineBlissEK


 O cinema em sua busca por novas histórias para conquistar o público traz em sua bagagem filmes do gênero suspense que abordam a questão do assassino em série. Esses tipos de trama se destacam por envolver o policial x o criminoso. O policial tem como missão descobrir a identidade e capturar o serial killer que recebe esse nome por matar mais de uma pessoa.

Geralmente nos filmes o serial killer costuma ser uma pessoa extremamente inteligente, com pouca socialização mas aparentemente normal para sociedade, escolhe meticulosamente a vítima e não usa arma de fogo, pois o crime para ele representa um ritual ao ponto de criar uma marca registrada em suas vítimas. Alguns querem ser descobertos pois assim ganham maior visibilidade na mídia pela crueldade cometida.

O primeiro serial killer do cinema é o filme Psicose de 1960 do diretor inglês Alfred Hitchcock que explora o problema psicológico da personagem Norman Bates como motivo para matar pessoas, devido ao grande sucesso de público, Hollywood desde então traz histórias com esse perfil para as telas pois gera algum tipo de reação ao público.

O CineBlissEK fez uma lista dos melhores filmes de serial killers para o telespectador que gosta de um suspense inteligente, cenas policiais e imagens aterrorizadoras. Confira:

Psicose (Psycho)
Direção: Alfred Hitchcock, 1960

Uma jovem rouba a firma onde trabalha e foge para outra cidade, contudo no caminho decide se hospedar em um hotel para esperar a chuva passar. Mas sua jornada se encerra no quarto de hotel quando conhece o homem responsável pelo estabelecimento.



O silêncio dos inocentes (The silence of the lambs)
Direção: Jonathan Demme, 1991

Um clássico do cinema mundial, o filme "O silêncio dos inocentes" narra a jornada de uma jovem policial do FBI  em ganhar a confiança de um psiquiatria preso acusado de matar alguns de seus pacientes, para que ele a ajude a criar o perfil e descobrir a identidade de um serial killer solto nas ruas.
Leia a crítica do filme: O silêncio dos inocentes



Copycat - A vida imita a morte (Copycat)
Direção: Jon Amiel, 1995

Uma psicóloga criminalista especializada em assassinos em série se vê na mira de um criminoso que a persegue e acumula vítimas imitando serial killers famosos. Para se livrar dessa perseguição a psicóloga decide se refugiar em sua casa e não mais cooperar com a polícia, contudo com novos assassinatos ela é convencida por dois policiais a ajudar na captura do assassino.




Seven - Os sete crimes capitais (Seven)
Direção: David Fincher, 1995

Um jovem policial junto com outro prestes a se aposentar se unem para conseguir capturar um assassino em série que tem o padrão de matar suas vítimas e indicar o pecado capital que esta cometera. O criminoso segue a risca os sete pecados capitais (luxúria, gula, preguiça, inveja, avareza, ira e vaidade). O filme traz um final surpreende em deixar qualquer um aterrorizado.



O colecionador de ossos (The bone collector)
Direção: Phillip Noyce, 1999

Um ex-policial debilitado em uma cama após um acidente de trabalho tem que juntar forças para ajudar uma jovem detetive a prender um criminoso que captura suas vítimas quando estas entram em seu táxi. O assassino em série deixa como marca registrada em cada cena do crime um pequeno osso.



Do inferno (From hell)
Direção: Albert Hughes, Allen Hughes, 2001

O filme se passa em 1888 em Londres e se baseia na versão de Alan Moore e Eddie Campbell sobre Jack, O estripador. Um agente da Scotland Yard recebe como missão investigar uma série de crimes contra mulheres num bairro pobre londrino. O detetive conta com a ajuda de uma jovem prostituta que o leva a crer que o assassino pertence ao alto escalão inglês.



Perfume - A história de um assassino (Perfume - The story of a muderer)
Direção: Tom Tykwer, 2006

Um jovem tem como dom criar fragrâncias divinas de perfume e para a realizar esse trabalho ele coleta a essência em organismos nada convencionais. Sua jornada em buscar pelo aroma perfeito o leva para situações perigosas e misteriosas. 


quinta-feira, 19 de março de 2015

O filme Tetro mostra a família com seu passado e segredos indigestos

 
 "Não solte a corda que ata tua alma" (frase do início do filme)

Por mais que o ser humano tente fugir de suas amarras do passado vez ou outro este passado bate à porta, no caso de Tetro filme de 2009 do diretor Francis Ford Coppola (O poderoso chefão e Apocalipse Now), esse momento deixado para trás surge na vida de Angelo Tetrotini (Vicent Galo) quando seu irmão mais novo, Benjamin (Alden Ehrenreich) lhe faz uma visita na cidade de Buenos Aires.

Angelo que em seu ano sabático deixa os Estados Unidos para viver na Argentina com um novo nome Tetro, não tem a mínima vontade de saber sobre as pessoas de sua família e muito menos revê-las. Mas com a chegada de seu irmão, essa fuga do passado não tem mais lugar, pois a presença familiar dele impõe recordar lembranças antigas e o mais difícil explicar para o jovem rapaz questões complicadas sobre o próprio pai. Bennie vem com intuito de esclarecer acontecimentos antigos e também reatar a relação de irmãos, mas o que ele não espera é a distância que esse irmão querido quer manter.

Outrora um brilhante poeta, Tetro/Angelo está distante e amargo, dividi sua casa em La Boca com sua companheira Miranda (Maribel Verdú) que o conhecera através do programa de rádio La Colifata quando este viera se apresentar carregando o rascunho de seu livro. Contudo com os anos Tetro abandona a arte da escrita e prefere se refugiar em suas angústias. Bennie em sua visita encontra os textos antigos do seu irmão e descobre que ali estão guardados os segredos da família arruinada por rivalidades, o jovem é a personagem responsável por mover a engrenagem da história. 

Novamente o diretor trabalha com a questão da família e todas as complicações que isso envolve, como cada indivíduo lida com as dificuldades do grupo familiar. Uns reagem através da rivalidade, da falta de comunicação e outros preferem fugir para não ter que enfrentar, como é o caso de Tetro que a todo custo busca escapar de qualquer tipo de relacionamento com seu pai, ao qual implica em se distanciar de seu irmão que lhe tem uma grande admiração. Tetro causa tanta inspiração em Bennie ao ponto deste lhe dizer que sonha ser um escritor assim como ele.

Na linguagem simbólica fica evidente que a personagem de Tetro tem dificuldade com sua base (família), pois no começo do filme ele se encontra com gesso em sua perna e pé, indicando uma imobilidade e dor na base do seu corpo que simbolicamente representa a família. Ele muda de nome para ser outra pessoa com uma nova história e identidade, mas busca isso em sua origem, pois no filme a família Tetrotini nasce em Buenos Aires e só depois se muda para os Estados Unidos.

A belíssima fotografia em preto e branco que muda para o colorido quando episódios do passado da família Tetrotini surgem ou com cenas do filme Coppelia de Contos de Hoffman, trazem uma singularidade e autenticidade a história difícil de se ver no cinema atualmente. Há vários momentos da incidência forte de luz ou da escuridão, dando ainda mais crédito as imagens. Esse jogo de luz já é visto logo no começo do filme quando Tetro olha diretamente para uma lâmpada, como se buscasse por uma iluminação em sua vida para encarar a verdade.

Coppola brinca com o uso de espelhos praticamente o filme todo, principalmente em momentos de confronto entre os irmãos em que o público não visualiza as duas personagens, mas apenas um e a imagem do outro refletida no espelho. Outro mérito da história é trazer a arte em toda a trama, seja através da dança com Miranda, da literatura com Tetro e Bennie, da música com o pai e do teatro com as apresentações no café e do festival da Patagônia com a presença da crítica teatral Alone (Carmen Moura).

O filme na sua estreia em 2009 não empolgou muito a crítica especializada pois se tratando de Francis Ford Coppola a expectativa é sempre alta, mas não se pode deixar de admirar o trabalho de um diretor conceituado ao buscar por uma forma de filmar mais autoral e mostrar o porque de ser considerado um dos grandes diretores vivos do cinema.  
CineBlissEK




Curiosidades:


  • O filme foi todo rodado em cor e depois convertido para preto e branco;
  • A cantora uruguaia de ópera Adriana Mastrangelo faz uma ponta como ela mesma em Tetro;
  • Francis Ford Coppola resolveu rodar Tetro em widescreen como forma de evocar os filmes dirigidos por Akira Kurosawa;
  • Indicação para Maribel Verdú como Melhor Atriz  no festival de Goya.

Ficha técnica:

Tetro (Tetro)
2009, Argentina, Itália, Espanha, EUA
Direção: Francis Ford Copolla
Roteiro: Francis Ford Copolla
Produção: Francis Ford Coppola, Gerardo Herrero
Fotografia: Mihai Malaimare Jr.
Elenco: Alden Ehrenreich, Vincent Gallo, Carmen Moura, Maribel Verdú

quinta-feira, 12 de março de 2015

Confira os cinco melhores filmes do diretor espanhol Pedro Almodóvar para o CineBlissEK


O cineasta espanhol Pedro Almodóvar é reconhecido mundialmente pelos seus filmes melodramáticos capazes de emocionar qualquer tipo de público, suas histórias geralmente trabalha com temáticas universais tais como doação de órgãos, vida vegetativa, fama, pedofilia e claro crises familiares, que são temas de entendimento para qualquer tipo de cultura.

Suas tramas na maioria das vezes aborda o universo feminino com seus dilemas e dificuldades e traz a mulher como personagem principal. Também trabalha com questões do homossexualismo, religião, identidade e sexualidade.

Outro elemento marcante nas obras cinematográficas de Almodóvar são as cores fortes e vibrantes, principalmente o vermelho, que passa a ideia do desejo e da paixão e traz uma intensidade para cada cena. O cineasta tem o cuidado de criar roteiros estruturados, histórias repletas de acontecimentos e personagens profundos.

Para homenagear esse ganhador de duas estatuetas do Oscar por Melhor Filme Estrangeiro em 2000 por Tudo sobre minha mãe e Melhor Roteiro Original em 2002 por Fale com ela, o CineBlissEK decidiu selecionar os cinco melhores filmes do diretor espanhol Pedro Almodóvar que a cada nova obra cinematográfica conquista mais fãs ao redor do mundo.


Tudo sobre minha mãe
(Todo sobre mi madre), 1999

Uma mãe em luto pela perda do filho, decide voltar a Barcelona para corrigir alguns erros do passado. Nessa jornada ela conhece pessoas que necessitam de sua ajuda e também tem histórias trágicas com as dela.



Fale com ela
(Hable con ella), 2002

Dois homens com histórias pessoais completamente diferentes se cruzam em um hospital devido ao coma de duas mulheres. O enfermeiro apaixonado por sua paciente dedicando todo seu tempo para cuidar e falar com ela e o jornalista que não consegue falar ou interagir com sua namorada recentemente em estado de coma. O laço de amizade criado por esses homens resulta em uma ajuda mútua e transformadora.



A pele que habito
(La piel que habito), 2011

Um dos poucos filmes de Almodóvar com protagonista masculino narra a história de um cirurgião plástico em tentar criar uma pele perfeita. Para isso ele utiliza de um ser humano como cobaia para seus testes. Mas essa cobaia tem sua história pessoal e planos de fuga. 
Uma obra cinematográfica repleta de reviravoltas, suspense, horror e tensão.



Volver
(Volver), 2006

Uma família de mulheres tendo que retornar as suas origens para enfrentar erros do passado. Uma mãe supostamente morta que volta para acertar o passado com a filha, assim como a última necessita enterrar o marido morto. 
Um melodrama tipicamente de Almodóvar totalmente voltado para a temática do feminino. 



Mulheres a beira de um ataque de nervos 
(Mujeres al borde de um ataque de nervios), 1988

O primeiro longa do diretor com repercussão mundial, narra a história de uma mulher que ao ser abandonada pelo amante decide alugar seu apartamento. Mas antes de alugar ela precisa entrar em contato com o amante e fazer as malas dele, contudo algumas visitas ao apartamento trazem distrações para ela dificultando seus planos.
Uma comédia que beira ao ridículo e por isso mesmo proporciona várias risadas.


segunda-feira, 9 de março de 2015

Do estrelado de Hollywood para o anonimato dos teatros da Broadway


Um ator de Hollywood famoso pelo personagem de um super-herói decide alavancar sua carreira em algo novo ao interpretar uma adaptação teatral na Broadway, basicamente essa é a premissa do filme vencedor de quatro Oscar em 2015, incluindo Melhor Filme e Direção do cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu em Birdman ou a inesperada virtude da ignorância. Contudo a trama vai muito mais além disso e trabalha com questões do ser humano, como velhice, ego, fracasso, decadência e sucesso.

A personagem Riggan Thompson (Michael Keaton) no passado interpretou o super herói Birdman e convive com o fantasma desse sucesso até os dias atuais, para voltar a ser famoso novamente, ele decide partir para o outro lado do show business ao dirigir, produzir e interpretar uma obra do autor Raymond Carver "What we talk about when talk about love" (O que falamos quando falamos sobre amor) nos teatros da Broadway.

Mas em primeiro lugar para que essa adaptação ocorra ele precisa lidar com sua voz interior, ou melhor dizendo a voz alimenta o ego dele ao insistir em dizer que o seu lugar não é ali e sim na pele de Birdman. No decorrer da trama fica evidente que a voz é na verdade a personagem do homem pássaro que persegue Riggan em todos os lugares. Em vários momentos Riggan é confrontado por essa figura do Birdman e tenta provar que pode ser um ator sério de teatro. Na linguagem simbólica é como se o ego de Riggan ainda quisesse continuar no papel de Birdman pois isso traz segurança e fama, mas a Alma desse homem anseia por algo mais profundo e pulsa por uma interpretação nos palcos de teatro.

Riggan além de ter que duelar consigo mesmo, também precisa lidar com sua filha Sam (Emma Watson) que acabou de sair de uma clínica de reabilitação de dependentes químicos e o ajuda como sua assistente pessoal. Para incrementar esse contexto, Riggan necessita ministrar o seu elenco que a cada momento lhe traz uma nova dor de cabeça, seja Mike (Edward Norton) querendo mais atenção que o próprio Riggan e o confrontando a todo momento ou a personagem de Naomi Watts com suas crises de insegurança. Um típico cenário de pessoas com suas carências, vaidades, inseguranças e desilusões. Esse time de estrelas de Hollywood dão um show de interpretação e mereceram as indicações ao Oscar de 2015, Edward Norton como Melhor Ator Coadjuvante e Emma Watson como Melhor Atriz Coadjuvante. 

Praticamente o filme todo é dentro das acomodações do teatro, com corredores estreitos, pouca luz e várias portas, dá a sensação de claustrofobia e desespero o que talvez indique ser os sentimentos do próprio Riggan. Isso é tão marcante que quando as personagens saem ao ar livre, dá uma impressão de estarem esfriando a cabeça. Outro fator que traz também a ideia do estado de espírito dos protagonistas é o som da bateria constante e da câmera que perpetua um movimento neurótico simbolizando a ansiedade e o nervosismo para a estreia no palco de teatro da Broadway.

O filme traz intérpretes decadentes sem o estrelismo de Hollywood e faz uma crítica as obras cinematográficas de super-heróis em quadrinhos tão dominantes nas salas de cinema da atualidade, tanto que em uma das cenas do desfecho há uma conversa entre Riggan e a crítica de teatro, e a última explica que o odeia pois ele representa todos os tipos de filmes feitos para a cultura de massa.

Essa questão é posta em discussão através do teatro com toda sua aura, profundidade, seriedade e voltado para uma pequena parcela da população versus o cinema blockbuster feito para uma grande maioria de pessoas, sem muito conteúdo e voltado apenas para imagens de explosão e sem uma real interpretação do ator. Esse tema de arte x cultura de massa foi discutido pelo filósofo alemão Walter Benjamin ao colocar o cinema como uma cultura sem aura diferentemente das obras de arte.

A história traz o elemento fantasioso da personagem de Riggan em deslocar objetos com o pensamento ou flutuar durante a meditação, e no final a grande questão de saber o que acontece com ele, pois de um homem com máscara de plástico do Birdman ele muda para outro tipo de máscara. Há também cenas que de tão ridículas levam o público a rir, e claro um ótimo humor negro. 

Com uma interpretação magnífica o ator Michael Keaton que foi indicado ao Oscar de Melhor Ator, se redime perante seus fãs ao mostrar que ele é muito mais que o super herói Batman feito duas vezes na década de 1990. Até dá a sensação da história ter sido baseada nele próprio. Interessante notar que no filme, a personagem de Birdman foi interpretado por Riggan a última vez em 1992 assim como Michael Keaton em Batman.

O filme mereceu as quatro estatuetas do Oscar que ganhou nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original e Melhor Fotografia de 2015,  pois traz um frescor de originalidade para as telas e mostra o por que do cinema ser tão fascinante. 
CineBlissEK

Curiosidades: 
  • No filme Birdman há três atores que interpretaram super heróis no cinema: Michael Keaton (Batman -1989 e 1992); Edward Norton (Hulk - 2008); Emma Stone (O fantástica homem aranha - 2012 e 2014);
  • A cena da personagem de Riggan correndo pela Times Square foi gravada após a meia noite para evitar tumultos;

Ficha técnica:

Birdman ou a inesperada virtude da ignorância (Birdman or The Unexpected Virtue of Ignorance)
2014, Estados Unidos
Direção: Alejandro González Iñárritu 
Roteiro: Alejandro González Iñárritu, Alexander Dinelaris, Armando Bo, Nicolás Giacobone
Produção:  Alejandro González Iñárritu, Arnon Milchan, James W. Skotchdopole, John Lesher
Fotografia: Emmanuel Lubezki
Elenco: Michael Keaton, Edward Norton, Emma Stone, Naomi Watts

quinta-feira, 5 de março de 2015

A jornada de personagens femininos no cinema em comemoração ao Dia Internacional da Mulher


Em pleno século XXI com várias mudanças no papel da mulher na sociedade ainda há questões para serem discutidas e implementadas para uma maior igualdade de direitos. Vários problemas sociais da jornada feminina foram conquistados a partir da década de 1960, período de extrema importância para o movimento feminino, mas outros tópicos ainda não foram solucionados e necessitam de atenção por parte de toda sociedade.

Um destaque desses problemas vai para a questão profissional que atinge milhares de pessoas do gênero feminino na busca por condições salariais iguais aos dos homens. Esse fato é tão evidente que recentemente no discurso da atriz americana, Patricia Arquette ao receber o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, ela debateu esse ponto ao reivindicar condições igualitárias para as mulheres, essa manifestação além de ter sido super aplaudida e ovacionada pelo público presente na premiação gerou várias discussões ao longo da semana. 

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher no próximo domingo, 8 de março, momento para pensar e refletir sobre os avanços e os objetivos futuros para o gênero feminino, decidi selecionar alguns filmes que retratam diferentes jornadas de mulheres em distintos países, mas que passam nas telas o que é ser mulher, independente da cultura, idade ou condição social. 

Espero que a jornada dessas personagens femininas possam servir de inspiração para mulheres ao redor do mundo em reivindicar por direitos igualitários. Confira os filmes que foram selecionados com cuidado, carinho e amor características estas que fazem parte do universo feminino.

Thelma & Louise (Thelma & Louise)
Direção: Ridley Scott, 1991
Quando o feminino sai da sua zona de conforto para ganhar o mundo através da liberdade, de novas aventuras, experiências, amores e também consequências. Um road movie de mulheres acima de trinta anos em busca de si mesmas.
Veja crítica do filme: Thelma e Louise

 

Kramer vs Kramer (Kramer vs Kramer)
Direção: Robert Benton, 1079
A jornada de uma mulher na década de 1960 ao decidir se separar de seu marido e deixar o filho sobre sua custódia. A senhora Kramer decidi viver sua vida sozinha, trabalhar para seu sustento, mas depois resolve lutar pela guarda do filho.


Julie & Julia (Julie & Julia)
Direção: Nora Ephron, 2009
Duas épocas diferentes, duas mulheres buscando seus dons e com a ajuda de seus parceiros elas descobrem que cozinhar é para elas a forma mais deliciosa de preencher o tempo e consequentemente se torna a profissão escolhida. Mas primeiro elas precisam acreditar em si mesmas e em seus potenciais.


Tomates verdes fritos (Fried green tomatoes)
Direção: Jon Avnet, 1991
Duas mulheres cada uma com seu temperamento tendo que se impor perante uma sociedade machista e racista em plena Geórgia da década de 1960 nos Estados Unidos. Com a união e força das duas elas mostram o valor de uma verdadeira amizade. Assim como outras duas mulheres em outra época se consolam e cada uma ajuda a outra a encarar as suas realidades.


Histórias Cruzadas (The help)
Direção: Tate Taylor, 2011
Uma jovem jornalista descreve em seu primeiro livro a jornada de algumas mulheres negras em suas rotinas diárias como empregadas domésticas, seus medos, anseios, dificuldades e sonhos. Baseado em uma história real, a trama mostra o lado humano das trabalhadoras e também o das patroas não tão simpáticos quanto elas pensavam ser. 


Volver (Volver)
Direção: Pedro Almodóvar, 2006
Uma família de mulheres lidando com questões do passado que envolve o masculino e reflete no momento presente de suas vidas. Uma mãe tendo que enterrar o marido morto pela filha e perdoar sua própria mãe por erros cometidos no passado. Uma temática totalmente voltada para o feminino.


E agora, aonde vamos? (Et maintenant on va où?)
Direção: Nadine Labaki, 2011
A trajetória de várias mulheres católicas e muçulmanas num pequeno vilarejo para tentar distrair seus maridos e filhos, e evitar que eles não caiam em outra guerra civil e se matem. Através de ideias mirabolantes essas mulheres criam mecanismos para cuidar de seus homens.
Veja crítica do filme: E agora, aonde vamos?



As horas (The hours)
Direção: Stephen Daldry, 2002
Três mulheres em três épocas diferentes, cada uma em sua jornada vivendo uma mentira e colocando outra pessoa em primeiro plano em suas vidas. Uma escritora, uma dona de casa e uma editora unidas no romance de Virginia Woolf "Mrs. Dalloway". 

segunda-feira, 2 de março de 2015

Até onde vai a perfeição de um casamento


"... o que fizemos um ao outro..."? fala de Nick Dunne

A maioria das pessoas em um momento de suas vidas sonham com o par perfeito, casamento dos sonhos, vida a dois regada a muito romantismo, são milhares de adjetivos e expectativas para lidar com a instituição que une duas pessoas apaixonadas. Alguns casais conseguem atingir a união invejada por muitos, outros acreditam que conseguiram, já para uma outra parcela o casamento acaba sendo um sonho desfeito.

O novo filme do diretor David Fincher baseado no best seller de Gillian Flynn que assina o roteiro, o casamento é colocado em xeque através da questão de quando duas pessoas querem ser perfeitas uma para outra ao mesmo tempo que querem mudar o parceiro. O casal Nick Dunne (Ben Affeck) e Amy Elliot Dunne (Rosamund Pike) se conhecem em uma festa e acreditam que são perfeitos um para o outro. Contudo como a realidade não é um conto de fadas, logo essa união dá o ar da graça de uma forma inimaginável ao mostrar o desfalecimento deste casamento, o que antes era um casal admirado por muitos, eles se tornam pessoas que não conseguem aguentar um ao outro. 

Na comemoração dos cinco anos de casados Nick entra em sua casa e se depara com móveis no chão e a falta de sua esposa, imediatamente informa a polícia e lá se vão em busca de Amy. Depoimentos, ligações, website de procura, coletiva de imprensa, ajuda dos moradores, todas as formas possíveis para tentar achar a garota exemplar, mas todas em vão. Sem pistas de onde possa estar, Nick se torna o suspeito de ter matado sua esposa.

Para quem ainda não viu o filme, sugiro que pare por aqui, pois daqui em diante escrevo alguns detalhes que revelam o desenrolar da história.

Com todo o apelo e circo midiático de Nick ter assassinado sua mulher, ele contrata um dos melhores advogados para defendê-lo e decifra as charadas que sua esposa havia deixado para a comemoração do quinto ano de casamento, as descobertas do jogo caça ao tesouro leva crer que Amy provavelmente está viva e se vingando dele pela traição amorosa que este cometera.

Daí em diante é uma corrida de gato e rato, Amy com suas jogadas convincentes de ter sido assassinada e Nick tentando se salvar da pena de morte. Logo o diretor nos mostra Amy viva e se vangloriando das consequências que seu marido vem sofrendo. Ela decide mudar o visual e ainda se alimentar de guloseimas contrariando a imagem da garota exemplar que antes mostrava para a sociedade. Em sua fuga ela relata o porque da sua ação e o que saiu errado com o casal perfeito. Interessante notar que as imagens do presente são do ponto de vista de Nick e as do passado são vistas pelos olhos de Amy, como se cada um dos envolvidos tivesse a chance de mostrar o seu lado da história.

Amy que até então era a inspiração da garota exemplar, livro de sucesso da editora de seus pais, e que de uma certa forma marcou toda a sua vida em tentar ser a mulher perfeita, mostra a sua sombra através da tentativa de incriminar seu marido pelo seu suposto assassinato e ela vai ainda mais longe quando se vê sem dinheiro para continuar o seu plano. Nesse momento de desespero ela contacta um dos seus admiradores para ajudá-la, mas novamente tem que criar outra estratégia para se safar da situação.

Do início ao fim David Fincher traz reviravoltas impressionantes na trama que deixa o público sem fôlego e sem saber em quem acreditar. Vale a pena notar que no começo da história quando Nick chega ao bar e doa uma caixa de jogo chamado "Mastermind" ali se vê uma dica do diretor dizendo que o filme é um jogo e conforme somos arremessados na rotina do casal vimos que isso é de extrema importância para os dois. Assim também como a perfeição é colocada em xeque desde o momento que o casal se conhecem e dão o primeiro beijo, naquele momento ao invés da neve, fenômeno natural, há o açúcar caindo sobre eles, algo artificial.

O diretor conduz de maneira eficaz a adaptação do best seller e traz um thriller emocionante em que cada detalhe é de extrema importância. As atuações são marcantes, tanto de Rosamund Pike que foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz de 2015, quanto de Ben Affeck que está exato para o papel. Uma pena não ter concorrido ao Oscar de Melhor Filme de 2015.
CineBlissEK




Curiosidades: 
  • Lista de filmes do diretor David Fincher: Os sete crimes capitais, A rede social, Zodíaco, Clube da Luta, Millenium - O homem que não amava as mulheres;

Ficha técnica: 

Garota Exemplar (Gone Girl)
2014, Estados Unidos
Direção: David Fincher
Roteiro: Gillian Flynn
Produção: Arnon Milchan, Ceán Chaffin, Joshua Donen, Reese Witherspoon
Fotografia: Jeff Cronenweth
Elenco: Ben Affeck, Rosamund Pike, Neil Patrick Harris, Tyler Perry