segunda-feira, 27 de abril de 2015

A paixão e suas diversas formas de manifestação


Um dos grandes sucesso de público e vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010 a produção argentina O segredo dos seus olhos do diretor Juan José Campanella (O filho da noiva), narra a jornada do oficial de justiça Benjamin Espósito (Ricardo Darín) quando este recebe o chamado de investigar o caso de estupro e assassinato de uma jovem casada. Meio a contragosto Espósito aceita a ocorrência, mas quando se depara com a cena do crime tem sua vida completamente mudada.

O filme descreve a investigação do crime em duas partes, quando ocorreu o assassinato em meados dos anos de 1970  e vinte e cinco anos depois, momento em que Espósito já aposentado decide escrever um livro sobre o delito brutal que marcou não só a sua vida, como também a do viúvo Ricardo Morales (Pablo Rago), que frequenta todos os dias a estação de trem na tentativa de encontrar o assassino de sua mulher.

Além de solucionar e prender o assassino, Espósito também tem que desvendar os segredos do próprio coração que lança faíscas a todo momento que é surpreendido pela presença da promotora Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil). Ela com todo seu charme o ajuda em sua busca pelo criminoso e em alguns momentos o acoberta. Nota-se que a personagem principal quer capturar o assassino, mas o que ele realmente quer é conquistar Irene. A jornada amorosa dos dois se torna tão evidente que no começo do filme na mesa de trabalho de Irene há apenas uma rosa no vaso e no final são duas rosas, o que indica sua intenção de se unir ao seu grande amor. 

A paixão é o elemento fundamental para toda história, pois é a ação motivadora tanto do assassinato quanto na descoberta do criminoso, uma vez que a pessoa não consegue abandonar a sua grande paixão, seja ela amorosa ou pelo time de futebol. 

Para quebrar a tensão e suavizar a narrativa há uma alta dose de humor negro nas falas das personagens, principalmente de Pablo Sandoval (Guillermo Francella) ajudante de Espósito, que é o alívio cômico da trama. A belíssima cena no estádio de futebol no jogo de um clássico argentino, também ajuda na diminuição da aflição causada pela carga dramática da história.  

A obra cinematográfica com perfeitas combinações de gêneros ora romance, suspense ou policial, emociona o público que se identifica com a personagem principal, em sua busca afetiva e na prisão do assassino.

O diretor Juan José Campanella traz nesse filme um roteiro bem estruturado, cenas de reviravoltas e ótimas interpretações, criando uma excelente obra cinematográfica de mistério, crime bárbaro e romance. 
CineBlissEK



Curiosidades: 
  • O segredo dos seus olhos foi o segundo filme argentino a levar a estatueta do Oscar o primeiro foi "A história oficial" de 1985;
  • Juan José Campanella e Ricardo Darín já havia trabalhado juntos no filme "O filho da noiva";
  • O filme é uma adaptação do romance "La pregunta de su ojos" de Eduardo Sacheri;

Ficha técnica: 
O segredo dos seus olhos (El secreto de sus ojos)
2009, Argentina
Direção: Juan José Campanella
Roteiro: Juan José Campanella
Produção: Mariela Besuievski
Fotografia: Félix Monti
Elenco: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Pablo Rago, Guilhermo Francella

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Confira os melhores filmes do diretor Woody Allen



Woody Allen reconhecido por seus personagens neuróticos, atrapalhados, inseguros, amedrontados, judeus e que riem de si mesmo, é hoje um dos grandes diretores do cinema mundial. Dono de um legado de mais de 40 obras cinematográficas, o cineasta que em 2015 completa 80 anos produz em média um filme por ano. Seu início de carreira vem dos palcos com o stand up, para depois se aventurar nas telas de cinema. Seus primeiros filmes tem características do tipo comédia pastelão (riso extraído de atrapalhadas que envolve movimentos físicos) para posteriormente se consolidar com as comédias sofisticadas, em que a base é o diálogo e várias referências culturais.

O diretor tem como marca registrada sua paixão pela cidade de Nova Iorque e em alguns de seus filmes realça essa idolatria ao comparar a cidade com outros lugares, em um de seus trabalhos recentes Tudo pode dar certo há até um passeio turístico por Nova Iorque. O relacionamento é um dos elementos que o diretor retrata em quase todas suas obras, os encontros casuais de suas personagens que resultam em história de amor, traição, brigas familiares ou até mesmo a morte. Esse último tema é algo extremamente discutido nos filmes do Woody Allen, ao ponto de em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa a personagem de Diane Keaton ao terminar o relacionamento com Allen diz que para separar os livros basta dar a ele todos com o tema da morte e o restante são dela.

Reconhecido por uma criatividade na obviedade, Woody Allen trabalha com a questão do encontro e não do amor, como alguns acreditam. Com sua visão niilista da sociedade, muitas de suas obras traz esse pessimismo da vida com o humor negro para suavizar e induzir a reflexão.

Vencedor de alguns Oscars o diretor geralmente não participa das premiações e uma de suas únicas aparições ao Oscar foi na celebração pós 11 de setembro para homenagear a cidade que tanto ama.

Para cativar mais fãs, o CineBlissEK fez uma lista com os dez melhores filmes do Woody Allen entre os 40 dirigidos, escritos e produzidos e torce para que outras pessoas também venham a apreciar as obras cinematográficas desse grande diretor.    


Noivo neurótico, noiva nervosa 
(Annie Hall), 1977


O primeiro grande sucesso do diretor Woody Allen, o filme narra a jornada do casal Alvy Singer (Woody Allen) e Annie Hall (Diane Keaton) desde do início do relacionamento com todo o encantamento até o término com as desilusões e mágoas. A história é contada de uma forma não linear e trás a todo momento referências culturais, ao ponto de ter a participação especial do pesquisador Marshall McLuhan. Além é claro das piadas com humor negro que conduzem a rotina do casal. O filme ganhou o Oscar de Melhor Filme de 1977 e é considerado uma das melhores comédias românticas por críticos do mundo todo.


Manhattan 
(Manhattan), 1979


O filme inicia-se com uma carta de amor para a cidade de Nova Iorque ao som de Raphosy Blue de George Gershwin. Woody Allen em Manhattan traz novamente a metrópole americana junto com seu personagem neurótico Isaac Davis que namora uma adolescente de 17 anos, mas depois se apaixona pela amante do amigo vivido pela atriz Diane Keaton. O filme cheio de reviravoltas mostra as complicações do relacionamento e como é difícil lidar com as separações amorosas.


Match Point
(Match Point), 2005


Filme rodado em Londres, narra a ascensão do jovem ambicioso Chris (Jonathan Rhys-Meyers) que vê no casamento com uma mulher rica  a forma ideal para ter dinheiro e poder, contudo seus deslizes com a amante sedutora Nola (Scarlett Johansson) o faz colocar em prática um plano um tanto quanto  extremo. O diretor traz nessa história um drama misturado com suspense e a crítica a alta sociedade com suas festas e discussões culturais.


Hannah e suas irmãs
(Hannah and her sisters), 1986



A história familiar retratada na cidade de Nova Iorque e suas mudanças de estações, mostra o domínio de uma irmã bem sucedida Hannah (Mia Farrow) sobre todos os outros membros da família, mas ao mesmo tempo sua fragilidade é exposta quando seu marido começa a ter uma caso com sua irmã. O filme também traz Woody Allen como um produtor de televisão que após ter a suspeita de câncer cerebral, decidi procurar uma religião. Na trama há elementos familiares, relacionamentos assim como cenas hilárias que rendem boas gargalhadas.


Poderosa Afrodite
(Mighty Aphrodite), 1995


O casal Lenny (Woody Allen) e Amanda (Helena Bonham Carter) decidem adotar um filho, anos depois o pai resolve saber quem é a mãe verdadeira da criança pois acredita que seu filho é um gênio. Contudo quando ele descobre que a genitora do menino é de uma prostituta, ele fica perplexo e se vê na obrigação de ajudá-la. Ponto alto do filme são as cenas em que músicos aparecem em um templo grego para narrar a história vestidos de deuses. Uma comédia recheada de piadas, típicas do humor de Allen.


Meia noite em Paris
(Midnight in Paris), 2011



Um dos grandes sucesso de público nos Estados Unidos, o filme começa com belíssimas cenas de Paris para retratar o amor que a personagem principal Gil Pender (Owen Wilson) sente pela cidade. O roteirista americano idolatra os escritores que viveram na cidade das luzes na década de 1920 e sonha em um dia ser um escritor. Em uma de suas caminhadas noturnas por Paris, Gil descobre um jeito de voltar no tempo e vivenciar a época de ouro que tanto admira, essa experiência faz com que ele avalie sua capacidade de escrita e também seu relacionamento com sua noiva Ines (Rachel McAdams) completamente diferente dele. O filme conta com um ótimo roteiro, cenas lindas de Paris, e aparições fantásticas de personagens representando Pablo Picasso, Salvador Dalí, Luis Buñel, Ernest Hemingway,  Scott e Zelda Fitzgerald.


Crimes e pecados
(Crimes and misdemeanors), 1989


O oftalmologista Judah Rosenthal (Martin Landau)  ao ser ameaçado pela amante Dolores (Anjelica Huston) de revelar o caso amoroso à esposa, decide junto com seu irmão mafioso a tomar uma ação drástica para resolver a situação e continuar com sua vida. Paralelamente o diretor Cliff Stern (Woody Allen) vive seus dias de crise entre fazer um documentário com um professor de filosofia ou com um comediante renomado mas que lhe causa repulsa.


Vicky Cristina Barcelona 
 (Vicky Cristina Barcelona), 2008


Duas jovens americanas Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) decidem passar suas férias na ensolarada Barcelona, Vicky com seu temperamento conservador está noiva e gosta de sua vida toda certa sem tropeços para nada, já Cristina é completamente o contrário, aprecia aventuras e busca algo que nem ela mesma sabe o que. Quando as duas conhecem o sedutor pintor espanhol Juan Antonio (Javier Barbem) ambas se sentem atraídas por ele, mas cada qual do seu jeito. Cristina vai morar com ele, mas tudo muda quando sua ex-mulher, Maria Elena (Penelope Cruz) após tentar suicídio se vê morando na mesma casa do casal. Repleto de reviravoltas, o filme faz um tour por Barcelona com suas personagens confusas e seus relacionamentos caóticos. 


A rosa púrpura do Cairo
(The purple rose of Cairo), 1985



A inocente garçonete Cecília (Mia Farrow) passa suas horas de folga no cinema assistindo o mesmo filme inúmeras vezes. Em uma das sessões a personagem principal do filme interpretado por Jeff Brigdes sai da tela para conhecer Cecília. Os dois acabam se apaixonando, mas a personagem sente a pressão de ter que voltar para as telas do cinema. O diretor Woody Allen nesse filme trabalha com a questão da realidade x fantasia. 


Memórias
(Stardust Memories), 1980


O cineasta Sandy Bates (Woody Allen) durante a gravação de um filme vive seu período de crise por não querer ser mais engraçado. Junto com as pressões do relacionamento, executivos e alucinações ele questiona a vida e busca por um motivo para continuar a viver. Assim como Federico Fellini gravou o clássico 8 e meio que narra a crise existencial de um diretor de cinema, Woody Allen também quis retratar esse meio e dialogar com o universo felliniano.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Para a jornada do herói precisa-se de um vilão à sua altura, CineBlissEK seleciona os melhores do cinema



Uma boa história seja na literatura quanto no cinema há na maioria das vezes a personagem do vilão, aquele interprete que dedica seu tempo a ir contra a jornada do herói através de planos que envolve à morte, à destruição ou à derrota do protagonista. Esse inimigo é caracterizado como o arquétipo da Sombra que tem como função na dramaturgia em desafiar o jovem corajoso e ser um oponente em sua aventura. O papel do vilão é criar conflitos e fazer com que o herói evolua em sua caminhada.

Alguns vilões cinematográficos marcaram a história do cinema ao conquistar o telespectador e se tornarem figuras idolatradas por milhares de fãs ao redor do mundo. Em consideração a essas personagens de máscaras ou fisionomias estranhas o CineBlissEK elege os vilões mais adorados da telona e entende que para um drama ser bom, necessita-se da imagem nem sempre carismática da Sombra para gerar ação e emoção na vida do herói.

Darth Vader (David Prowse)
Filme: Guerra nas estrelas (Star Wars)

O vilão mais famoso e pop da galáxia como foi classificado pela revista Rolling Stones, Darth Vader caiu na graça dos telespectadores ao redor do mundo e se tornou alvo de idolatria por milhares de fãs. Em sua busca por dominar a galáxia a personagem teve que duelar com o jedi Luke Skywalker que ao mesmo tempo era o seu próprio filho.




O coringa (Heath Ledger)
Filme: Batman - O cavaleiro das trevas (Batman - The dark knight)

A personagem do Coringa já havia sido interpretada em outra versão de Batman pelo ator Jack Nicholson, mas foi com o ator Heath Legder que essa figura ganhou um impacto maior perante o telespectador e assumiu o trono da melhor interpretação do Coringa. Esse vilão do crime ao ajudar os mafiosos da cidade de Gothan provoca a confusão pelo simples fato de se considerar um agente causador do caos.




Hannibal Lecter (Anthony Hopkins)
Filme: O silêncio dos inocentes (The silence of the lambs)

O filme teve duas continuações, uma delas com a participação do ator Anthony Hopkins, mas nada supera a sua primeira aparição em O silêncio dos inocentes. Hannibal Lecter, o psiquiatra preso por comer seus pacientes, ajuda a detetive do FBI Clarice, interpretada pela atriz Jodie Foster a prender um serial killer solto que não cansa de fazer vítimas. Em suas conversas Clarice e Lecter criam um laço de cumplicidade mas ao mesmo tempo a jovem teme por sua própria vida. A focinheira utilizada pelo canibal reforça seu perigo à sociedade.




Jack (Jack Nicholson)
Filme: O iluminado (The shining)

Esse filme mostra a premissa da figura da Sombra e seu desenvolvimento quando encontra um ambiente propício para dominação. Um escritor desempregado interpretado por Jack Nicholson assume um trabalho de copeiro junto com sua família em um hotel isolado e vazio. Contudo esse hotel traz elementos misteriosos que conduzem o escritor a se tornar um vilão e querer matar sua própria família.


Voldermort (Ralph Fiennes)
Filme: Harry Potter 

A saga de seis livros e sete filmes narra a jornada do herói do mundo mágico Harry Potter ao combater o seu maior inimigo Voldermort, que após o fracasso da primeira tentativa de matar Harry Potter quando bebê, ressurge anos depois para duelar com o jovem e assumir de vez a posição de líder da comunidade mágica. Voldermort conta com a ajuda de seus seguidores e de sua varinha mágica para duelar com os feiticeiros que vão contra os seus planos. 



A bruxa Malvada do Oeste ( Margaret Hamilton) 
Filme: O mágico do Oz (The wizard of Oz)

Em sua jornada pelo mundo de Oz a jovem Dorothy interpretada por Judy Garland precisa lutar contra a bruxa Malvada do Oeste que jura vingança a ela quando vê sua irmã morta pela chegada de Dorothy. A vilã utiliza de vários mecanismos para atrasar a ida da jovem até o mágico de Oz e assim não permitir o retorno dela para sua morada.



quinta-feira, 9 de abril de 2015

Através de olhares poéticos "Abril Despedaçado" retrata a dura realidade de famílias inimigas no sertão nordestino



Em 1910 num solo nordestino consumido pela seca, duas famílias duelam por gerações para conquistar cada pedaço de terra, guiados pelo lema "olho por olho e dente por dente" eles permanecem em um ciclo vicioso de matanças e não veem alternativa para encerrar essa guerra. Essa triste e dura realidade da região Nordeste do Brasil é narrada no filme Abril Despedaçado do diretor brasileiro Walter Salles (Central do Brasil e Diários de motocicleta).
 
A obra cinematográfica começa com a morte do filho mais velho da família Breves pelo inimigo territorial, para cumprir a tradição o pai intima seu outro filho Tonho (Rodrigo Santoro) a vingar-se do assassinato assim que a camisa usada pelo falecido apresentar a coloração amarela, esse tempo de espera é uma regra que as famílias estabeleceram. O jovem aceita seu chamado para revanche em matar um membro da família inimiga, mas após o comprimento do seu dever começa a questionar a lógica de tanta violência. Pois na linha de sucessão de mortes, ele se torna o próximo da lista para a outra família cumprir com a obrigação da vingança. No funeral do falecido, Tonho consegue como trégua o período do amarelamento da camisa do morto, e após disso ele terá que vigiar a todo momento por sua vida. O pai do defunto esclarece para o jovem que cada segundo é um segundo a menos na vida dele.

O caçula dos Breves, Menino - que no decorrer do filme ganha o nome de Pagu por ser apaixonado pelo mar (Ravi Ramos Lacerda) - com uma personalidade mais questionadora ajuda Tonho a buscar por um novo caminho em sua vida e quebrar esse ciclo que atormenta sua família. A chegada da bela Clara (Flávia Marco Antonio) em um circo itinerante também é um fator importante para impulsionar a nova jornada do herói Tonho. Como o próprio nome da personagem Clara indica, ela representa uma luz para a vida dele pois traz em sua bagagem existencial a aura do feminino (que é ínfima da vida do jovem devido a falta de voz ativa da mãe), da aventura, do lúdico através do circo e acima de tudo da liberdade.  

A questão da liberdade para a personagem principal se torna tão evidente que é retratada em duas cenas marcantes, uma junto de seu irmão Menino-Pagu que ao invés de ser balançado por Tonho no balanço, cede seu lugar para que o último venha a sentir o ar da liberdade, a cena é de extrema beleza pois traz o contraste da terra dura e seca com o céu azul. Já o outro momento é apresentado quando Clara se pendura em uma corda e Tonho a balança no ar. Simbolicamente essas duas situações representam uma libertação do domínio paterno sobre Tonho e anseios de se ver livre dessa triste tradição. 

Nesse filme a jornada do herói não é de uma personagem, mas de duas, Tonho e Menino-Pagu que se unem para desatar o nó desse lastimável legado familiar. O jovem com seus anseios de se aventurar com o circo e o menino com sua imaginação em busca pelo mar. 

A todo momento a trama traz elementos da questão do tempo, seja no relógio na cena do funeral em que o pai do morto diz a Tonho que cada segundo é menos um segundo em sua vida, como também nas imagens da roda, do maquinário de trabalho e do balanço. 

Um filme que causa imensa emoção ao expor a realidade de uma família no sertão nordestino, e a falta de opções para um caminho diferente ao qual na linguagem simbólica é representado pelo maquinário da produção da rapadura, que gira, gira mais não sai do lugar. É interessante notar que essa mesma rapadura, forma de subsistência da família é o retrato da realidade deles, dura feita uma pedra.

Walter Salles nessa obra cinematográfica traz elementos do modelo de se fazer cinema no Brasil através da estética da fome que teve como precursor o diretor Glauber Rocha.  O cineasta descreve a história com imagens tão belas que se torna uma poesia aos olhos do público e atuações marcantes que deixa qualquer pessoa emocionada com a jornada desses dois irmãos que se completam e se tornam um. 
CineBlissEK







Curiosidades: 
  • Antes de se tornar atriz Flávia Marco Antonio trabalhava em circo, em Abril Despedaçado faz sua estreia no cinema;

Ficha Técnica:

Abril despedaçado (Abril despedaçado)
2001, Brasil
Direção: Walter Salles
Roteiro: Daniela Thomas, Karim Ainouz, Sergio Machado
Produção: Arthur Cohn
Fotografia: Walter Carvalho
Elenco: Rodrigo Santoro, José Dumont, Luiz Carlos Vasconcelos, Wagner Moura, Ravi Ramos Lacerda, Flávia Marco Antonio

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Em homenagem a Stanley Kubrick que está na Mostra do Caixa Belas Artes, o CineBlissEK seleciona os cinco melhores filmes do diretor


O cinema Caixa Belas Artes na Avenida Consolação em São Paulo está com uma Mostra em homenagem a um dos maiores cineastas, o americano Stanley Kubrick. A Mostra que acontece entre os dias 3 a 8 de abril traz os últimos filmes do diretor para deleite do telespectador que admira esse gênio do cinema.

Stanley Kubrick (1928-1999) que é considerado pelos críticos como perfeccionista e obsessivo tinha como padrão repetir diversas vezes a tomada de uma cena até conseguir chegar a perfeição. O legado do diretor foi a habilidade de dirigir filmes de diversos gêneros como: ficção científica (2001 - Uma odisseia no espaço, 1968); terror (O iluminado, 1980); guerra (Nascido para matar, 1987); filme de época (Barry Lyndon, 1975); épico (Spartacus, 1960); sátira (Dr. Fantástico, 1965); drama (De olhos bem fechados, 1999); violência urbana (Laranja mecânica, 1971) entre outros.

Seguindo a Mostra do Caixa Belas Artes o CineBlissEK seleciona os cinco melhores filmes do diretor que com sua precisão técnica é considerado como um dos mais completos, inovadores e influentes cineastas da história cinematográfica.


2001 - Uma odisseia no espaço 
(2001 - A space odyssey), 1968

Considerado por muitos como um dos maiores filmes já feito na história do cinema, o clássico de ficção científica narra em três períodos a evolução do ser humano, desde os primórdios com os macacos até o mais avanço tecnológico do homem com a nave Discovery controlada pelo computador Hal. O desenvolvimento de cada estágio acontece com a descoberta do monólito. 
Um filme repleto de efeitos especiais, imagens belíssimas e a abordagem de questões filosóficas e religiosas.



O iluminado
(The shining), 1980

Baseado no best-seller do autor Stephen King o filme narra a jornada de um escritor desempregado e sua família quando este consegue um emprego como caseiro de um hotel assombrado durante a baixa temporada. Conforme o inverno se torna rigoroso o escritor começa a sentir de um forma assustadora o isolamento e se torna um perigo para sua própria família.



De olhos bem fechados
(Eyes wide shut), 1999

O último filme do diretor traz a história de um casal de classe econômica alta envolvidos num jogo de sedução, ciúmes e mistérios. De um lado a mulher com suas revelações de se sentir atraída por outros homens e do outro o marido em busca de relações extraconjugais. 



Laranja Mecânica
(Clockwork orange), 1971

Um grupo de jovens delinquentes se aventuram pelas ruas de uma Inglaterra futurística à procura de atos violentos, contudo em um de seus crimes o líder é preso e submetido a uma reeducação na prisão. Os ensinamentos baseado na técnica de reflexos condicionados busca exterminar o instinto violento do jovem que é colocado à prova quando este consegue a liberdade.
                                     
                             


Nascido para matar
(Full metal jacket), 1987

O filme narra o treinamento de jovens americanos para combater na Guerra do Vietnã, o sargento responsável por essa preparação utiliza de técnicas cruéis e fanáticas o que acaba produzindo soldados parecidos com máquinas de matar.