quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A jornada familiar de "Capitão Fantástico" encanta com a busca em romper com as instituições


Com inúmeras críticas, a sociedade capitalista é o modo de vida da maioria da população mundial, escapar dessa forma de viver é algo um tanto quanto utópico, mas não impossível, pelo menos no longa-metragem "Capitão Fantástico" (2016), de Matt Ross, que estreia hoje nas salas de cinema do país. Em sua empreitada anticapitalista com ares romântico, o diretor introduz a figura do herói em Ben (Viggo Mortensen), um homem de família, pai de seis filhos, que abdicou da vida em sociedade para criar sua prole no meio da floresta, sem contato com a civilização. 

Nesse ambiente de contato direto com a natureza, os filhos são educados de uma forma peculiar, caçam seus próprios alimentos, discutem teorias e ideologias de modo reflexivo, meditam e exercitam-se no âmago da mata, realizam rituais de passagem e, ao invés de assistirem televisão, conversam num círculo familiar com uma fogueira no centro. Aparatos de extrema simbologia do universo mitológico, deixado de lado pelo homem civilizado.  

Essa família de modo de vida singular, recebe o chamado para aventura, quando são informados do falecimento da mãe. Em razão das escolhas feitas até então, Ben é proibido pelo pai da esposa, de comparecer ao funeral. No entanto, com a disposição dos filhos de afrontar esse veto, eles embarcam numa viagem rumo ao contato com um mundo completamente diferente do habitual. Estar presente para despedir-se da mãe é apenas o estopim, comparado ao descobrimento de outros aspectos da realidade, ao qual estão inseridos.  

O ator Viggo Mortensen, está soberano e encantador como pai protetor, amoroso e de um certo modo autoritário. Assim como seus filhos são expostos a um outro modo de vida, Ben também é direcionado para um processo de transformação, ao confrontar as escolhas feitas em prol do bem familiar. Vale destacar, que por esse papel, o ator foi indicado para o Globo de Ouro de Melhor Ator 2017. 

A fotografia da narrativa é de saltar os olhos, com imagens caprichadas das rodovias americanas versus a natureza dando vazão para a presença da luz natural. Concomitantemente, o roteiro também assinado pelo diretor, está preciso e cativante nessa jornada de descobertas de toda uma família.
CineBlissEK
*Visto durante o Festival do Rio 2016



Ficha Técnica: 

Capitão Fantástico (Captain Fantastic)
2016, Estados Unidos
Direção: Matt Ross
Roteiro: Matt Ross
Produção: Jamie Patricof, Lynette Howell Taylor, Monica Levinson, Shivani Rawat
Fotografia: Stéphane Fontaine
Elenco: Viggo Mortensen, Frank Langella, George MacRay, Kathryn Hahn, Steve Zahn

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

CineBlissEK apresenta a lista com os 10 melhores filmes de 2016


Mais um ano prestes a dar adeus, só que antes desse final, não poderia faltar a tão aguardada lista dos melhores filmes de 2016 do blog CineBlissEK. Vale lembrar, que a seleção foi elaborada com as estreias realizadas no período de dezembro de 2015 a novembro de 2016. O método utilizado para as escolhas, foi puramente pessoal, destacando filmes de diferentes nacionalidades - incluído Brasil -, um blockbuster e também uma animação. Confira a lista com os 10 melhores longas-metragens de 2016: 


Elle (Elle)
2016, França/Alemanha/Bélgica
Direção: Paul Verhoeven
Roteiro: David Birke
Elenco: Isabelle Huppert, Laurent Lafitte. Anne Consigny, Charles Berling, Virginie Efira 



Carol (Carol) 
2015, Estados Unidos
Direção: Todd Haynes
Roteiro: Phyllis Nagy
Elenco: Cate Blanchett, Rooney Mara, Kyle Chandler, Sarah Paulson

  

A comunidade (Kollektivet)
2016, Dinamarca
Direção: Thomas Vinterberg
Roteiro: Thomas Vinterberg, Tobias Lindholm
Elenco: Ulrich Thomsen, Trine Dyrholm, 
Leia mais sobre o filme em: A comunidade



Aquarius (Aquarius)
2016, Brasil
Direção: Kleber Mendonça Filho
Roteiro: Kleber Mendonça Filho
Elenco: Sonia Braga, Irandhir Santos, Humberto Carrão
Leia mais sobre o filme em: Aquarius



Star Wars: O despertar da força (Star Wars: The force awakes)
2015, Estados Unidos
Direção: J.J. Abrams
Roteiro:  J.J. Abrams, Lawrence Kasdan, Michael Arndt
Elenco: Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Harrison Ford, Carrie Fisher



Julieta (Julieta)
2016, Espanha
Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Alice Munro, Pedro Almodóvar
Elenco: Emma Suárez,Adriana Ugarte, Darío Grandinetti



Filho de Saul (Saul fia)
2015, Hungria
Direção: László Nemes
Roteiro:  Clara Royer, László Nemes
Elenco: Géza Rohring, Amitai Kedar, Attila Fritz



As montanhas se separam (Shan He Gu Ren)
2015, China
Direção: Zhang-ke Jia
Roteiro: Zhang-ke Jia
Elenco: Tao Zhao, Lian Jingdong, Sylvia Chang, Yi Zhang 
Leia mais sobre o filme em: As montanhas se separam



Anomalisa (Anomalisa)
2015, Estados Unidos
Direção: Charlie Kaufman, Duke Johnson
Roteiro:  Charlie Kaufman
Elenco: David Thewlis, Jennifer Jason Leigh, Tom Noonan



Os oito odiados (The Hateful Eight)
2015, Estados Unidos
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Elenco: Jennifer Jason Leigh, Samuel L. Jackson, Tim Roth, Michael Madsen, Kurt Kussell, Walton Goggin

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

"Quando o dia chegar" sensibiliza e provoca reflexões sobre determinados métodos educacionais


Baseado em fatos reais, o novo filme do diretor dinamarquês, Jesper W. Nielsen (Através do espelho) "Quando o dia chegar" (2016), retrata a efervescência de Copenhague no final da década de 1960, com a jornada dos irmãos Erik (Albert Rubbeck Lindahardt) e Elmer (Harald Kaiser Hermann), 13 e 10 anos respectivamente, quando estão prestes a serem entregues ao orfanato Gudbjerg, por motivos de enfermidade da mãe.

Nessa instituição governamental, a dupla logo depara-se com a maneira rígida e violenta do diretor Heck (Lars Mikkelsen) de impor sua ordem. A forma como ele conduz o local cercado da presença masculina, não é questionado por nenhum membro. Pelo contrário, é seguido da mesma maneira perversa e brutal. Uma das únicas presença feminina no ambiente, é a professora Laerer (Sofie Grabol), que testemunha às atrocidades, porém sem mecanismos para socorrer esses meninos.

Erik e Elmer, são advertidos por alguns garotos para tornarem-se fantasmas, ou seja, não chamarem atenção de ninguém. Todavia, com a coragem do primeiro e a esperança do segundo, eles embarcam numa jornada de acreditar ser possível sair desse local. Em cada tentativa de fuga sem sucesso,  eles recebem punições ainda mais cruéis.

O longa, evoca de uma maneira sutil, o filme "Um sonho de liberdade" (1994), em que o personagem principal, Andy Dufresne (Tim Robbins), mesmo sofrendo diversas formas de violências, não deixa de perder a esperança de sair da prisão. Observa-se essa energia por parte dos irmãos, em particular Elmer, o mais inteligente e sonhador. O mesmo, anseia por ser astronauta, e através de sua imaginação criativa, faz referência a outra narrativa, "2001 - Uma odisseia no espaço" (1968).

Com um roteiro bem estruturado e preciso, o filme propõe uma forte discussão sobre o perfil de cidadão que se planeja educar para a vida em sociedade, quando a palavra de ordem vem através da brutalidade. No âmago de crianças carentes de amor, com olhares cabisbaixos de medo, o modo escolhido por Gudbjerg foi da violência física e psicológica.
CineBlissEK
*Visto durante a 40ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo



Ficha técnica: 

Quando o dia chegar (Der Kommer en Dag)
2016, Dinamarca
Direção: Jesper W. Nielsen
Roteiro: Søren Sveistrup
Produção: Louise Vesth, Peter Aalbæk Jensen, Sisse Graum Jørgensen
Fotografia: Erik Zappon
Elenco: Sofie Grabol, Lars Mikkelsen, Albert Rubbeck Lindahardt, Harald Kaiser Hermann