segunda-feira, 28 de setembro de 2015

"Frances Ha" aborda de forma divertida e simpática a jornada de uma bailarina sem talento em Nova Iorque



Os adultos geralmente vem com aquela perguntinha supostamente ingênua para crianças indagando o que eles gostariam de ser quando crescerem, dificilmente se ouve "eu não sei", pelo contrário meninos e meninas respondem com alguma ideia de profissão. No entanto, o caminho para se chegar até esse sonho (ao qual muitas vezes muda) pode ser complicado, confuso ou incerto. Alguns tiram de letra escolher o ofício por toda vida, já para outros o saber até pode ser algo certo, mas como obter o reconhecimento e sucesso é outra conversa, principalmente quando não se tem um objetivo concreto de vida. Esse premissa é o ponta pé inicial para o filme "Frances Ha" (2012) do diretor Noah Baumbach (Enquanto somos jovens; A lula e a baleia) escrito por ele e pela atriz principal Greta Gerwig. 

A bailarina Frances (Greta Gerwig) vive em Nova Iorque em busca do sonho de ser uma dançarina profissional, enquanto a realização desse ideal não ocorre ela ensina balé para crianças e tenta em alguns momentos ser pró-ativa em procurar por oportunidades dentro da escola de dança. Porém seu talento é algo duvidoso, o que dificulta ter a chance de demonstrar sua possível potencialidade e encontrar seu lugar no ambiente que lhe dá prazer, os palcos. 

A questão do lugar é fortemente demarcado no decorrer do filme, tanto pelo lado profissional quanto de moradia, pois Frances devido às suas condições financeiras precisa mudar de endereço por várias vezes. Primeiramente, com sua melhor amiga Sophie (Mickey Sumner) companheira de troca de intimidades e camaradagem, mas que decide deixar Frances para trás por querer morar em um apartamento melhor. Devido a esse fator, a bailarina muda-se para um apartamento descolado de dois rapazes, ao qual um deles passa os dias tentando reescrever roteiros de seriados, contudo sem um projeto de vida o que o identifica com Frances. Por motivos de dinheiro, a jovem desloca-se novamente de endereço e isso ocorre em outras circunstâncias durante a narrativa. 

Frances em sua jornada de se tornar uma dançarina, não tem realmente um plano de vida comparado com alguns de seus amigos, no entanto ela não se deixa intimidar, com seu jeito desengonçado e sem a delicadeza de uma bailarina, ela passa o filme quase todo correndo sem saber ao certo que rumo seguir, onde se encaixar nesse mundo. Seu conflito interno em buscar por sua identidade e espaço é retratado de uma maneira divertida e simpática o que conquista o público. 

Para dar suporte as incertezas dessa caminhada pessoal, Frances conta com um time de amigos que lhe trazem apoio e ajuda para essa transformação. Esse questão é sugerida logo no começo do filme quando Frances e Sophie correm para o metrô e leem-se a indicação para Broadway, essa imagem é como uma dica do diretor em posicionar o público sobre a história ser voltada para o interior da personagem em busca de expressar-se nos palcos da Broadway com a companhia de amigos.

O que torna "Frances Ha" interessante é o caminho traçado do roteiro e direção de sair dos clichês do romantismo para trazer uma obra cinematográfica original, com profundas discussões sobre pessoas que não "dançam" de acordo com as normas da sociedade, mas de um jeito próprio e singular. Essa abordagem é feita de uma maneira alegre, divertida e emocionante. A espontaneidade da atriz Greta Gerwig em dar vida a Frances Ha, heroína carismática e sonhadora é tão contagiante que com certeza cativa milhares de pessoas em todo mundo, cuja identificação ou vontade de fazer a mesma jornada é similar.  
CineBlissEK



Ficha técnica: 

Frances Ha (Frances Ha)
2012, Estados Unidos
Direção: Noah Baumbach
Roteiro: Noah Baumbach, Greta Gerwig
Produção: Lila Yacoub, Noah Baumbach, Rodrigo Teixeira, Scott Rudin
Fotografia: Sam Levy
Elenco: Greta Gerwig, Mickey Sumner, Adam Driver

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O confronto de duas gerações em "Que horas ela volta?" é o filme selecionado para representar o Brasil no Oscar 2016


"Que horas ela volta?" da diretora Anna Muylaert é o filme brasileiro selecionado pelo MinC para representar o Brasil na corrida ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2016. A narrativa estrelada pela atriz Regina Casé como a emprega doméstica Val, retrata o confronto de duas gerações no âmbito familiar, social, cultural e econômico através das mudanças ocorridas no Brasil nos últimos anos. A história vista em vários lares brasileiros como algo comum, traz um certo desconforto ao ser discutida na telona ao mesmo tempo que emociona e proporciona diversas reflexões.

A pernambucana Val ao mudar de sua cidade natal, deixa para trás sua filha Jéssica (Camila Márdila) aos cuidados de outra pessoa para tentar uma vida melhor na metrópole. Em São Paulo, ela consegue um trabalho como praticamente uma "faz tudo" (babá, emprega, cozinheira) em uma família de classe média no Morumbi. Sua vida é voltada para cuidar do bem estar dos patrões e ainda fazer o papel de mãe para o jovem Fabinho (Michael Joelsas) desde sua infância. A cumplicidade e afeto entre os dois é tão intensa que em vários momentos, Fabinho prefere estar ao lado de Val do que de sua própria mãe, Bárbara (Karine Teles). 

A rotina desse núcleo familiar mais Val muda completamente quando a filha dela decide ir para capital para prestar vestibular na USP no curso de arquitetura e urbanismo. No entanto, por morar no próprio trabalho, Val pede aos seus empregadores se há a possibilidade de Jéssica ficar com ela um tempo até achar um lugar para residir, com o discurso de "você é praticamente da família", ela consegue a permissão de hospedar sua filha no quartinho de empregada.

Antes mesmo da chegada de Jéssica, a diretora Anna Muylaert já indica através de metáfora como a vinda da jovem causa estranheza por esta não se encaixar no sistema existente. No caso, Val presenteia Bárbara com um conjunto de xícaras preto e branco, uma bandeja e uma garrafa térmica, quando senta na cozinha para organizar os itens, Val não consegue encaixar a garrafa na bandeja junto com as xícaras e pires postas invertidas, ela confabula por vários minutos a opção de espaço para essa garrafa. Essa falta de lugar num espaço estabelecido, é justamente o papel de sua filha na casa de seus patrões, pois com a chegada de Jéssica há o questionamento dela com uma certa ingenuidade sobre as proibições estabelecidas na casa do que pode e não fazer.

Esse fator de impedimentos é constantemente demarcado no filme, seja através do sorvete de Fabinho que Jéssica não pode comer, do veto de sentar na mesa dos patrões para fazer as refeições ou até mesmo em proibir nadar na piscina. Essa última acaba gerando uma das cenas mais belas da narrativa, pois as duas estão ao lado da piscina em pleno verão e Jéssica pergunta se alguma vez Val entrou na água, esta diz claro que não, como se fosse a coisa mais correta a ser feita, enquanto que Jéssica não compartilha dos mesmos sentimentos e acaba entrando na primeira oportunidade quando o filho do casal junto de um amigo jogam ela na água. A situação se torna tão indigesta para a Bárbara que ela decidi limpar a piscina com o suposto motivo de aparição de rato. 

A jornada entre mãe e filha coloca em evidência os adventos econômicos do país, pois enquanto na época de Val os imigrantes nordestinos viajam para São Paulo em busca de trabalhos sem muita valorização, a geração de sua filha migra para a cidade grande à procura de uma qualidade de vida melhor vinda do estudo de um curso superior. Jéssica chega na capital paulista com objetivos claros de prestar o vestibular e acima de tudo com conhecimentos iguais ou superiores à família do Morumbi. Essa qualificação faz dela um retrato de uma nova geração de jovens vindos de classes mais baixas com condições de competir por vagas nas melhores universidades do país.

Justamente por estar fora desse padrão entre empregado x empregador, Jéssica traz um despertar para Val ao lhe questionar da onde ela aprendeu a ideia de "não pode isso, não pode aquilo" pois isso para ela não faz sentido, já para a mãe é algo que não se aprende, mas nasce sabendo. A presença de Jéssica na vida de Val proporciona transformações profundas na vida desta emprega doméstica, e auxilia para o renascer dessa personagem tão característica nas casas brasileiras. O momento da entrada de Val na piscina indica sua aceitação as mudanças internas e principalmente em agarrar sua vida de uma forma mais humana e igualitária. 

O filme privilegia o público com interpretações magníficas de Regina Casé e Camila Márdila, na qual ambas trazem naturalidade e espontaneidade para cada cena, sendo umas até cômicas. Esse fator é primordial para aliviar a tensão e dificuldade de trabalhar com um tema ainda delicado no Brasil que é a questão de classes sociais. Ponto positivo para a diretora que através de uma jornada entre mãe e filha consegue propor uma história com fundo político e social possível de reflexões e ricas discussões.
CineBlissEK




Ficha Técnica: 

Que horas ela volta?
2015, Brasil
Direção: Anna Muylaert
Roteiro: Anna Muylaert
Produção: Anna Muylaert, Débora Ivanov, Caio Gullane, Fabiano Gullane
Elenco: Regina Casé, Camila Márdila, Lourenço Mutarelli, Michael Joelsas  

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Começa amanhã o 48º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro


Começa amanhã o 48º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro que ocorre até 22 de setembro na capital do país. O filme de abertura desta edição será "Um filme de cinema" de Walter Carvalho  e para a festa de encerramento será exibido o longa "Até que a casa caia" do diretor Mauro Giuntini.

Entre os concorrentes ao prêmio de longa metragem há seis títulos na disputa, como: "Prova de coragem" de Roberto Gervitz; "Para minha amada morta" de Aly Muritiba e "A família Dionti" de Alan Minas. Na versão curta metragem estão 12 obras como: "O sinaleiro" de Daniel Augusto; "A outra margem" de Nathália Tereza e "História de uma pena" de Leonardo Mouramateus.

Já para o Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal há a seleção de 18 filmes (quatro longas metragens e 14 curtas), cujas exibições serão de 17 a 21 de setembro no Cine Brasília às 17h00 com entrada gratuita. Os filmes selecionados concorrerão a 14 prêmios, escolhidos tanto pelo júri oficial quanto popular.

Para maiores informações acesse: Festival de Brasília

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

CineBlissEK faz uma lista de 10 filmes brasileiros para assistir no feriado da Independência



Na próxima segunda-feira 7 de setembro, sucede o feriado da Independência do Brasil, momento histórico do país pois celebra a emancipação das relações entre Portugal e Brasil ocorrida em 1822 na cidade de São Paulo. Para homenagear esse memorável fato da história brasileira, o CineBlissEK seleciona alguns filmes nacionais que tiveram destaque no meio cinematográfico, seja por premiações em festivais, boas arrecadações de bilheteria ou por terem representados aspectos importantes da cultura nacional. Vale a pena conferir cada um deles e aproveitar o feriado juntinho da sétima arte visto pelos olhares do povo brasileiro. 


Abril despedaçado 
Direção: Walter Salles, 2001
Elenco: Rodrigo Santoro, José Dumont, Ravi Ramos Lacerda


Em plena seca do sertão Nordestino vive os Breves, uma família composta de quatro pessoas que duelam por terras com uma família rival, esses embates ocasionam mortes de ambas as partes por gerações. Nessa rivalidade, o jovem Tonho (Rodrigo Santoro) recebe como missão vingar-se da morte do irmão, assim que realiza esse feito é condenado ao fim de sua vida. Ao sentir a presença do falecimento, Tonho começa a questionar o sentido de toda essa violência e conta com o apoio de seu irmão mais novo Pacu (Ravi Ramos Lacerda) para seguir o coração e quebrar com o ciclo de mortes.
Leia mais detalhes do filme em: Abril Despedaçado


Amarelo Manga
Direção: Cláudio Assis, 2002
Elenco: Matheus Nachtergaele, Dira Paes, Jonas Bloch, Chico Díaz, Leona Cavalli


No subúrbio da capital pernambucana situa-se diversos personagens atípicos que são conduzidos em suas histórias pessoais pelo lado selvagem e instintivo do ser humano. Cada uma dessas figuras, encontram-se regularmente no botequim de uma mulher amarga que costuma ser assediada pelos frequentadores. Esses heróis marginalizados e contraditórios seguem seus destinos à risca não importando com a crueldade ou violência.  



Carlota Joaquina, princesa do Brasil
Direção: Carla Camurati, 1995
Elenco: Marieta Severo, Marco Nanini, Marcos Palmeiras


O filme conta a história da jovem espanhola Carlota Joaquina (Marieta Severo) ao ser entregue para casar-se com o príncipe de Portugal Dom João (Marco Nanini). No casamento Carlota percebe que seu marido apenas pensa em comer e se decepciona com suas atitudes, dessa forma ela busca saciar seus desejos sexuais com vários amantes. Com o surgimento de Napoleão Bonaparte na Europa, o casal foge de Portugal com toda a corte para uma de suas colônias chamada Brasil. 


Central do Brasil
Direção: Walter Salles, 1998
Elenco: Fernanda Montenegro, Marília Pêra, Vinícius de Oliveira


Um dos filmes mais reconhecidos mundialmente, "Central do Brasil" narra a história de Dora (Fernanda Montenegro), uma mulher que escreve cartas para pessoas analfabetas e depois costuma jogá-las no lixo. Seu chamado a aventura surge na figura do menino Josué (Vinícius de Oliveira) que ao perder a mãe fica sozinho no mundo. Dora decide vender o garoto para traficantes de crianças, porém muda de ideia e decide ajudar Josué a encontrar o pai no sertão nordestino.  


Cidade de Deus
Direção: Fernando Meirelles e Kátia Lund, 2002
Elenco: Alexandre Rodrigues, Leandro Firmino da Hora, Seu Jorge, Matheus Nachtergaele


Cidade de Deus conjunto habitacional carioca na década de 1960, torna-se o cenário para narrar a vida de dois garotos: Buscapé (Alexandre Rodrigues) e Dadinho/ Zé Pequeno (Leandro Firmino da Hora). Cada um segue destinos completamente diferentes, Dadinho transformar-se um dos maiores traficantes de droga da favela enquanto que Buscapé sonha em ser um fotógrafo. O último acaba sendo o narrador dos acontecimentos mais importantes da Cidade de Deus, as traições, mortes, festas e rivalidades de gangues.  



O bandido da luz vermelha
Direção: Rogério Sganzerla, 1968
Elenco: Paulo Vilaça, Helena Ignez, Luiz Linhares, Fagano Sobrinho,



O movimento cinematográfico brasileiro chamado de cinema marginal tem no filme "O bandido da luz vermelha" o seu maior exemplo. A história conta a jornada de um bandido que assalta casas de luxo em São Paulo. Em seus assaltos o malandro aterroriza os moradores locais e utiliza de uma lanterna vermelha para cometer seus crimes assim como costuma ter longas conversas com suas vítimas. 


O invasor
Direção: Beto Brant, 2001
Elenco: Marco Ricca, Alexandre Borges, Paulo Miklos, George Freire, Malu Mader


Há 15 anos, três amigos de faculdade Estevão (George Freire), Ivan (Marco Ricca) e Gilberto (Alexandre Borges) são sócios de uma construtora. No entanto, com um desentendimento Estevão decide abandonar a sociedade enquanto que os outros dois procuram mecanismos para resolver a situação. A dupla opta por mandar matar o amigo e contratam Anísio (Paulo Miklos). O matador tem outros planos além de assassinar Estevão e isso traz consequências para todos os envolvidos. 


Pixote, a lei do mais fraco
Direção: Hector Babenco, 1980
Elenco: Fernando Ramos da Silva, Marília Pêra,


O garoto Pixote (Fernando Ramos da Silva) aos seus 11 anos é encarcerado na Febem em São Paulo e nesse meio é apresentado a diferentes modos de tráfego de drogas, corrupção e violência. Ao conseguir fugir da instituição, Pixote junto de mais dois amigos se desloca para o Rio de Janeiro onde inicia-se num ciclo de brutalidade e assassinatos.



Terra em transe
Direção: Glauber Rocha, 1967
Elenco: Paulo Autran, Jardel Filho, Paulo Gracindo, José Lewgoy


Um dos clássicos do Cinema Novo, "Terra em Transe" narra a vida política de uma cidade fictícia chamada Eldorado. Neste local há três políticos querendo ascender ao poder, Porfírio Diaz (Paulo Autran) representando a direita, Dom Felipe Vieira (José Lewgoy) no lado populista e Julio Fuentes (Paulo Gracindo) responsável pelo império de comunicação. Em um bate papo entre o jornalista Paulo (Jardel Filho) e a militante Sara (Glauce Rocha), o primeiro reflete qual o melhor político para Eldorado.


Tropa de Elite
Direção:José Padilha, 2007
Elenco: Wagner Moura, Caio Junqueira, Maria Ribeiro, André Ramiro



Sucesso de público antes mesmo de estrear no cinema devido à cópias piratas, "Tropa de Elite" traz a telona o surgimento de um contraditório herói nacional na figura de um capitão do BOPE chamado Nascimento (Wagner Moura). O capitão utiliza de técnicas violentas para conseguir informações sobre traficantes de drogas no morro carioca. Por estar prestes a se tornar pai, Nascimento procura por um substituto, porém essa busca não é tão simples quanto parece, entre os candidatos encontram-se dois amigos de infância Neto (Caio Junqueira) e André (André Ramiro).