segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Considerações sobre a maratona #UmFilmeporDia do CineBlissEK


Durante o mês de agosto o blog CineBlissEK propôs assistir um filme por dia, foram 31 dias e um total de 24 filmes de vários gêneros e nacionalidades. O resultado final, por mais que não tenha atingido 31 obras cinematográficas como esperado, causa alegria de dever cumprido, pois o entusiasmo em rever um filme antigo ou conferir uma história inédita fora prazeroso e gratificante. Em algumas ocasiões houve dificuldade de tempo para assistir uma obra cinematográfica, no entanto a determinação de realizar o projeto foi maior.

Os filmes foram selecionados de forma aleatória, simplesmente deixando-se levar pela intuição em testemunhar através das imagens uma narrativa. Houve a oportunidade de rever dois longas metragens de décadas passadas nas telonas, "A doce vida" (1960) do diretor italiano Federico Fellini e "Os intocáveis" (1987) de Brian De Palma. Também constou na lista filmes de 1980 que fizeram parte da sessão da tarde da pessoa que escreve este blog, como "Curtindo a vida adoidado" (1986) e "Clube dos cinco" (1985) ambos de John Hughes,  e "Os caça-fantasmas" de 1984 do diretor Ivan Reitman.

O gênero ação apareceu através da trilogia Bourne com o ator Matt Damon nos filmes "A identidade Bourne" (2002), "A supremacia Bourne" (2004) e "O ultimato Bourne" (2007). Claro que não poderia faltar o diretor Woody Allen com "Dirigindo no escuro" (2002) e o mais recente "Homem irracional" (2015) visto numa sessão de pré-estreia. O documentário foi representado pelo premiado "A nostalgia da luz" (2010) de Patricio Guzmán. Já o cinema brasileiro apareceu com "O palhaço" (2011) de Selton Melo e o lançamento de "O último cine drive-in" (2014) de Iberê Carvalho.

Esses foram apenas alguns exemplos desse apanhado de filmes que fizeram parte dessa jornada tão rica e transformadora para o CineBlissEK. A sensação pós maratona é de renovação pela sétima arte no sentido de uma paixão ainda maior pelo cinema, e também de entusiasmo em ter a oportunidade de compartilhar desse momento cinematográfico com cada um que contribuiu com dicas, sugestões, críticas ou curtidas. Segue a lista completa dos filmes vistos ou se preferir acesse Letterboxd ou Facebook.com/cineblissek e confira.

  1. Bem-vindo aos 40 (Judd Apatow, 2012)
  2. Cabo do medo (Martin Scorsese, 1991)
  3. A identidade Bourne (Doug Liman, 2002)
  4. A supremacia Bourne (Paul Greengrass, 2004)
  5. Samba (Eric Toledano e Olivier Nakache, 2014)
  6. Japão (Carlos Reygadas, 2002)
  7. A nostalgia da luz (Patricio Guzmán, 2010)
  8. Aloha (Cameron Crowe, 2015)
  9. Dirigindo no escuro (Woody Allen, 2002)
  10. O ultimato Bourne (Paul Greengrass, 2007)
  11. Clube dos cinco (John Hughes, 1985)
  12. Curtindo a vida adoidado (John Hughes, 1986)
  13. Os caça-fantasmas (Ivan Reitman, 1984)
  14. Quatro casamentos e um funeral (Mike Newell, 1994)
  15. O palhaço (Selton Melo, 2011)
  16. A doce vida (Federico Fellini, 1960)
  17. Ninho vazio (Daniel Burman, 2008)
  18. Questão de Honra (Rob Reiner, 1992)
  19. Homem irracional (Woody Allen, 2015)
  20. O pecado mora ao lado (Billy Wilder, 1955)
  21. Os últimos passos de um homem (Tim Robbins, 1995)
  22. Frances Ha (Noah Baumbach, 2012)
  23. O último cine drive-in (Iberê Carvalho, 2014)
  24. Os intocáveis (Brian De Palma, 1987)

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

"Homem irracional" novo filme do diretor Woody Allen aborda questões existenciais e o acaso como empurrão para transformações


Estreia hoje em circuito nacional "Homem irracional " o novo filme do diretor americano Woody Allen (Meia noite em Paris; Noivo neurótico, noiva nervosa) cuja trajetória de mais de 40 obras cinematográficas ainda consiste em proporcionar ao seu público histórias com temas já discutidos de um modo criativo e óbvio como acontece com seu recente longa metragem. A narrativa que parte da chegada de um novo professor de filosofia em uma universidade numa pequena cidade americana, traz diversas teorias existenciais para embasar a discussão da trama, além da questão do acaso como potência transformadora. 

O professor de filosofia, foco da narrativa é Abe Lucas (Joaquin Phoenix) um homem descrente da vida com visões pessimistas sobre os conceitos de filosofia que não são aplicáveis na vida real. Seus hábitos consistem em beber uísque regularmente, debater ideologias filosóficas no sentido de desestimular seus alunos e principalmente em rodear a morte com sua atitude desesperada. Entre seus estudantes encontra-se a bela Jill (Emma Stone) que ao se destacar como aluna começa a passar mais tempo ao lado do professor discutindo suas teorias e desilusões. Devido a regularidade dos encontros Jill se apaixona por Abe sem ser correspondida, pois ele prefere ficar na amizade e manter uma suposta relação com a professora casada Rita (Parker Posey). 

Seu chamado à aventura surge da forma mais inesperada possível, quando Abe está tomando café junto de Jill em um restaurante, ela o desperta de seu desespero para ouvir uma história da mesa ao lado sobre uma mulher relatando aos amigos a possível perda da guarda dos filhos devido a uma decisão do juiz Spangler considerado como corrupto. Ao prestar atenção na conversa, Abe imediatamente começa a elaborar uma ideia um tanto quanto estranha e já se imagina o salvador da vida dessa mulher.

Com a chegada desse plano mirabolante, Abe ganha novos ares para sua vida e modifica-se completamente, da bebida alcoólica diariamente ele parte para suco de laranja e apetitosos cafés da manhã, metaforicamente representando o renascimento de seu apetite pela vida. Sua fisionomia se torna mais leve, encontra entusiasmo em viver e inicia um caso amoroso com Jill. De um niilista ele se transforma num fervoroso amante da vida. Interessante observar que sua modificação não vem do romance com Jill, mas sim de seu plano de ser o salvador na vida de uma pessoa desconhecida e a relação com a aluna é apenas consequência desse ato, contrariando os clichês românticos de Hollywood.   

Como em outras obras cinematográficas (Match Point; Crimes e Pecados) Woody Allen trabalha com referências do livro "Crime e castigo" do autor russo Dostoiévski, com as divagações sobre a culpa ou a falta dela, sentimento esse que rege a maior parte da população ocidental católica. Também destaca o tema do acaso, ao qual o personagem Abe tem sua vida transformada devido a casualidade e não necessariamente ao amor.

Como em todos seus filmes o diretor assina o roteiro e traz na estrutura dos diálogos sua marca registrada, com referências culturais e filosóficas em praticamente toda narrativa. A trilha sonora é empolgante proporcionando uma energia contagiante ao público que ao mesmo tempo que sorri com as artimanhas de Abe sente um certo desconforto com a irracionalidade do personagem. Woody Allen com seus quase 80 anos não precisa provar seu talento e mesmo assim o cineasta oferece uma história prazerosa em assistir.
CineBlissEK



Ficha Técnica:

Homem Irracional (Irrational Man)
20015, Estados Unidos
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Produção: Edward Walson, Letty Aronson, Stephen Tenenbaum
Fotografia: Darius Khondji
Elenco: Joaquin Phoenix, Emma Stone, Parker Posey

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

"Samba" retrata o complicado tema da imigração através de uma perspectiva romântica


Atualmente tem-se visto nos noticiários várias reportagens sobre o conflito da imigração na Europa, milhares de pessoas vindas de países em situações de guerra ou de condições precárias de sobrevivência que veem nesses locais considerados de primeiro mundo uma chance de melhora de vida. Esse tema complicado e alvo de preconceitos é trabalhado no filme francês "Samba" de 2014 dos diretores Eric Toledano e Olivier Nakache (Intocáveis) através do imigrante senegalês Samba (Omar Sy) e suas dificuldades para ter um emprego decente na França.

Esse universo do submundo visto através do personagem Samba é retratado logo no início do filme com cenas de um casamento, contudo a câmera não foca nos noivos e sim na cozinha do buffet na tarefa mais renegada, os lavadores de prato. Nesse ofício desvalorizado, encontra-se Samba que faz esses tipos de trabalho sem reconhecimento apenas para sobreviver em terras francesas, sem perspectiva de enriquecimento. Assim como ele, o filme mostra no decorrer da história outros personagens cuja trajetória de vida é similar do herói senegalês. Contudo à procura por uma ocupação não é o lado mais sombrio desses imigrantes, mas a burocracia de possuir um visto de permissão de trabalho. 

A falta dessa autorização leva Samba à prisão para esperar o julgamento de seu processo, na cadeia ele conhece Alice (Charlotte Gainsbourg), uma mulher que faz serviço voluntário a uma ONG responsável por ajudar imigrantes em situações parecidas com a de Samba. De imediato percebe-se uma atração entre os dois com ares de timidez de ambas as partes, e também com o dilema de Alice de não se envolver com o cliente, algo proferido pela colega antes mesmo de adentrarem os portões do presídio.

Após a saída de Samba da cadeia com decreto de deixar a França, este opta por permanecer ilegal até conseguir provar sua permanência no país depois de 10 anos morando legalmente. Ele acaba vendo em Alice uma amiga para lhe ajudar em momentos difíceis. Os constantes encontros do casal, cria um elo de intimidade e respeito proporcionando momentos de confissões por parte de cada um. Em uma dessas ocasiões, Alice esclarece o motivo de estar afastada do emprego fazendo trabalho voluntário, e o porque de tomar diversos remédios.

A forma como o romance se desenrola acentua a questão do contraste entre os dois, Alice uma francesa branca, com cargo de chefia, imersa numa depressão. Já Samba, um senegalês negro, com trabalhos indignos carrega nos lábios um sorriso leve. Esse choque cultural não cria barreiras para que os dois possam refletir sobre suas vidas e muito menos julgamentos de suas jornadas. Para suavizar essa temática séria, há o amigo de Samba interpretado pelo ator Tahar Rahim que com sua suposta nacionalidade brasileira traz leveza e humor para as cenas.

O filme além de apresentar o tema da imigração na Europa com os problemas, conflitos e a incomunicabilidade aborda também a questão atual de pessoas bem-sucedidas profissionalmente focadas em promoções de ascensão no trabalho, que de uma hora para outra sofrem distúrbios mentais devido a pressão corporativa. Assuntos contemporâneos que a cada dia ganham maior visibilidade. 

"Samba" ao propor a discussão da imigração cita de uma maneira romântica, cômica e um tanto quanto superficial, pois não há um aprofundamento preciso sobre essa questão. No entanto, vale a pena para se entreter de uma forma leve com um tema tão pesado através de personagens simpáticos e uma ótima trilha sonora composta por canções brasileiras.
CineBlissEK



Ficha Técnica:

Samba (Samba)
2014, França
Direção: Eric Toledano, Olivier Nakache
Roteiro: Eric Toledano, Olivier Nakache
Produção: Laurent Zeitoun, Nicolas Duval-Adassovsky, Yann Zenou
Fotografia: Stéphane Fontaine
Elenco: Omar Sy, Charlotte Gainsbourg, Tahar Rahim, Izïa Higelin

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Em comemoração ao Dia dos Pais o CineBlissEK sugere 10 filmes para assistir em companhia da figura paterna


A criança independente da nacionalidade, religião ou idade tem na figura materna e paterna a base para se introduzirem na sociedade e o porto seguro para retornarem em qualquer estágio da vida. No mês de agosto comemora-se no Brasil o Dia dos Pais, homens que buscam estar ao lado de seus filhos pro que der e vier, fazem do possível ao impossível para ajudá-los e mesmo em momentos complicados eles dão uma bronca, ao mesmo tempo que olham com afeto e transmitem a mensagem de: "É para seu bem".

Para celebrar esse dia tão importante para os Homens que assumem seus filhos com todo amor e procuram ser mitologicamente o pai-herói, o CineBlissEK faz uma seleção de dez filmes que descrevem esse afeto paterno e principalmente a jornada de muita coragem que cada um empenha para proporcionar um mundo melhor aos seus descendentes. Confira a lista e delicie-se assistindo ao lado de seus papais.


O paizão (Big daddy)
Direção: Dennis Dugan, 1999
Elenco: Adam Sandler, Jon Stewart


Por mero acaso da vida, Sonny Koufax (Adam Sandler) um homem de seus trinta e poucos anos que ainda se comporta como um garotão, decide adotar um menino para impressionar a ex-namorada. No entanto com seu jeito de não assumir responsabilidades, ele precisa convencer familiares e amigos da sua capacidade de educar a criança, tomar conta dela e principalmente ser um bom pai.


Os descendentes (The Descendants)
Direção: Alexander Payne, 2011
Elenco: George Clooney,


Após o acidente trágico de sua esposa, Matt King (George Clooney) vê-se na obrigação de aproximar-se de suas duas filhas. Com essa união ele começa a avaliar seu passado, conhecer melhor a sua própria família, ganhar forças para desapegar de um terreno herdado e principalmente ser um pai presente. 


Procurando Nemo (Finding Nemo)
Direção: Andrew Stanton, Lee Unkrich, 2003
Elenco: Albert Brooks, Alexander Gould


Nas profundezas do mar existe o peixe palhaço pai Marlin (Albert Brooks) enfrentado todos os desafios possíveis e impossíveis para encontrar novamente seu filho Nemo (Alexander Gould) que se separaram em uma grande barreira de coral. Marlin em seu jornada na busca por seu filho não tem a mínima ideia de como irá revê-lo, mas acredita na união dos dois novamente. Já Nemo por outro lado acaba indo parar em um aquário de um dentista, com a sensação de culpa por ter brigado com seu pai na última vez em que estiveram juntos. 


A vida é bela (La vita è bela)
Direção: Roberto Benigni, 1997
Elenco: Roberto Benigni, 


Em pleno campo de concentração nazista, Guido (Roberto Benigni) um pai judeu, resolve criar um meio divertido para seu filho Josué (Giorgio Cantarini) não deparar com a dura realidade da guerra. Ele inventa uma história para o menino de que estão participando de uma gincana, como prêmio da competição ganha-se um tanque de guerra. A maneira como ele narra o episódio cruel da guerra de forma lúdica conduz o garoto para um mundo contrário a violência do real.


Uma babá quase perfeita (Mrs. Doubtfire)
Direção: Chris Columbus, 1993
Elenco: Robin Williams, Sally Field, Pierce Brosman, 


Após o divórcio complicado, Daniel Hillard (Robin Williams) perde a guarda dos filhos. Para tentar suprir a falta deles, ele decide se transformar em uma senhora e aplicar para o emprego de babá em sua ex-casa. Com a conquista do trabalho ele consegue estar presente com seus filhos ao mesmo tempo que cria situações hilárias estando vestido de mulher.


À procura da felicidade (The pursuit of happyness)
Direção: Gabriele Muccino, 2006
Elenco: Will Smith, Jaden Smith


Um pai sozinho Christopher Gardner (Will Smith) tem que cuidar de seu pequeno filho enfrentando dificuldades financeiras. Para conseguir dar uma vida melhor ao garoto ele precisa arrumar um trabalho, estar presente na educação do menino e lidar com questões pessoais.


Kramer vs Kramer (Kramer vs Kramer)
Direção: Robert Benton, 1979
Elenco: Dustin Hoffman, Meryl Streep


Após um dia cansativo no trabalho o publicitário Ted Kramer (Dustin Hoffman) chega em casa e depara-se com a esposa Joanna Kramer (Meryl Streep) abandonando o lar e deixando a ele a responsabilidade de cuidar do pequeno filho. De inesperado Ted vê-se tomando conta do menino, cuidando da casa e trabalhando. Com essa nova tarefa Ted aproxima-se de seu próprio filho e tornar-se um pai presente, porém não por muito tempo, pois Joanna resolve entrar na justiça para ter a guarda legal da criança. 


Um dia dois pais (Father's day)
Direção: Ivan Reitman, 1997
Elenco: Billy Crystal, Robin Williams, Nastassja Kinski


Quando o jovem de 17 anos foge de casa, a mãe Collette Andrews (Nastassja Kinski) decide contactar dois homens que supostamente um deles pode ser o pai do rapaz. Jack Lawrence (Billy Crystal) e Dale Putley (Robin Williams) são duas pessoas completamente diferentes que deixam as desavenças de lado para unir na missão de encontrar o rapaz.  


Uma lição de amor (I'm Sam)
Direção: Jessie Nelson, 2001
Elenco: Sean Penn, Michelle Pfeiffer, Dakota Fanning


Lucy ( Dakota Fanning) aos seus setes anos conquista uma inteligência maior que seu pai Sam (Sean Penn) pois este sofre de uma deficiência mental. Essa constatação faz com que uma assistente social decida colocar a menina em um orfanato. Sam com medo de perder a filha consegue na ajuda da advogada Rita (Michelle Pfeiffer) uma chance de ter direitos legais para cuidar de Lucy.


Três solteirões e um bebê (Three men and a baby)
Direção: Leonard Nimoy, 1987
Elenco: Tom Selleck, Steve Guttenberg, Ted Danson


Três solteirões de Nova Iorque têm suas rotinas completamente mudada quando encontram em sua porta um bebê. Peter Mitchell (Tom Selleck), Michael Kellam (Steve Guttenberg) e Jack Holden (Ted Danson) dividem o mesmo apartamento, no cesto onde o bebê é achado há um bilhete dizendo que Jack é o pai, porém a tarefa paterna acaba se tornando responsabilidade de todos e ao mesmo tempo abre espaço no coração desses homens para amarem uma mulher. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

"Encontro e desencontro" mostra as surpresas da vida quando saímos da zona de conforto


Viajar para outro país completamente diferente do nosso exige uma certa dose de curiosidade e ao mesmo tempo coragem. Já para viver ou passar um período longo em outra localidade demanda mais que isso, requer elementos essenciais para o aproveitamento dessa experiência, como tolerância em relação ao diferente, enfrentamento da solidão e espaços livres dentro de nós mesmos para absorver a cultura local junto com as surpresas que podem aparecer. Com o flerte para o mundo desconhecido e incomunicável a diretora americana Sofia Coppola (As virgens suicidas) trás no filme "Encontro e desencontro" (2003) justamente o despertar de dois americanos Charlotte (Scarlett Johansson) e Bob (Bill Murray) para o estranho, para as incertezas da vida, a solidão e a amizade.

O ator americano Bob em seus quarenta e poucos anos viaja para o continente asiático, especificamente o Japão, para fazer uma propaganda de uísque. Sem falar a língua local e deparar-se a todo momento com a diversidade cultural, ele confronta o estar só ao mesmo tempo com sua crise de meia-idade. No hotel em que está hospedado Bob conhece por acaso a jovem Charlotte, que também encontra-se em situação semelhantes à dele, fica sozinha quase todo tempo, pois seu marido está sempre trabalhando e passa por momentos de incerteza com relação à vida por não saber ao certo o que fazer.

Como ocorre nos acasos da vida real, no cinematográfico não é diferente, essas duas pessoas solitárias vivendo em outro país unem-se para desabafar sobre as diferenças culturais, solidarizar-se com as angústias de cada um e principalmente formar o elo de uma profunda amizade. Ambos encontram na presença do outro a força para viver no Japão, mas acima de tudo, coragem para expor-se a situações diferentes das habituais.

São nesses momentos de exposição que o ser humano descobre suas fraquezas, fragilidades e medos, ou seja, perde todo o envolto da segurança para sentir na pele o incômodo de sair da zona de conforto. No entanto, são nessas circunstâncias que surge a possibilidade do novo, de dar licença ao inesperado para permitir algo renovado na vida.

No caso de Bob e Charlotte há a insurgência de uma amizade sincera que além de suprir a solidão proporciona mudanças internas e duradouras, cuja consequência é mais que um tesouro de viagem ou lembrança mas um aprendizado para toda jornada da vida. Em um Japão com leituras, diálogos e entendimentos incompreensíveis, os dois encontram a comunicação na amizade. 

Em seu segundo filme Sofia Coppola que assina o roteiro, surpreende com uma história original, profunda e de uma beleza indiscutível. A forma como ela conduz a narrativa deixa qualquer um emocionado ao mesmo tempo com reflexões internas sobre os próprios laços de relacionamento. São poucos jovens diretores de Hollywood que proporciona ao público devaneios sobre o percurso da vida em um ambiente solitário e diferente. 
CineBlissEK



Curiosidades: 
  • Ganhou o Oscar em 2004 de Melhor Roteiro Original; 

Ficha técnica: 

Encontro e desencontro (Lost in translation)
2003, Estados Unidos/Japão
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola
Produção: Ross Katz, Sofia Coppola
Fotografia: Lance Acord
Elenco: Scarlett Johansson, Bill Murray, Giovanni Ribiri, Anna Faris