segunda-feira, 30 de junho de 2014

"Ela" apresenta as inovações tecnológicas em todos os níveis sociais com foco no amoroso


Com todo advento da tecnologia nos dias de hoje, muito se pergunta qual será o próximo passo da inovação, pois é justamente essa evolução tecnológica que o novo filme "Ela" (2013) do diretor Spike Jonze busca retratar através de um homem solitário e suas relações amorosas.

Em uma Los Angeles futurista apresentada sobre os tons de vermelho e amarelo vive Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um homem que trabalha numa empresa especializada em escrita de cartas, esse trabalho é executado através do comando de voz sem necessitar do uso de teclado. Essas cartas elogiadas por colegas de trabalho são de uma profundidade emocional, o que leva a crer a sensibilidade do personagem. Contudo essa sensibilidade não se aplica aos contatos físicos e reais  com outras pessoas, pois ele quase não encosta em objetos ou pessoas. Sua rotina se resume em trabalho, casa, jogos de vídeo game e para relaxar antes de dormir um pouco de sexo virtual.

Seu chamada à aventura se inicia quando decide adquirir um programa de inteligência artificial para ajudar na sua rotina chamado Samantha (voz de Scarlett Johansson). É interessante notar que quando Theodore inicia o programa de inteligência artificial é como se um "espermatozoide" estivesse entrando no óvulo, ou seja, um renascer de alguma coisa, no caso do filme, um relacionamento amoroso virtual. Esse programa de voz sensual organiza e lê todos os e-mails de Theodore, faz comentários sobre suas cartas, ajuda a escolher vestido para afilhada, entre outras atividades humanas, mas que no caso são realizadas pelo computador. O que começa como um programa de computador, se torna uma confidente e mais do que isso a namorada dele.

A beleza com que a relação entre os dois é construída mostra a sensibilidade do diretor em tentar  caracterizar  Samantha como ser humano. Assim como em "2001 - Uma odisseia no espaço" (1968), ao qual Hal muitas vezes parece ter mais sentimentos que os seres humanos, em "Ela" não é diferente, Samantha mostra diversos estados de emoções como, risos, preocupações, descontentamento, felicidade, ciúmes e até mesmo discutindo o relacionamento com Theodore. Os sentimentos de Samantha parecem tão reais ao suspirar ou emitir sons que sugerem sofrimento, ao ponto de tocar Theodore. Ao suspirar, Samantha não está exibindo um traço biológico, mas um comportamento que adquiri devido a sua capacidade de aprender conforme aumenta seu envolvimento com os humanos.

No convívio social há uma certa aceitação da relação entre homem x máquina, pois Theodore leva Samantha à passeios ou férias com seus amigos que não veem nada de estranho nessa situação, pelo contrário, o amigo diz que Theodore está mais envolvido na relação do que ele e sua namorada. A única a contestar essa forma de se relacionar é a ex-mulher de Theodore ao expor sua dificuldade em lidar com relações reais.

O filme mostra que somos criaturas com necessidades óbvias de amar, de compartilhar experiências, de oferecer nosso carinho e de sentir algum afeto em troca, mesmo que essas sensações sejam virtuais.Esse tipo de relação evidência a solidão como sendo algo frequenta na vida de Theodore, além de uma fuga da realidade para não ter que lidar com as frustrações de seu divórcio. Vale ressaltar que o relacionamento virtual com Samantha traz melhorias para a vida de Theodore, pois faz ele assinar o divórcio e publicar um livro.

"Ela" é um profundo estudo sobre as relações humanas, sobre as transformações que sofremos pelo meio tecnológico e sobre o vazio que eventualmente pode vir nos abraçar por um tempo ou até mesmo um prefácio para o que nos aguarda em um futuro não tão distante. O filme retrata seres imperfeitos e ao mesmo tempo apaixonantes, viciados por tecnologia, mas ainda cheios de amores por cartas supostamente feitas à mão, o eterno dilema entre o velho e novo. Essa realidade do filme talvez não seja tão futurística quanto muitos telespectadores possam crer, pois a cada dia vemos pessoas estarem mais conectadas com seus smartphones do que vivenciando a presença física.

A obra de Spike Jonze merece aplausos não só pelo roteiro, mas também pela fantástica Direção de Arte e principalmente para Joaquin Phoenix que mesmo constantemente sozinho em cena, convence o espectador de estar sempre acompanhado pela namorada invisível.
CineBlissEK



Curiosidades:
  • Her recebeu cinco indicações ao Oscar 2014: Melhor Filme, Roteiro Original, Trilha Sonora, Melhor Canção Original (a linda The Moon Song, de Karen O) e Melhor Design de Produção.
  • Ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original
  • Trilha sonora da banda Arcade Fire

Ficha Técnica:

Ela (Her)
2013, USA
Direção: Spike Jonze
Roteiro: Spike Jonze
Produtores: Chelsea Barnard, Natalie Farrey, Megan Ellison, Spike Jonze, Vincent Landay
Fotografia: Hoyte Van Hoytema
Elenco: Joaquin Phoenix, Scarlett Johansson, Amy Adams, Rooney Mara

sexta-feira, 20 de junho de 2014

O chamado para aventura do CineBliss



O cinema alimenta a alma de seus amantes há mais de 100 anos, cada apaixonado pela sétima arte busca nesta expressão artística uma forma de se identificar com as imagens que perpassam a tela. Com suas histórias conectadas com o imaginário de cada cultura, o cinema não possui barreiras, atinge tudo e a todos por simplesmente se caracterizar por uma linguagem possível de entendimento em cada um de nós.

Quando eu penso sobre a sétima arte é como se uma dose de adrenalina passasse por todo meu corpo, liberando uma energia profunda de curiosidade e paixão para assistir à um filme. Como se eu abrisse meu coração para sentir e viver todo o desenrolar da história e me permitir identificar-se com as personagens.

Com essa paixão pelo cinema surgiu a vontade de buscar mais conhecimento e entendimento, o que me levou para outra vertente, o lado mitológico dos filmes, não focado apenas nas estruturas técnicas, mas o além, nuances que os grandes diretores expressam em suas obras de uma forma delicada e sutil.

A mitologia no lado cinematográfico foi principalmente influenciada pelo pesquisador Joseph Campbell, cujas pesquisas analisou mitos de muitas culturas para chegar a conclusão de que todos os heróis passam por rituais parecidos, aos quais não são diferentes dos heróis cinematográficos que também recebem o chamado a aventura, enfrentam os desafios, fazem aliados, são postos a prova para no final retornarem ao lar transformados pela jornada. Esta jornada do herói pode se basear numa viagem interior, reencontro com o feminino, reconciliação com o pai, salvar o mundo, entre outros.

Um dos maiores exemplos da jornada do herói aplicada no cinema é a saga "Star Wars", em que o diretor George Lucas com base no livro "O herói de mil faces" (1948),  de Joseph Campbell, mostra aos espectadores os estágios da jornada do personagem Luke Skywalker (Mark Hamill). Desde seu chamada a aventura, os aliados que encontra pelo caminho, a ajuda do mentor com sua sabedoria e o desafio de enfrentar o vilão Darth Vader. Na maioria dos filmes é possível identificar a jornada do herói.

Com esses dois elementos cinema e mito, busco inspiração para escrever esse blog e divagar sobre o universo mitológico e cinematográfico que são a minha grande paixão. Espero ter leitores que contribuam com suas sugestões, críticas e comentários, pois através da troca de informações que poderei aceitar o meu chamado e realizar essa jornada cinematográfica.

Bem-vindos ao CineBliss.