quinta-feira, 29 de novembro de 2018

"Utøya - 22 de julho" transborda a tensão e o pânico de jovens noruegueses frente à um atentado terrorista



A Noruega, país nórdico da Europa com o melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo, viveu em 22 de julho de 2011, um dos piores dias de sua história quando ocorreu uma explosão na zona de prédios governamentais da capital, Oslo, e, poucas horas depois a invasão do terrorista de extrema-direita Anders Behring Breivik, na ilha de Utøya, em que atirou contra centenas de jovens, deixando 77 mortos e dezenas de feridos.

Baseado neste trágico evento, o novo longa do diretor Erik Poppe, "Utøya - 22 de julho" (2018), transborda a tensão e o pânico que se alastraram nos jovens noruegueses durante mais de uma hora de tiroteio na ilha. O filme que estreia hoje nas principais salas de cinema do país, acompanha Kaja (Andrea Berntzen) - uma adolescente prestativa e com personalidade de liderança -, minutos antes de iniciar a onda de tiros e sua busca em encontrar a irmã e sobreviver a esse assustador e caótico cenário.

Com uma câmera praticamente colada em Kaja, o espectador é conduzido freneticamente a cada corrida ou esconderijo da personagem no meio da mata. Dessa forma, pode-se conhecer um pouco sobre alguns dos jovens, suas respectivas histórias e a vontade de viver. Num primeiro momento, a protagonista aparenta estar lúcida em sua procura pela irmã, porém, conforme o tiroteio prevalece ela mergulha em um turbilhão de fatalidades, o que lhe permite dar vazão ao colapso emocional. 

O som é um elemento primordial para unidade dramática de cada cena, pois é através desse mecanismo que o espectador observa a aproximação do atirador ou o desespero dos personagens. O barulho impactante dos tiros, assim como o suspiro, a respiração ofegante ou o silêncio torna a experiência ainda mais real.

Os planos gerais ou close-up mostram imagens devastadoras de corpos estirados na mata ou de rostos perplexos, possibilitando visualizar o cenário desastroso de sonhos interrompidos pelo ato terrorista de um homem. O filme com 98 minutos de duração, consegue captar com primor essa realidade brutal que avassalou esse país de primeiro mundo. Nesse total, 72 minutos de tiroteio são exatamente semelhantes aos vivenciados no acampamento.
CineBliss ****




Ficha técnica:

Utøya - 22 de julho (Utøya 22. juli)
Noruega, 2018
Direção: Erik Poppe
Roteiro: Anna Bache-Wiig, Siv Rajendram Eliassen
Produção: Finn Gjerdrum, Stein B. Kvae
Elenco: Andrea Berntzen, Aleksander Holmen, Brede Fristad

terça-feira, 27 de novembro de 2018

"Um homem comum" reverbera os conflitos internos de um criminoso de guerra


Estreia nesta quinta-feira (29) o filme "Um homem comum"(2017), do diretor Brad Silberling (Cidade dos anjos), em uma coprodução entre Estados Unidos e Sérvia. Na narrativa cinematográfica, a cidade de Belgrado é o cenário para o drama da jornada do criminoso de guerra O General (Ben Kingsley), cujos feitos são condecorados por uns e repudiados por outros.

Devido a esse conflito, O General vive em reclusão fugindo das autoridades internacionais, mudando de lugares com frequência e contando com a ajuda de seus apoiadores. Em um dos seus esconderijos conhece a jovem e solitária Tanja (Hera Hilmar), com a qual inicia uma relação de cumplicidade. Logo, O General descobre que Tanja na verdade não é uma empregada, mas sim, uma agente secreta com a missão de protegê-lo. Conforme o cerco se fecha para capturá-lo, lhe resta apenas a opção de confiar nela. 
 
Com uma fotografia escura com ares de mofo, o espectador é arremessado para dentro de um apartamento claustrofóbico, onde discussões acaloradas sobre nacionalismo, crimes de guerra e passado violento são ecoados na tentativa de redenção do protagonista. As poucas cenas externas, mostra uma região que em algum momento do passado fora devastada pela guerra e agora busca um recomeço. No filme, essa transição do passado sombrio para um futuro melhor está em conseguir fazer parte da União Europeia. Entrentato, para tal feito a exigência da comunidade é o aprisionamento e julgamento do General. 

Os 90 minutos de "Um homem comum" são embriagados pelo conflito interno do protagonista, com pouco suspense e mais diálogo, uma vez que o histórico de si mesmo é carregado de contradições: sofre com traumas familiares sem aparentemente demonstrar arrependimento dos crimes cometidos. Essa complexidade de personagem está notável na performance do ator Ben Kingsley, em que pontua com eficiência a vaidade e o sofrimento deste homem 'supostamente' comum.
CineBliss ***



Ficha técnica: 

Um homem comum (An ordinary man)
Estados Unidos/Sérvia, 2017
Direção: Brad Silberling 
Roteiro: Brad Silberling
Produção: Brad Silberling,  Ben Kingsley
Elenco: Ben Kingsley, Hera Hilmar, Peter Serafinowicz

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

"O quebra-cabeça" sensibiliza o despertar de uma mulher submissa e recatada


Até o fim do século XIX na sociedade ocidental, o papel da mulher esteve destinado ao espaço privado relegada a cumprir apenas a função de esposa, dona de casa e mãe, sem permissão para estudar ou seguir uma profissão. Essa divisão de papéis sociais entre homens e mulheres aprisiono-as no âmbito doméstico, não consentindo sua autonomia em outras áreas que não fosse o lar. Por muito tempo elas foram tratadas como cidadãs de segunda classe, submissas a pais, maridos e irmãos, ou seja, a homens. A mudança de cenário começa a acontecer só a partir da segunda metade do século XX, com a entrada das mulheres no mercado de trabalho e uma maior participação no espaço público. 

Mesmo com certos avanços em questões de direitos e igualdade entre homens e mulheres, o retrato em pleno século XXI está longe de ser ideal, uma vez que o patriarcado com seu sistema de dominação e exploração da mulher continua visível, tanto na realidade quanto na ficção. Como no caso do filme lançando esta semana nos cinemas "O quebra-cabeça" (2018), do diretor Marc Turtletaub, cuja protagonista Agnes (Kelly Macdonald) vive em função do bem-estar da família, se preocupando exclusivamente com os desejos e necessidades do marido e dos filhos, presa em sua bolha doméstica. 

O chamado para aventura na rotina de Agnes ocorre ao desembrulhar uma caixa de presente ganho em seu aniversário de 40 anos, um quebra-cabeça. A protagonista, ao começar a juntar as peças logo descobre a velocidade incrível que tem para montá-los e, arrisca-se em participar de um torneio nacional de quebra-cabeça em parceira com Robert (Irrfan Khan), um homem divorciado, rico e que só assiste notícias de catástrofes. 

Agnes, uma católica fervorosa que até então aparentava ter parado no tempo tanto na vestimenta, na decoração da casa, na repulsa à tecnologia ou na submissão ao marido, inicia um processo de transformação em sua autonomia e permiti-se vivenciar algo que lhe faz bem. Suas idas à casa de Robert, proporciona entrar em contato com outro universo completamente distinto do seu e a romper com um comportamento padronizado.

"O quebra-cabeça" é um remake do filme argentino "Rompecabezas" (2009), da diretora Natalia Smirnoff, cuja versão atual é conduzida com ritmo lento e delicado, e assim, o espectador aos poucos torna-se íntimo da rotina de Agnes e observa o nível de sociedade conservadora destinada ainda a muitas mulheres, onde estas são cercadas pela solidão, servidão e vazio interno. A jornada da personagem principal, ilustra quantas mulheres sofrem caladas com seus destinos, sendo que algumas por motivos maiores permanecem cumprindo com suas obrigações e, outras decidem perambularem e serem protagonistas de suas histórias.
CineBliss ****
*Visto no Festival do Rio 2018




Ficha técnica: 

O quebra-cabeça (Puzzle) 
Estados Unidos, 2018
Direção: Marc Turtletaub
Roteiro: Oren Moverman 
Produção: Wren Arthur, Guy Stodel, Marc Turteletaub, Peter Saraf 
Fotografia: Chris Norr 
Montagem: Catherine Haight 
Elenco: Kelly Macdonald, Irrfan Khan, David Denman, Bubba Weiler, Austin Abrams

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

O filme argentino "O anjo" é destaque no Festival do Rio 2018


O filme argentino "O anjo", do diretor Luis Ortega, selecionado para concorrer a uma vaga ao Oscar 2019 na categoria Melhor Filme Estrangeiro, é um dos destaques da programação do Festival do Rio hoje, com uma sessão às 21h30, no Estação NET Gávea 4 e outra no domingo (11), às 21h15, no Kinoplex São Luis 2.

A narrativa baseada em uma história real, segue o adolescente de 17 anos Carlitos (Lorenzo Ferro), cuja aparência angelical não condiz com o lado sombrio de suas entranhas. Filho único de uma família trabalhadora e honesta, na Buenos Aires, de 1971, o jovem prefere viver de pequenos delitos. Na escola, conhece o sedutor Ramon (Chino Darín), por quem logo se encanta tanto de um modo voluptuoso como parceiro ideal para revolucionar suas façanhas no mundo do crime e assumir seu real instinto: matar pessoas. 

O filme lembra um pouco outro fenômeno argentino "O clã" (2015), de Pablo Trapeiro, por também ser inspirado em eventos reais, por transcorrer em um determinado momento da ditadura militar na Argentina e pela violência transposta nas telas de forma ímpia e desconcertante. A diferença é que no filme de 2015, às agressões físicas eram permeadas pelo dinheiro e, no caso de "O anjo", o ato de roubar aparenta ser apenas um dispositivo para a real intenção do personagem, de simplesmente agir com sangue frio e tirar a vida de alguém.

O ritmo do longa-metragem é permeado por muita musicalidade, tanto que em certas cenas dá a sensação de videoclipe, como no caso do abandono do carro realizado por Carlitos. Esse mecanismo não chega a atrapalha o desenrolar da narrativa, tanto que a canção "El extraño del pelo largo", de La Joven Guardia é ressoada no início e final do filme.

Segue abaixo as datas, horários e lugares de exibição do filme "O anjo". O Festival do Rio acontece entre os dias 01 a 11 de novembro. Para maiores informações acesse o site  Festival do Rio

Datas e horários
09/11 (sexta-feira) - 21h30 - Estação NET Gávea 4
11/11 (domingo) - 21h15 - Kinoplex São Luís 2




Ficha técnica: 

O anjo (El Ángel) 
Argentina/Espanha, 2018
Direção: Luis Ortega
Roteiro: Luis Ortega, Rodolfo Palacios, Sergio Olguím
Produção: Hugo Sigman, Sebastian Ortega, Pedro Almodóvar, Augustín Almodóvar
Fotografia: Julían Apeteguío 
Montagem: Guillermo Gatti
Elenco: Lorenzo Ferro, Chino Darín, Mercedes Móran,

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Festival do Rio exibe hoje o filme "A sombra do pai" na mostra competitiva da Première Brasil


O segundo longa-metragem da diretora baiana Gabriela Amaral Almeida, "A sombra do pai" (2018), será exibido hoje pela primeira vez no Festival do Rio 2018, em uma sessão de gala com convidados, às 19h00, em duas salas do Estação NET Gávea.  O filme que já logrou no Festival de Brasília três estatuetas nas categorias de Melhor Atriz Coadjuvante para Luciana Paes, Melhor Som para Daniel Turini e Melhor Montagem para Karen Akerman, concorre pelo troféu Redentor na Première Brasil: Competição longa ficção. 

A emocionante narrativa misturada com um toque de horror, retrata a relação entre Jorge (Júlio Machado) e Dalva (Nina Medeiros), respectivamente pai e filha, que após a morte da mãe e do abandono da tia Cristiana (Luciana Paes) da casa, são obrigados a construirem uma aproximação afetiva. Porém, quando o amigo de trabalho de Jorge morre, este ausentando-se do papel de pai e aos poucos demonstra uma aparência de zumbi, alienado pelo trabalho exaustivo na construção civil e completamente castrado emocionalmente. Por sua vez, Dalva busca refúgio em filmes de terror e em suas crenças, o que a faz acreditar ter poderes sobrenaturais para ser capaz de trazer sua mãe de volta à vida.

Gabriela Amaral Almeida, cujo primeiro longa "O animal cordial" (2017) já introduzia os repertórios do subgênero do terror, o slasher, em seu trabalho atual fica ainda mais evidente com imagens rasgando a tela de filmes cultuados desta categoria tais como "Frankenstein" (1910), de J. Searle Dawley, e, "A noite dos mortos vivos" (1968), de George Romero. A diretora vai além disso, ao aprofundar em seu roteiro a questão da vontade e da fé, ingredientes responsáveis por impulsionar uma potência de escolher entre viver ou morrer, algo tão característico nos personagens de Dalva e Julio.

Segue abaixo as datas, horários e lugares de exibição do filme "A sombra do pai". O Festival do Rio acontece entre os dias 01 a 11 de novembro. Para maiores informações acesse o site  Festival do Rio

Datas e horários
08/11 (quinta-feira) - 19h00 - Estação NET Gávea 3
08/11 (quinta-feira) - 19h00 - Estação NET Gávea 5
09/11 (sexta-feira) - 13h00 - CCLSR - Cine Odeon NET Claro
10/11 (sábado) - 19h00 - Kinoplex São Luis 1



Ficha técnica: 

A sombra do pai (A sombra do pai) 
Brasil, 2018
Direção: Gabriela Amaral Almeida
Roteiro: Gabriela Amaral Almeida
Produção: Rodrigo Sarti Werthein, Runi Tavares, Rodrigo Teixeira
Fotografia: Bárbara Alvarez
Montagem: Karen Akerman
Elenco: Julio Machado, Nina Medeiros, Luciana Paes

terça-feira, 6 de novembro de 2018

O novo filme do diretor Spike Lee, "Infiltrado na Klan", será exibido hoje à noite no Festival do Rio 2018


O diretor americano nascido no bairro do Brookly, em Nova Iorque, Spike Lee, causou rebuliço em Cannes, em 1989, com o febril longa-metragem "Faça a coisa certa", que mesmo com todo potencial de discussão sobre as condições dos negros nos Estados Unidos, não logrou à Palma de Ouro. Quase trinta anos depois, esse mesmo cineasta contagiou a Croisette com seu recente trabalho “Infiltrado na Klan” (2018), sendo laureado com o prêmio do Grand Prix. Por sua vez, o Festival do Rio 2018 tem como destaque em sua programação a primeira exibição deste filme na noite desta terça-feira (06), às 21:30, no CCLSR - Cine Odeon NET Claro.

A história baseada em eventos reais, nos anos 1970, no Departamento de Polícia de Colorado Springs, retrata a infiltração do novato policial negro Ron Stallworth (John David Washington) na organização que defende a supremacia branca, Ku Klux Klan. Para tal feito, ele começa a ter contato por telefone com um dos influentes líderes David Duke (Topher Grace) e, para os encontros presenciais com o grupo destina o parceiro judeu, Flip Zimmerman (Adam Driver). Juntos, eles têm como objetivo desmantelar esta associação difusora de ódio às minorias.

Como na maioria de seus filmes anteriores, Spike Lee pauta a narrativa por meio de uma onda crescente de tensão, cujo efeito provocado no espectador é impactante e visceral. Para isso, o roteiro é construído com base em diálogos embriagados de fúria, convicção e, por que não irônico, sem deixar de lado em nenhum momento o tom político subversivo.

Por si só a história já é nutrida por ingredientes de horror social, mas o cineasta busca aprofundar essa sensação com imagens dos filmes "O nascimento de uma nação" (1915), de D.W. Griffith, "...E o vento levou" (1939), de Victor Fleming, e, das passeatas que aconteceram em 2017, na cidade de Charlottesville, na Virgínia, nos Estados Unidos. Como se esses fatos pudessem ilustrar a linha cronológica da violência física e psicológica direcionada aos negros americanos.

O ator John David Washington - filho do astro Denzel Washington - dispõe de uma performance arrebatadora, o tom de deboche, revolta, sagacidade e comprometimento com a missão se harmonizam em seu personagem, transmitindo para o espectador o abismo moral e bizarro deste 'particular' momento da sociedade estadunidense. A representação feminina também ganha voz ativa no papel da líder estudantil Patrice Dumas (Laura Harrier), cujo entusiasmo em dar vazão de poder para todos "power to all the people", serve de engrenagem tanto para combater o ódio como para alimentá-lo.

Um filme simplesmente imperdível e extremamente necessário para tempos de obscurantismo político e social em diversas partes do mundo. Não deixem de conferir!

Segue abaixo as datas, horários e lugares de exibição do filme "Infiltrados na Klan". O Festival do Rio acontece entre os dias 01 a 11 de novembro. Para maiores informações acesse o site  Festival do Rio
CineBliss

Datas e horários
06/11 (terça-feira) - 21h30 - CCLSR - Cine Odeon NET Claro
07/11 (quarta-feira) - 18h30 - Reserva Cultural Niterói 1
09/11 (sexta-feira) - 16h00 - Estação NET Ipanema 2
10/11 (sábado) - 18h40 - Kinoplex São Luis 2





Ficha técnica : 

Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman)
Estados Unidos, 2018
Direção: Spike Lee
Roteiro: Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott, Spike Lee
Produção: Sean Mckittirick, Jason Blum, Raymond Mansfield, Jordan Peele, Spike Lee, Shaun Redick
Fotografia: Chayse irvin
Montagem: Barry Alexander Brown 
Elenco: John David Washington, Adam Driver, Laura Harrier, Topher Grace, Alec Baldwin 

CineBliss partipa do encontro "Processo criativo com Olivier Assayas" no Festival do Rio 2018


O blog CineBliss teve o privilégio de participar na tarde de ontem (05) do encontro "Processo criativo com Olivier Assayas", promovido pelo Festival do Rio 2018, na Casa Firjan. A conversa contou com a presença  do cineasta e roteirista francês Olivier Assayas, responsável por filmes como "Personal Shopper"(2016), "Acima das nuvens" (2014) e o mais recente "Vidas Duplas"(2018) - sendo que o último faz parte da programação do evento - e, do produtor brasileiro Rodrigo Teixeira, fundador da produtora paulista RT Features, cujo currículo conta com sucessos como "Me chame pelo seu nome" (2017), "A Bruxa" (2015) e "Frances Ha" (2012). A mediação foi realizada pela organizadora do festival Ilda Sampaio.

Olivier e Rodrigo que estão em fase de preparação para gravarem um novo filme no primeiro semestre de 2019, comentaram sobre suas carreiras, as formas de trabalharem e como funciona o mercado audiovisual fora do Brasil. O cineasta relatou que o importante para ele: "não é fazer um filme, mas fazer um filme bom e honesto", bem como, procura em seus projetos cinematográficos a autenticidade.

Já Rodrigo comentou que a produção de "Frances Ha" mudou sua carreira: "quando o Noah Baumbach me procurou para realizar um filme com orçamento de US$ 500 mil dólares em preto e branco, foi algo que possivelmente eu não conseguiria realizar no Brasil e tê-lo feito alavancou minha carreira como produtor". Ele também mencionou sobre o que move sua profissão: " curiosidade é o que faz um bom produtor e ditar tendências é uma regra".

Para saber mais sobre a conversa entre Olivier Assayas e Rodrigo Teixeira, é só acessar os vídeos abaixo. O Festival do Rio acontece entre os dias 01 a 11 de novembro. Para maiores informações acesse o site Festival do Rio
CineBliss









CineBliss com Olivier Assayas

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O filme "As viúvas" abre hoje à noite o Festival do Rio 2018


A vigésima edição do Festival do Rio que ocorre entre os dias 01 a 11 de novembro na capital fluminense, promove hoje a partir das 21:00, no CCLSR Cine Odeon, a Noite de Abertura com a participação no tapete vermelho de diretores, atores, atrizes e personalidades brasileiras e estrangeiras. Dentre os mais de 200 títulos de 60 países que farão parte da programação, o selecionado para abrir o festival é "As viúvas" (2018), do diretor Steve McQueen (12 anos de escravidão; Shame), cuja exibição também poderá ser desfrutada pelo público em uma única sessão esta noite, às 23:59. O ingresso pode ser adquirido através do site Festival do Rio

Como o próprio título já sugere, as viúvas Veronica (Viola Davis), Alice (Elizabeth Debicki) e Linda (Michelle Rodriguez) são deixadas pelos maridos criminosos após um assalto malsucedido. Sem dinheiro para continuarem a viver e ameaçadas por uma dívida de alto valor de seus falecidos, elas são obrigadas a se juntarem e organizarem um plano para conseguirem pagar a determinada quantia. Mesmo sem se conhecerem, com filhos para cuidarem sozinhas e traumas do passado, as três reúnem força, coragem e uma quarta integrante, Belle (Cynthia Erivo), para tornarem-se heroínas de suas próprias jornadas. 

Essa trajetória de superação é marcada pelo empoderamento da mulher negra e imigrante - latina e leste europeu - na atual Chicago, com diversos questionamentos políticos sobre esta parcela da sociedade estadunidense. A política na verdade, é o cerne de todo o desarranjo de destino sofrido por essas viúvas, o conflito entre a tradicional e velha política versus a nova forma de fazer política é ostentada em várias cenas por meio de diálogos calorosos entre Tom Mulligan (Robert Duvall) e Jack Mulligan (Colin Farrell), pai e filho, ambos políticos. 

A narrativa que num primeiro momento se encaixa num gênero de ação com a cena febril de perseguição dos assaltantes logo no começo, se direciona para algo muito mais profundo e complexo, dissecando diversos mecanismos institucionais como política, casamento e igreja. Por sua vez, o roteiro triunfa na construção desse mosaico de interesses com uma história extremamente atual, ágil e visceral que imprime reviravoltas formidáveis, como por exemplo, na cena de faro e descoberta do cachorro de Veronica. 

A química dos atores é combustível para a fluidez da narrativa, destacando o brilho da atriz Viola Davis que por meio da interpretação de sua personagem imersa no luto, demonstra rigidez e determinação, mas que transborda em emoções quando necessárias. 
CineBliss




Ficha técnica: 

As viúvas (Widows) 
Estados Unidos, 2018
Direção: Steve McQueen 
Roteiro: Steve McQueen, Gillian Flynn
Produção: Iain Canning, Steve McQueen, Arnon Milchan, Emile Sherman
Fotografia: Sean Bobbitt 
Montagem: Joel Walker
Elenco: Viola Davis, Michelle Rodriguez, Elizabeth Debicki, Cynthia Erivo, Colin Farrell, Liam Neeson