quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

"La La Land - Cantando estações" encanta os corações de apaixonados, sonhadores e crentes na magia do cinema


Com 14 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Roteiro Original, Diretor, Ator e Atriz, o filme "La la land: Cantando estações" (2016), do jovem diretor Damien Chazelle (Whiplash: Em busca da perfeição), é a sensação desse começo de 2017.  O longa metragem,  que já logrou 7 estatuetas do Globo de Ouro, nas categorias Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Atriz, todos no quesito Comédia/Musical, brinda o espectador com uma narrativa nostálgica dos musicais e do jazz, embalada pelo romance de dois sonhadores, Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling).

Nessa jornada de musicalidade, magia e determinação, o cenário é a ensolarada Los Angeles, com todos os atrativos turísticos, menos o tráfego. Justamente, no congestionamento de carros que o filme desperta com uma apresentação musical, indicando o ritmo e colorido da narrativa. Ali, encontra-se a aspirante à atriz Mia, que divide seu tempo entre audições e o trabalho como barista, num café localizado dentro de um grande estúdio. Sua trajetória, esbarra em encontros inesperadas com Sebastian, um pianista de jazz que sonha em ter seu próprio clube.

À partir da arte dos encontros ao acaso, Mia e Sebastian, dão asas ao amor romântico de duas liberdades entrelaçadas, sem deixarem de acreditar em seus respectivos sonhos individuais. Com o apoio um do outro, eles partem em busca de colocar em prática seus objetivos, mesmo que certas escolhas possam interferir na fluidez do relacionamento.

Com várias referências aos musicais do passado, incluindo "Cantando na chuva" (1952), "La la land: Cantando estações" embala com uma trilha sonora marcante, não só pelas canções criativas e românticas, que contagia os ouvidos de cada espectador, mas também, nos sons intensos e nas buzinas de carros, o que torna-se numa marca registrada de Sebastian. Para incrementar a parte técnica, a fotografia apresenta um visual estonteante com uma paleta de cores vivas e vibrantes, assim como, uma tonalidade mais escurecida para cenas nos clubes de jazz.

O casal de atores Emma Stone e Ryan Gosling - atuam juntos pela terceira vez -, estabelecem uma química afetiva de alto nível, cujo resultado é de extrema vivacidade para os personagens. Não é à toa, que ambos estão na corrida para o Oscar. Merecidamente, o filme segue para conquistar diversas estatuetas na premiação no dia 26 de fevereiro, assim como a consagração do diretor/roteirista Damien Chazelle - de apenas 32 anos de idade - , que através desse romance/musical/comédia, abre espaço para milhares de pessoas em todo mundo, nutrirem seus corações de fantasia, afetividade e coragem. Não deixem de conferir!
CineBlissEK



Ficha técnica: 

La la land: Cantando estações (La la land)
2016, Estados Unidos
Direção: Damien Chazelle
Roteiro: Damien Chazelle
Produção: Fred Berger, Gary Gilbert, Jordan Horowitz, Marc Platt
Fotografia: Linus Sandgren
Montador: Tom Cross
Elenco: Ryan Gosling, Emma Stone, J.K. Simmons, John Legend

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

"Eu, Daniel Blake" é um retrato de milhares de excluídos que lutam por suas dignidades


Atualmente, o Brasil vive um cenário de pessimismo em relação à política e economia, esse fator faz com que muitas pessoas cogitem deixar o país, em busca de melhores condições de vida. Todavia, essa crença de trabalho e oportunidades em um país desenvolvido, caí por água abaixo, em "Eu, Daniel Blake"(2016), do diretor Ken Loach (Ventos da Liberdade), ganhador da Palma de Ouro 2016. 

O longa metragem, tem como cenário a cidade de Newcastle - norte de Londres -, onde se encontra Daniel Blake (Dave Johns), carpinteiro com mais de 40 anos de experiência, que após sofrer um ataque cardíaco, é orientado pelos médicos à não voltar ao trabalho. Dessa forma, para se manter financeiramente, ele recorre ao governo para conseguir um auxílio. No entanto, para o recebimento dessa pensão, Daniel é submetido à uma avaliação física feita por um agente do governo, que contradiz a recomendação médica, afirmando que ele tem condições para trabalhar. 

Ao saber da decisão, Daniel, decide recorrer ao órgão governamental para explicar sua situação, porém, depara-se com um sistema burocrático, desumano, mecânico e falho. Essa mesma estrutura perversa, também atinge a jovem mãe solteira Katie (Hayley Squires) e seus dois filhos, quando são relocados pelo governo de Londres para Newcastle. Daniel e Katie, conhecem-se no local de atendimento do governo e a partir dali, iniciam uma profunda amizade, oferecendo suporte um ao outro.  

Nesse retrato amargo e real da vida de Daniel Blake, vê-se na figura desse personagem, um retrato de milhares de excluídos da sociedade, que lutam por suas dignidades. Em todo momento do filme, Daniel procura elucidar sua profissão e como lhe faz falta não ter mais condições físicas para trabalhar. Mesmo sem conhecimento do mundo digital e computadores, ele esforça-se para conseguir preencher a aplicação online requisita pelo governo, mas aparenta andar em ciclos sobre seu processo.

O roteiro provocador assinado por Paul Laverty, logra com uma narrativa complexa e triste, ao mesmo tempo sensível e humana. Concomitantemente, a fotografia clara proporciona um nível de realidade ainda maior para a história. Sem sombra de dúvida, o personagem de Daniel Blake é um herói para milhões de pessoas ao redor do mundo, que se identificam com sua jornada e com seus poderes humanos - generosidade, dignidade e determinação - para seguir adiante no labirinto desumano do sistema burocrático e capitalista.
CineBlissEK


Ficha Técnica: 

Eu, Daniel Blake (I, Daniel Blake)
2016, França/Reino Unido/ Irlanda do Norte
Direção: Ken Loach
Roteiro: Paul Laverty
Produção:  Rebecca O'Brien
Fotografia: Robbie Ryan
Montador: Jonathan Morris
Elenco: Dave Johns, Hayley Squires

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Com um visual estonteante "Animais Noturnos" fascina na fusão de realidade versus imaginação


Durante a vida, cada indivíduo se vê perante decisões a serem tomadas, algumas são inconscientes ou até mesmo banais, como a escolha da fruta para o café da manhã, outras, são um tanto mais complexas, que acabam determinando todo o percurso da jornada da pessoa e, em alguns casos, resultam no tal do arrependimento ou culpa. No caso do mais recente filme do diretor Tom Ford (Direito de Amar), "Animais Noturnos"(2016), a belíssima negociante de arte, Susan (Amy Adams), encontra-se em um momento de crise no casamento e sobre as escolhas feitas até então. Para sua surpresa, ela recebe em sua casa, o manuscrito de um livro, escrito por seu primeiro marido Edward (Jake Gyllenhaal), dedicado à ela.

Ao debruçar-se na leitura da obra intitulada Animais Noturnos, Susan é introduzida na história do personagem Tony Hastings (Jake Gyllenhaal), junto de sua filha adolescente e esposa, prestes a saírem de férias para o Texas. Durante a viagem no meio da madrugada, a família depara-se com um carro composto por três jovens, que aparentemente estão em busca de encrencas. No meio da rodovia, a família sofre com a "suposta" ameaça desses homens e, o evento altera a vida de todos os envolvidos.

Susan, que sofre de problemas de insônia, logo, se vê envolvida na narrativa triste e violenta e,  através desta, desperta para um processo de reflexões sobre sua trajetória. Particularmente, sobre o fim do relacionamento com o primeiro marido, pois, carrega dentro de si, uma certa culpa pela maneira como conduziu o término da relação. Esse fato, aparentemente, é dos nutrientes de inspiração para o livro de Edward. 

O longa metragem,  brinda o espectador com um deleite visual, a fotografia assinada por Seamus McGarvey, contrasta de uma maneira elegante, cada história apresentada, de um lado tem-se um ambiente frio com a cidade de Nova Iorque como cenário, com vários closes up dos olhos de Susan. Do outro lado, tem-se imagens quentes, com planos abertos da paisagem árida do Texas.

Com a fusão da realidade do passado e do presente versus imaginação, a montagem oferece precisão em cada cena, proporcionando um ritmo cativante para a narrativa. O roteiro, por sua vez, na construção das duas histórias, consegue elucidar de uma maneira efetiva a combinação das narrativas. O grande destaque, sem sombra de dúvida, é para Amy Adams, que está estonteante na personagem de Susan, o modo como expressa-se através do olhar e expressão facial, mostra o alto nível da atriz. 
CineBlissEK




Ficha Técnica: 

Animais Noturnos (Nocturnos Animals)
2016, Estados Unidos
Direção: Tom Ford
Roteiro: Tom Ford
Produção: Robert Salerno, Tom Ford
Fotografia: Seamus McGarvey
Elenco: Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Aaron Taylor-Johnson, Michael Shannon