quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Confira a lista do CineBlissEK com os cinco destaques do Festival do Rio 2016


No último domingo (16), encerrou mais uma edição do Festival do Rio. O blog CineBlissEK, teve o privilégio de conferir nesses 11 dias de maratona cinematográfica, um total de 24 títulos vindos de todo mundo, incluindo longa metragens e documentários. Dessa seleção de filmes, o blog destaque cinco narrativas que proporcionaram de uma maneira brilhante, jornadas de reflexão, provocação e emoção. Confira abaixo as cinco preferências:


Much Loved (Much Loved)
Direção: Nabil Ayouch
França/Marrocos, 2015
Elenco: Loubna Abidar, Halima Karaouane, Asmaa Lazrak, Sara El Mhamdi Elaaloui, Abdellah Didane



Em Marrakech, encontra-se a experiente garota de programa Noha (Loubna Abidar), acompanhada de outras três jovens, que juntas trabalham para satisfazer as necessidades masculinas. Participam de festas ostensivas - banhada de bebidas alcoólicas, drogas e dinheiro -, realizadas por clientes poderosos, onde são tratadas como mero objetos sexuais. Após a finalização de suas noites de trabalho, refugiam-se num apartamento modesto, unindo-se uma a outra, tanto para defender-se de qualquer abuso, como na cama para dormir. Essas mulheres em suas intimidades, andam pelo apartamento de pijamas infantis, discutem sobre bobagens como irmãs e alimentam sonhos para melhorarem de vidas. 
Uma narrativa febril e emocionante, que mergulha em um universo perverso e violento, no qual a mulher não possui nenhum tipo de direito. Um meio dominado por homens poderosos, que contrasta com a miséria das ruas em Marrakech. 


Você e o seus (Dangsinjasingwa dangsinui geot)
Direção: Hong Sang-soo
Coreia do Sul, 2016
Elenco: Kim Ju-Hyeok, Lee Yoo-Young


A divertida comédia coreana, apresenta o pintor Young-soo (Kim Ju-Hyeok) com diversos problemas pessoais. Um deles, envolve a descoberta de que sua namorada Minjung (Lee Yoo-Young), bebe demais e até saiu com um homem desconhecido. Ao ser interrogada pelo namorado, a jovem nega tudo e decide dar um tempo na relação. Logo, Young-soo percebe seu verdadeiro amor por Minjung, indo à procura dela por toda cidade. Já Minjung, parte para encontros inesperados com certos homens, em que demonstra um outro lado de sua personalidade.
A trilha sonora do filme, converte-se num elemento fundamental para demarcar a passagem de tempo, tal como o roteiro simpático, preciso e elegantemente cômico.


Capitão Fantástico (Captain Fantastic)
Direção: Matt Ross
Estados Unidos, 2016
Elenco: Viggo Mortensen, Frank Langella, Kathryn Hahn, George MacKay, Samantha Isler, Annalise Basso



O pai de família Ben (Viggo Mortensen) junto de sua esposa, decidiram criar os seis filhos no meio da floresta, sem contato nenhum com a civilização, a não ser através de livros. Com uma rotina, regada de exercícios físicos, caça para própria alimentação, contato com a natureza e discussões intelectuais, Ben acredita ser a melhor educação para sua prole. Todavia, com o falecimento da esposa, eles recebem o chamado para aventurar-se na sociedade capitalista e testarem seus conhecimentos, assim como experimentarem novas realidades. 
O ator Viggo Mortensen está primoroso no papel do pai hippie e devoto. O roteiro do road movie familiar, que contrasta natureza versus civilização e, com pitadas de sarcasmo, está construído de uma forma magnífica.


Toni Erdmann (Toni Erdmann)
Direção: Maren Ade
Alemanha/Áustria, 2016
Elenco: Peter Simonischek, Sandra Huller, Lucy Russell



O professor de música Winfried (Peter Simonischek), decidi tirar férias para viajar à Romênia, com o intuito de surpreender sua filha Inês (Sandra Huller), para uma possível reaproximação. Por outro lado, a jovem de extrema organização, dedica o seu tempo ao trabalho, sem permitir espaço para esse contato. Na verdade, Inês prefere continuar a relação de pai e filha com o mesmo distanciamento. Dessa forma, Winfried, utiliza de sua criatividade e concebe um personagem chamado Toni Erdmann,  - com peruca e dentes postiços - para com isso estabelecer uma ligação com a filha. Aversa à essa situação, Inês resiste a todo momento, porém, Toni Erdmannn insiste nessa conexão. 
Um filme de extrema sensibilidade com uma mistura precisa de humor. Os atores Peter Simonischek e Sandra Huller criam uma química perfeita nesta relação paternal, o que permite uma excelente fluidez da narrativa.


O cidadão ilustre (El ciudadano ilustre)
Direção: Gastón Duprat e Mariano Cohn
Argentina/Espanha, 2016
Elenco: Oscar Martínez, Dady Brieva, Andrea Frigerio


Selecionado para o encerramento do Festival do Rio 2016, o filme "O cidadão ilustre" retrata o regresso do escritor Daniel Montavani (Oscar Martínez) - ganhador do Prêmio Nobel de Literatura - à sua cidade natal, Salas (Argentina), para receber a homenagem de cidadão ilustre. Mesmo após 40 anos morando fora, Daniel, logo é acolhido com entusiasmo e carinho pelos moradores e antigos amigos. No entanto, algumas atitudes contrárias à norma vigente, faz com que Daniel seja alvo de várias acusações, transformando-se em um sujeito estranho para o município. 
Com um refinado humor negro, o filme provoca diversas reflexões e consagra o ator Oscar Martínez, em sua brilhante interpretação.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Festival do Rio - "Amnésia" propõe uma reflexão sobre o passado e o presente alemão através de duas gerações


A ensolarada e paradisíaca ilha de Ibiza (Espanha), é o cenário escolhido pelo diretor Barbet Schroeder (Cálculo mortal), para introduzir sua trama "Amnésia" (2015), cujo foco permeia certos obscurantismos do passado alemão. Nesse local de luz e calor, encontra-se Martha (Marthe Keller), uma mulher de meia-idade que vive sozinha, em uma casa simples de frente para o mar. Ao ser surpreendida por seu novo vizinho, Jo (Max Riemelt) - jovem alemão que sonha em ser DJ - os dois iniciam uma amizade. 

À medida que Martha e Jo, tornam-se íntimos, diversas questões relacionadas ao passado misterioso da primeira, despertam. Num primeiro momento, sobre o fato de Martha escolher comunicar-se em inglês, sem que seja sua língua nativa. Outro aspecto, dá-se pela presença de um violoncelo, que se recusa à tocar. Imersa em um passado sombrio, Martha nega de todas as maneiras qualquer elemento da cultural alemã.

Com um roteiro provocativo, no sentido de refletir sobre quais caminhos à seguir após uma história tão marcada de brutalidade e horror, o filme apresenta algumas possibilidades escolhidas por diferentes gerações. Para intensificar esse aspecto, o longa utiliza-se de um jogo de contrastes, entre luz versus escuro e música clássica versus eletrônica. 

As paisagens deslumbrantes de Ibiza, com a refinada fotografia, dão um toque especial, nessa jornada de amizade. Por sua vez, a trilha sonora, tem um papel fundamental na narrativa, como mecanismo para construir carreiras profissionais ou simplesmente curar dores do passado. Sem deixar-se contaminar por maneirismos, o longa aufere sensibilidade em relatar a culpa de uma nação, de um passado ainda não tão distante.
CineBlissEK
*Visto durante o Festival do Rio 2016



Ficha técnica: 

Amnésia (Amnesia)
2015, França/Suiça
Direção: Barbet Schroeder
Roteiro: Barbet Schroeder, Emilie Bickerton, Peter F. Steinbach, Susan Hoffman
Produção: Margaret Ménégoz, Ruth Waldburger
Fotografia: Luciano Tovoli
Elenco: Marthe Keller, Max Riemelt, Bruno Ganz

Festival do Rio 2016 - Os filmes "No andar de baixo" e "Minha amiga do parque", abordam o tema da maternidade


Na maratona cinematográfica carioca no Festival do Rio 2016, o blog CineBlissEK, conferiu dois longas que abordam o tema da maternidade, através de diferentes pontos de vista, tanto na questão do gênero do filme, quanto no enfoque, assim como, a similaridade no quesito da solidão e das dificuldades das mamães.

No suspense inglês "No andar de baixo" (2015), do diretor David Farr, o casal Kate (Clémence Poésy) e Justin (Stephen Campbell Moore) estão no aguardo do primeiro bebê. Coincidentemente, no andar de baixo do flat onde moram, muda-se Jon (David Morrisey) e Theresa (Laura Birn) que também estão à espera do tão sonhado filho. As duas futuras mamães, começam a passar algumas horas juntas, conversando sobre a gestação, dando elo para uma amizade. Todavia, um ocorrido traumático entre os quatro, revela um temperamento assustador de Jon e Theresa, o que cria um certo distanciamento entre eles, temor e suspeitas. 

O diretor que também assina o roteiro, consegue gerar um labirinto de dúvidas em relação a idoneidade de cada personagem, com uma precisa fluidez. A cada nova descoberta, maior tornar-se o mistério. Vale ressaltar, uma certa semelhança com "A mão que balança o berço" (1992), no quesito suspense e tensão. 


Na carona da solidão e fragilidade feminina após o nascimento do bebê, tem-se o longa latino  "Minha amiga do parque" (2015) da diretora Ana Katz, que interpreta a personagem Rosa. Nessa jornada de maternidade não tão romantizada, encontra-se a novata mamãe Liz (Julieta Zylberger), sozinha, insegura e sobrecarregada com os cuidados do filho, uma vez que  o marido está no Chile à trabalho. Dividida entre o apartamento e os passeios no parque, a jovem dedica-se praticamente todo seu tempo ao filho.

Em uma de suas caminhadas pelo espaço público de lazer, Liz conhece Rosa, uma operária e mãe solteira. As duas se aproximam e tornam-se amigas, contudo algumas fofocas das outras mães que também frequentam o parque, sobre o caráter de Rosa, faz com que Liz comece a suspeitar das reais intenções dessa amizade. Além disso, a diferença social alimenta essa sombra de dúvida, pois certos comportamentos de Rosa relacionados à dinheiro, intriga Liz.

Ana Katz, proporciona um retrato palpável sobre a questão da maternidade desacompanhada, todavia, o filme transcorre de uma maneira estancada, vai e volta no mesmo tema da amizade entre as duas mulheres, sem lograr com algo contundente.
CineBlissEK



sábado, 8 de outubro de 2016

O filme "A chegada" abre o Festival do Rio 2016


Na última quinta-feira (6), o blog CineBlissEK teve o privilégio de conferir a grande gala de abertura do Festival do Rio 2016, na Cidade das Artes, com a exibição do filme "A chegada" (2016), do diretor canadense Denis Villeneuve (Incêndios; Sicario: Terra de ninguém). A ficção científica, apresenta a jornada da renomada linguista Dra. Louise Banks (Amy Adams), quando é procurada por militares americanos, para desvendar uma possível comunicação com seres alienígenas, que pousaram no planeta Terra. Ao lado dela, há o matemático Ian Donnelly (Jeremy Renner), para ajudá-la na missão de dialogar com esses seres, com o propósito de saber se eles são ou não, uma ameaça para a raça humana. 

Guiada por seus instintos, a Dra. Louise estabelece contato com os forasteiros do outro planeta, assimilando os reais objetivos deles e, principalmente, compreende certos aspectos de sua vida pessoal. Com o roteiro assinado por Eric Heisserer, a narrativa busca interligar o cenário alarmante da invasão de alienígenas, com a intimidade de um perda sofrida pela linguista, através da não linearidade da trama. Vale ressaltar, a atuação da atriz Amy Adams, que promove uma sensibilidade e profundidade a personagem.

O filme, vem a calhar com o momento atual da sociedade, em relação a ausência de comunicação ou união dos povos, tanto do lado brasileiro com o conturbado cenário político, a Europa a cerca dos refugiados, e, os Estados Unidos com a histórica eleição presidencial.

O Festival do Rio 2016, acontece até o dia 16 de outubro, em diversos pontos da cidade. Para maiores informações acesse: www.festivaldorio.com.br