quinta-feira, 16 de julho de 2015

Da união das vozes da mente surge a animação "Divertida Mente"


Saber o que se passa na mente de uma outra pessoa talvez seja uma das maiores curiosidades do ser humano, com certeza muitos já se perguntaram: "O que ele(a) está pensando"?, com essa questão o diretor Pete Docter (Up - Altas aventuras; Monstros S.A.) trás as telas de cinema uma das histórias mais criativas do universo cinematográfico atualmente. Em "Divertida Mente" o espectador é contemplado com a trajetória da menina Riley desde o seu nascimento até seus 11 anos de idade. Essa jornada é enaltecida de um lado pela perspectiva da garota e do outro através da mente dela com elementos da emoção, cuja função é guiar a vida de Riley.

As cinco emoções de Riley, Alegria (Amy Poehler/Miá Mello), Tristeza (Phyllis Smith/Katiuscia Canoro), Medo (Bill Hader/Otaviano Costa), Raiva (Lewis Black/Léo Jaime) e Nojinho (Mindy Kaling/Dani Calabresa) convivem dentro da cabeça da menina, na parte dos olhos e tem uma sala de controle para enviar os sentimentos para a garota. Quem primordialmente fica no comando é a Alegria proporcionando bolas amarelas que representam as memórias de Riley, nesse caso felizes. Para cada emoção existe uma bola respectiva da cor, esse amontoado de bolas caracterizam a índole da menina e através disso formam-se ilhas de personalidade, no caso dela há a da Família, dos Amigos, da Honestidade, da Baboseira e do Hockey.

Tudo parece caminhar na devida harmonia até o chamado à aventura de Riley quando muda-se para a cidade de São Francisco, juntamente com isso na central de comando começa a acontecer desentendimentos entre a Alegria e a Tristeza causando confusão e resultando na ejeção delas para outro lugar da mente de Riley, especificamente nas memórias de longo prazo. A partir disso, o filme dividi a história em duas jornadas, uma é da menina que não sente mais alegria ou tristeza, tornar-se indiferente e o começo de crises da adolescência, enquanto em sua mente há a outra trajetória sendo traçada pelas duas emoções. Alegria tenta de todas as formas buscar uma maneira de voltar para a central de comando enquanto Tristeza até arrisca ajudá-la mas tem acesso de desânimo e desesperança.

No labirinto de lembranças de Riley, Alegria e Tristeza encontram aliados para lhes ajudar no caminho de volta, assim como provações a cada tentativa de sucesso. A forma como as aventuras das duas emoções são mostradas é de uma beleza e criatividade sem tamanho, cada lugar que elas acessam na mente da garota remete ao público imaginar se talvez realmente não seja isso que aconteça com cada pessoa. Alegria e Tristeza visitam lugares bem interessantes como a Ilha da Imaginação e a Fábrica de Sonhos (parecido com uma produção de filme) e claro causando confusões no esforço de chegarem ao destino de comandarem novamente a mente da garota.

Do lado de fora, Riley sofre com a adaptação na nova escola ao ponto de elaborar um plano de fuga de volta a sua cidade natal, essa estratégia também vem de sua mente, contudo orquestrado pela Raiva que decide introduzir uma lâmpada de grande ideia para sugerir essa saída de casa.

Assim como a animação trás a complexidade da mente com as emoções comandando a vida de Riley, há também os mesmos sentimentos na cabeça da mãe e do pai, que são mostrados de uma maneira hilária. Como na cena ao qual a família está na comunhão do jantar e a mãe pergunta a menina como foi o primeiro dia de escola, Riley como havia chorado na sala diz que foi ok, a mãe vendo o estado da filha olha para o marido em busca de apoio, contudo a mente dele está assistindo um jogo de futebol e não faz ideia de qual era a conversa. Há também a sequencia do garoto quando esbarra em Riley e sua mente apita um sinal de alerta vermelho dizendo "menina".  

Como a maioria das obras cinematográficas há a moral da história e nesse caso, com uma profundidade emocionante, pois a Alegria reconhece com o choro a função da Tristeza e vê o quão o seu papel é importante para a vida de Riley uma vez que através do último sentimento cria-se a aproximação, união, afeto e compaixão. Com a junção de Alegria e Tristeza as memórias da garota ganham outra relevância e as bolas misturam as colorações das duas. É interessante notar a cor azul predominante na Tristeza e no cabelo de Alegria, pois em inglês a tonalidade azul é chamada de "blue" que também pode ser traduzida como o estado de espírito triste.

Visto que uma grande parte das animações atualmente sejam voltadas não só ao público infantil como também aos adultos, "Divertida Mente" talvez esteja mais interligada com o telespectador crescido, afinal a identificação é mais palpável assim como o fascínio de visualizar com criatividade e colorido como poderia ser a representação da mente de cada pessoa. O diretor Pete Docter com certeza proporciona a plateia uma das mais divertidas e originais animação dos últimos anos.  
CineBlissEK



Curiosidades: 
  • A ideia do diretor em produzir esse filme veio do nascimento de sua filha e a curiosidade de saber o que passava-se na cabeça dela;
  • Cada emoção foi pensando com base num formato: Alegria como estrela; Tristeza como lágrima; Raiva como tijolo; Nojinho como brócolis; Medo como um nervo exposto; 
  • As emoções explícitas no filme  foram baseadas em outra animação da Walt Disney, "Branca de neve e os sete anões";

Ficha Técnica: 

Divertida Mente (Inside Out)
2014 , Estados Unidos
Direção: Pete Docter, Ronaldo Del Carmen
Roteiro: Josh Cooley, Meg LeFauve, Pete Docter
Produção: Jonas Rivera

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