terça-feira, 14 de novembro de 2017

Com roteiro bem humorado "Doentes de amor" contagia pela simplicidade e leveza


O estopim para qualquer roteiro de comédia romântica flerta na concepção básica de "menino encontra menina" ou vice versa, logo, o casal se apaixona, se desentende, enfrenta conflitos para no final, na maioria das vezes, ficarem juntos. No caso de "Doentes de amor" (2017), do diretor Michael Showalter, essa premissa até se faz presente, porém os ingredientes para conduzir a narrativa são direcionados para outro patamar, iluminando para uma outra relação, a do rapaz com os pais da mocinha.

Baseado na vida real dos roteiristas Kumail Nanjiani e Emily V. Gordon, o primeiro interpretado por ele mesmo e condutor da narrativa, tem em sua origem paquistanesa um dos elementos primordiais para sua jornada.  Com uma família extremamente devota das tradições, Kumail divide seu tempo como motorista de Uber, comediante e, pretendente para diversas mulheres arranjadas por sua mãe, que tem o sonho de casá-lo com alguém de mesma nacionalidade. Ao se apaixonar por Emily (Zoe Kazan), uma moça branca americana, estudante de psicologia, o comediante se vê num dilema emocional diante da tradição familiar versus seus próprios sentimentos.

Para incrementar ainda mais o conflito, Emily é internada às pressas em um hospital por causa de uma infecção, e, acaba sendo induzida ao coma. À partir daí, a narrativa desloca-se do romance do casal, para focar na relação de Kumail e os pais da jovem, Beth e Terry - respectivamente desempenhados por Holly Hunter e Ray Romano -, enquanto aguardam no hospital a melhora da filha. Os três embarcam numa aproximação um tanto quanto obrigatória, que num primeiro momento, é cercada por barreiras e preconceitos para depois ganhar novos ares. É justamente nesse ciclo que Kumail desperta para questionar sua própria vida até então governada por seus pais, tendo como mentores Beth e Terry cuja relação também passa por um momento de crise.

O roteiro bem humorado e inteligente transcorre de forma assertiva do começo até o meio da narrativa, como na cena em que Kumail e Emily estão se despedindo depois de fazerem sexo e, ela pede um Uber, a resposta vem do motorista mais próximo, no caso, o comediante. Porém, quase no final torna-se um pouco arrastada com situações um tanto quanto banais, cuja função é forçar emoções no espectador. Esse fator, não desmerece a graça e simplicidade do filme.

"Doentes de amor" produzido por Judd Apatow mesmo de "Missão madrinha de casamento" e "Descompensada", segue a linha de seus antecessores com o mesmo ritmo ágil para as piadas. Kumail Nanjiani - que interpreta Dinesh no seriado da HBO Silicon Valley -, ao emprestar sua vida para o personagem do filme, permiti revelar seu lado simpático e cativante por meio de diálogos inteligentes, sarcásticos e provocadores. Além de uma comédia romântica misturada com drama, "Doentes de amor", aposta na reflexão sobre as diferenças culturais sem deixar de ser leve e divertida.
*Visto no Festival do Rio 2017
CineBlissEK





Ficha técnica:

Doentes de amor (The Big Sick)
Estados Unidos, 2017
Direção: Michael Showalter
Roteiro:  Emily V. Gordon, Kumail Nanjiani
Produção:  Barry Mendel, Judd Apatow
Fotografia: Brian Burgoyne
Elenco:  Kumail Nanjiani, Zoe Kazan, Holly Hunter, Ray Romano

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