quinta-feira, 6 de julho de 2017

A importância da semente plantada por "Mulher-Maravilha" para futuras gerações


Com a estreia do filme solo da super-heroína da DC Comic, "Mulher-Maravilha" (2017), milhares de teorias e discursos feministas repercutiram nas redes sociais. Dirigido pela americana Patty Jenkins (Monster - Desejo assassino) - que assumiu o comando após o afastamento de Michelle MacLaren, o longa-metragem apresenta uma referência de mulher que sabe exatamente o que quer, uma mulher que se posiciona, uma representação do feminino que não utiliza da sensualidade para atingir seus objetivos, e sim, da inteligência e força física. A atriz israelense Gal Gabot, abraça com carinho a personagem Diana Prince/Mulher Maravilha, presenteando o público com uma heroína jus ao momento atual da sociedade ocidental nas reivindicações de direitos iguais e inúmeras provações no dia a dia. 

Originária da ilha paradisíaca de Themyscira, Diana, ao lado de outras amazonas é treinada por sua tia Antiope (Robin Wright), para ser a maior guerreira. À chegada inesperada do capitão Steve Trevor (Chris Pine) - acidentalmente caí na ilha depois de seu avião ser abatido -, desperta na jovem seu chamado à aventura. Contrariando sua mãe, a rainha Hippolyta (Connie Nielsen), ela decidi juntar-se a Steve, para tentar impedir que a guerra tome proporções ainda mais devastadoras. Para isso, Diana acredita que precisa encontrar o deus da guerra Ares, combate-lo, para impedir sua influência sobre os humanos. Todavia, as atrocidades estão à cargo do General Erich Ludendorff (Danny Huston) e, a química Doctor Maru/Poison (Elena Anaya). 

Durante as duas horas e pouco de duração, observa-se uma guerreira que busca enfrentar o que for necessário para atingir seu objetivo, mesmo contrariando recomendações de outras pessoas. Sua esperança em trazer a paz no mundo novamente, é a sua força motriz.  Ao mesmo tempo, vê-se uma heroína ativa e sem apelo sexual, junto de outros homens, companheiros da empreitada. O personagem do capitão Steve Trevor, é de um homem consistente, destemido e convincente, cuja significância para jornada da Mulher Maravilha é crucial no sentido de complementaridade e não de dominação.

O roteiro situado na Primeira Guerra Mundial - a história de quadrinhos de 1941 tem-se a Segunda Guerra Mundial -, proporciona uma narrativa introdutória sobre a origem da Mulher Maravilha de um modo didático, com uma fotografia clara e viva nas cenas em Themyscira, para logo depois, o público ser arremessado na escuridão do conflito armado na Europa. Em Londres, Diana necessita a todo momento provar sua força e posição perante os homens que a cercam. Claro, que não poderia faltar uma parcela de humor, perante tanto horror, esse feito além de ser realizado pelo casal, também é visto na secretária de Steve, Etta Candy (Lucy Davis), que proporciona divertidas provocações em relação à sociedade patriarcal, além de dar menções do movimento das sufragistas.

Com um figurino libertador, que valoriza um vestuário para facilitar nas lutas e não para apelo sensual, Mulher Maravilha enfrenta seus adversários com a consistência e habilidade de uma heroína. Os diversos planos de slow motion, são uma outra forma de realçar a força física de Diana, sem em nenhum momento masculinizá-la.

O ponto fraco do filme se concentra no embate final, com um vilão pouco desenvolvido durante a narrativa. Por outro lado, a mensagem de amor e união entre homens e mulheres, deixa notório que só através desses dois elementos, o mundo pode sonhar com a esperança de tempos de paz. Dessa forma, a importância de milhares de meninas/jovens/mulheres/senhoras, em se verem finalmente representadas no universo dos super-heróis, é uma conquista que trará sementes poderosas para as futuras gerações.
CineBlissEK



Ficha Técnica: 

Mulher-Maravilha (Wonder Woman)
Estados Unidos, 2017
Direção: Patty Jenkins
Roteiro: Zack Snyder, Allan Heinberg, Jason Fuchs
Produção: Charles Roven, Deborah Snyder, Zack Snyder
Fotografia: Matthew Jensen
Elenco: Gal Gabot, Chris Pine, Robin Wright, Connie Nielsen, David Trewlis, Danny Huston, Elena Anaya, Lucy Davis

Um comentário:

  1. Legal, bem isso que fala mesmo, gostei, apesar de ser um pouco violento, mas tem a ternura e a mensagem que diz mesmo!!!!

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