segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Em "As pontes de Madison" o amor demanda por escolhas delicadas


 "O amor é um nó feito de duas liberdades entrelaçadas
  Amor é escolha
  Amor é liberdade de escolha
  Escolha da liberdade
  Amor é a aposta deliberada na liberdade. Não só a minha, mas a do ser amado".
                                                                                                    (Octavio Paz)

O amor entre um casal envolve escolhas como descritas acima pelo autor Octavio Paz, às vezes a escolha de duas liberdades é se unirem em um nó, mas há também a liberdade de cada um optar pelo caminho de se estar só ou com outra pessoa. Eis o grande mistério da liberdade de escolha do amor que acarreta a responsabilidade de decidir, não há como ficar na "terceira margem do rio", ou seja indeciso, cada um tem que eleger o caminho a seguir e ser responsável pela decisão.

No filme "As pontes de Madison" (1995) o diretor Clint Eastwood trabalha justamente o amor e a liberdade de escolha dos apaixonados. No verão de 1965 no estado de Iowa, Estados Unidos, a dona de casa Francesca (Meryl Streep) ao se despedir de seu marido e filhos que partem para uma viagem, nem imagina que os quatro dias a sós serão os mais importantes de sua vida. Ao estar sozinha em sua fazenda se vê surpreendida com a chegada de um homem perguntando pela direção da ponte Rosemary, ao explicar ela decidi ir junto para ele não se perder.

Esse estranho homem chamado Robert (Clint Eastwood) é um fotógrafo da revista National Geographic que viaja pelo mundo tirando fotos de diversas culturas, seu trabalho em Iowa é fotografar a ponte Rosemary. Após Francesca levá-lo até o local, esta resolve convidá-lo para jantar em sua casa. Nesse jantar cada um fala sobre suas vidas, ela uma imigrante italiana mãe de dois filhos presa na instituição casamento, se encanta ao ouvi-lo descrever os lugares visitados. Ele um divorciado e viajante diz precisar de todas as pessoas, mas ninguém em particular, demonstrando seu desapego a qualquer pessoa ou convenção social.

Num primeiro momento é nítido a atração que Robert exerce sobre Francesca ao ponto de culminar na entrega dos dois a paixão que toma conta do corpo e mente de ambos. Esse caso amoroso com data para terminar faz com que tanto ela quanto ele se entreguem totalmente ao amor sem medo de qualquer consequência, são conduzidos pelo coração a simplesmente viverem aquele presente.

O despertar para o amor traz a transformação em Francesca, muda suas vestimentas de vestidos para calça jeans, seus cabelos que no início apareciam presos vê se depois soltos para voarem com o vento. Através da sensibilidade e do amor de Robert, ela se vê livre de qualquer amarra da sociedade, assim como ele nos braços de Francesca encontra um pouso seguro para relaxar de sua vida sem morada fixa.

A ponte que serve como isca para a união desse casal representa simbolicamente ligar o que está separado, a junção de uma margem a outra de um rio. Unir essas duas margens, passar nesta ponte é estar pronta para viver o amor, para se entregar ao desconhecido da paixão. 

Mas como qualquer coisa na vida, o amor também exige decisões e cada um tem a liberdade de fazer a sua, Robert pede para Francesca seguir com ele, abandonar a família. Mas ela até faz suas malas para caminhar junto ao amado, contudo opta por seus filhos e marido, mesmo sabendo que não viverá seu grande amor, escolhe o papel que fora lhe dado. Quantas mulheres principalmente na década de 60 também não tiveram que fazer escolhas semelhantes?

Robert ao se despedir de Francesca diz: "...é por isso que estou neste planeta, neste momento Francesca. Não é para viajar nem para tirar fotografias, mas para te amar. Agora sei. Quando penso em porquê fotografo, a única razão que me vem à mente é que passei minha vida tentando chegar aqui. Tenho a impressão de que tudo que fiz até hoje foi para chegar até você". 

O filme que inicia-se com os filhos de Francesca lendo o testamento da mãe falecida e seu pedido para ter suas cinzas jogadas na ponte Rosemary, se solidarizam com sua vontade após lerem o diário escrito por Francesca relatando seu caso amoroso com Robert e sua decisão de escolher a família. Essa leitura também os ajudam a questionarem seus próprios casamentos.

O romance tem seus ingredientes "água com açúcar" para emocionar o público, mas mesmo assim conquista o telespectador pela belíssima fotografia e claro pela ótima interpretação da atriz Meryl Streep que foi indicada ao Oscar por esse personagem.
CineBlissEK

                                           


Curiosidades:

  • Sydney Pollock diretor de "Entre dois amores" de 1985 era indicado para direção deste filme e Robert Redford como protagonista 

Ficha Técnica:

As pontes de Madison (The bridges of Madison County)
1995, Estados Unidos
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Richard LaGravaneve
Produção: Clint Eastwood, Katherine Kennedy
Fotografia: Jack N. Green
Elenco: Clint Eastwood, Meryl Streep, Annie Corley, 

Bibliografia:

PAZ, Octavio. A dupla chama - Amor e Erotismo

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