quinta-feira, 21 de junho de 2018

"O amante duplo" triunfa com suspense apimentando de erotismo


Estreia nesta quinta-feira (21), o filme francês "O amante duplo", do diretor François Ozon (Potiche - Esposa troféu; Jovem e Bela) que fez parte da competição oficial do Festival de Cannes, em 2017. Nesta enigmática narrativa contaminada de elementos hitchcockiano, o suspense é construído no universo das aparências e da ambiguidade que circundam os personagens principais, Chloé (Marina Vacht) e Paul (Jérémie Renier). 

Chloé, é uma mulher atormentada por traumas do passado e reprimida sexualmente. Ao buscar por tratamento conhece o psicólogo Paul e, logo, os dois se envolvem amorosamente. Conforme a relação avança, Chloé observa não saber nada sobre a vida do amante. Ela decidi investigar e, acaba descobrindo a existência de um irmão gêmeo de Paul, Louis. À partir dessa revelação, Chloé é tragada num labirinto de mistérios, incertezas e erotismo.

A construção da narrativa é tangenciada por questões do âmbito da psicanálise, de como funciona a mente da personagem Chloé, o que segundo o diretor permitiu escolhas mais sofisticadas na condução da direção: "O filme conta uma história essencialmente mental, e a ideia foi dirigir arquitetualmente, brincando com a simetria, reflexos e geometria". Esses reflexos são salientados na maioria das sequencias com a utilização de espelhos nos cenários e ângulos da câmera propositalmente direcionados para reforçar a ótica simbólica da dualidade. 

Esse domínio de forças duplas e distintas é marcante na personagem de Chloé, uma vez que, ao lado de Paul é reservada e acanhada, e, com Louis, expressa atrevimento e sedução. Os irmãos gêmeos navegam no mar das oposições, em razão de Paul manifestar cautela e serenidade e, o Louis, ousadia e frenesi. Até mesmo o vestuário é utilizado para reforçar o contraste entre os dois, o primeiro veste roupas claras e o segundo preto.

Dois elementos merecem destaque, a participação especial da atriz inglesa Jacqueline Bisset, como Mme Schenker, cuja cenas são poucas, mas para o desenvolvimento da narrativa é uma peça chave. E o outro, são as sequencias envolvendo o jogo de sedução entre os amantes com a nudez de seus corpos compondo a mise en scène, o que contempla o espectador para um erótico embate de poder de dois personagens despidos de suas máscaras. Haja visto, quando Chloé e Louis estão sentados na cadeira do consultório dele, frente a frente, sem roupa, observando um ao outro, é de tirar o fôlego.
CineBliss




Ficha técnica: 

O amante duplo (L' Amant Double) 
França, 2017
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon
Produção: Eric Altmayer, Nicolas Altmayer
Elenco: Marina Vacht, Jérémie Renier, Jacqueline Bisset

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