segunda-feira, 18 de maio de 2015

Um passeio nostálgico e romântico pela capital francesa com o filme "Meia noite em Paris"


O filme "Meia noite em Paris" de 2011 é praticamente uma homenagem do diretor americano Woody Allen (Vicky Cristina Barcelona; Blue Jasmine; Magia ao Luar) à capital francesa, assim como ele já fez para sua cidade natal, Nova Iorque no filme "Manhattan" de 1979, em "Meia noite em Paris" há uma declaração de amor. Logo, nos minutos iniciais há cenas das ruas parisienses, a troca das estações e a melodia de Sidney Bechet para dar ritmo ao deleite visual à Cidade Luz.

Para idolatrar Paris e, as pessoas importantes do mundo das artes, que viveram na cidade no começo do século XX, Woody Allen apresenta a jornada do roteirista de Hollywood Gil Pender (Owen Wilson), no período atual em visita à capital francesa, junto de sua noiva, Inez (Rachel McAdams). A jovem, representa uma crítica ao estilo consumista americano, que não se imagina morar em outro país. Já Pender, é o oposto, apaixonado pela Cidade Luz, nutre o sonho de ser um escritor sério e morar em Paris. O detalhe de pensamentos contraditórios, indicam os conflitos do casal, assim como a falta de gostos em comum, enquanto ela prefere ir às compras, ele gosta de caminhar pelas ruas em dias chuvosos.

Devido aos interesses adversos, em uma noite, após a degustação de vinho, Inez decidi ir junto de seus amigos Paul (Michael Sheen) e Carol (Nina Arianda) dançar, enquanto Gil resolve retornar ao hotel andando. Em sua volta, ele se perde pelas ruas e, acaba indo parar dentro de um carro com pessoas um tanto quanto distintas, que dirigem-se à uma festa. Nesta celebração, ele logo estranha as vestimentas das pessoas, o tipo de música e as personalidades apresentadas, pois para seu espanto, são intelectuais da Belle Époque do começo do século XX, Elsa e Scott Fitzgerald, Cole Porter e Ernest Hemingway.  

Com à condição de viajar no tempo, as noites de Gil são preenchidas com personagens idolatrados do seu imaginário e, durante o dia ele precisa tolerar os passeios turísticos por Paris ao lado de sua noiva e do casal de amigos que lhe causa repulsa. Nesses passeios, ele conhece uma guia turística interpretada por Carla Bruni que aparece em duas cenas do filme e, uma jovem vendedora francesa também admiradora de Cole Porter.

Gil um nostálgico de carteirinha, se encanta com esse novo universo, começa a ir todas as noites ao mesmo local para encontrar com seus novos amigos e através deles editar seu primeiro livro. Nos encontros noturnos, ele conversa com Salvador Dalí, Luis Buñuel, T.S. Eliot, Gertrude Stein e Pablo Picasso. Contudo, sua real inspiração para emergir nesse mundo, é encontrar-se com a jovem estilista Adriana (Marion Cotillard), no qual demonstra interesse por seu livro, assim como atração por artistas complicados, pois tem em sua bagagem amorosa, romances com Pablo Picasso, Braque e Amedeu Modigliani.

Assim como os encontros entre Gil e Adriana rendem as cenas românticas, com os dois caminhando por Paris, é também nesse universo nostálgico, no qual o humor é expresso com ares para o intelectual. Como na cena de Gil, Salvador Dalí, May Ran e Luis Buñuel sentados em um bar, discutindo a possibilidade de o roteirista estar apaixonado por duas mulheres de tempos diferentes - Inez no presente e Adriana no passado - e seus amigos acharem a coisa mais normal, já que são representantes do movimento surrealista. Outra situação hilária, é quando o roteirista, dá uma dica para o diretor espanhol Luis Buñuel, em fazer um filme com pessoas presas em uma casa, essa premissa é a história do filme "O Anjo Exterminador" de 1962 do cineasta espanhol.

Woody Allen nesse filme dialoga com o passado e presente em uma Paris romântica, ao mesmo tempo que aborda discussões do mundo das artes e da literatura, contudo, sem deixar de lado à crítica ao pseudo intelectual e a burguesia americana, algo frequente em suas obras cinematográficas. Para a surpresa do público, a interpretação de Owen Wilson como um alter ego do cineasta americano está precisa, com elementos comuns de personagens interpretados anteriormente por Woody Allen como: questões existenciais, humor negro, inseguranças, neuroses e medos.

Nesta aventura de filmar na Europa novamente - "Match Point" em Londres e "Vicky Cristina Barcelona" em Barcelona - o diretor com o artifício de viajar no tempo, produz o filme com um roteiro bem estruturado, mágico e divertido. Aparições de figuras ilustres do universo literário e artístico, causam espanto não só para o personagem principal como também ao espectador, cuja torcida para a jornada de autoconhecimento de Gil em resolver sua crise existencial e, decidir entre passado ou presente, seja materializada da uma forma poética.
CineBlissEK



Curiosidades:
  • Woody Allen já foi indicado 23 vezes ao Oscar, mas sua única aparição na premiação foi para homenagear a cidade de Nova Iorque após o 11 de setembro;
  • O filme ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original em 2012;

Ficha técnica:

Meia noite em Paris (Midnight in Paris)
2011, Estados Unidos/ Espanha
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Produção: Letty Aronson, Stephen Tenenbaum, Jaume Rours
Elenco: Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard, Adrien Brody, Kathy Bates, Carla Bruni

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