quinta-feira, 17 de novembro de 2016

"Much loved" abre espaço para discurtir à exploração do corpo feminino, num local, onde a dominação masculina é suprema


Diretamente do Marrocos, o filme "Much loved" (2015), do diretor Nabil Ayouch (As ruas de Casablanca) estreou na última quinta-feira (10), em circuitos nacionais de cinema. Com uma história centrada no universo da prostituição - na cidade de Marrakech -, o longa apresenta a intimidade de quatro jovens, que dividem a mesma morada e profissão. 

O grupo formado por Noha (Loubna Abidar), Randa (Asmaa Lazrak), Soukaina (Halima Karaouane) e Hlima (Sara Elmhamdi Elalaoui), é liderado pela primeira, que demonstra ter mais experiência com os homens e, também em lidar com qualquer infortúnio. A rotina profissional delas envolve, participar de festas glamorosas realizadas por pessoas poderosas, ou programas privados. Cercada pelo domínio masculino, no qual só opera a lei dos homens, essas profissionais do sexo, são encaradas apenas como objetos sexuais, sem nenhum tipo de direito. 

Na intimidade, as quatro apoiam-se umas nas outras, para defender-se do ambiente perverso, machista e violento, do qual, são submetidas cotidianamente. Nutrem sonhos de um futuro melhor para suas jornadas, como nos casos de: Randa, de ir embora para Espanha encontrar-se com o pai; Soukaina, de morar em outro lugar onde os homens respeitam às mulheres; Noha, em encontrar um marido para protegê-la e ser aceita pela família. No ambiente privado, elas andam pelo apartamento de pijamas infantis, discutem sobre situações banais, dormem juntas, choram ou sorriem, ou seja, acolhem-se como uma família. 

Com uma fotografia vigorosa praticamente todas as imagens carregam ares de provocação e, chocam com o contraste de cenas de luxo e diversão, com a tristeza e misérias das ruas de Marrakech. O ritmo febril da narrativa, expressa o âmago desse universo machista, patriarcal e brutal. Vale ressaltar, a ousadia das atrizes em suas performances, que transparecem em seus olhares, o quão desumano são suas condições. 

O diretor em "Much loved", permite espaço para discutir à exploração do corpo feminino, em um local, do qual, as mulheres não possuem nenhum tipo de direito, onde suas vozes não se fazem ouvir. Encarar as imagens, com certeza, traz uma sensação de desconforto, porém, é algo preciso para uma busca de melhores condições de vida às mulheres em todo mundo, independentemente da profissão. 
CineBlissEK
*Visto durante Festival do Rio 2016



Ficha técnica 

Much loved (Much loved)
2015, Marrocos
Direção: Nabil Ayouch
Roteiro: Nabil Ayouch
Produção: Nabil Ayouch

Fotografia: Virginie Surdej
Elenco: Loubna Abidar, Asmaa Lazrak, Halima Karaouane, Sara Elmhamdi Elalaoui

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