terça-feira, 8 de março de 2016

Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, o blog CineBlissEK comenta a jornada de três mulheres em épocas distintas com o filme "As horas"


A primeira imagem que vem à cabeça com relação ao Dia Internacional da Mulher, são de lutadoras e guerreiras que enfrentaram e ainda desafiam, cada uma do seu jeito, o sistema patriarcal estabelecido na sociedade. As protagonistas de cada lar, de cada escritório, de cada sala de aula, de cada construção civil, de cada modalidade esportiva, ou seja, de cada profissão ao redor do mundo, lidam com situações de desigualdade, constrangimento, violência física, machismo, agressão verbal, entre outros. Em diferentes épocas ou lugares, sempre existiu e agora mais do que nunca existe, heroínas trilhando novos caminhos para um mundo igualitário entre homens e mulheres, onde cada um saiba respeitar seus direitos.

O blog CineBlissEK para homenagear esse dia importante para o sexo feminino, apresenta a jornada de três mulheres em tempos distintos que enfrentaram os padrões existentes para serem exatamente o que eram, "As horas" (2002) do diretor Stephen Daldry (Billy Elliot), baseado no livro de mesmo nome de Michael Cunningham, retrata em um único dia a vida dessas mulheres, aos quais deixam de viver uma mentira, para se colocarem como protagonistas de suas histórias.

Primeiramente, tem-se a escritora inglesa Virginia Woolf (Nicole Kidman) em 1923 escrevendo o romance Mrs. Dalloway, ao mesmo tempo ela enfrenta problemas psicológicos que desafiam a sua própria sanidade, justificando os cuidados constantes de seu marido. Essa vigília, faz com que Virginia sinta-se cada vez mais em uma prisão, não tendo espaço para ser ela mesma. Em outra localidade, Los Angeles, 1951, encontra-se a dona de casa Laura Brown (Julianne Moore), grávida de seu segundo filho, aparentemente com uma vida estável e feliz ao lado do marido, porém sofre calada com a dor de não pertencer ao seu círculo social, de não ver saída para a realidade sufocante. Por último, já em 2001 na cidade de Nova Iorque, vê-se a mulher moderna Clarissa Vaughn (Meryl Streep), numa suposta euforia na realização de uma festa para seu amigo e ex-amante Richard (Ed Harris).

A trama de cada uma é ligada ao romance Mrs. Dalloway, a autora Virginia cria o texto, ao mesmo tempo que Laura, a leitora devora o livro, enquanto Clarissa, uma editora, vivencia a trajetória da obra "... a vida toda de uma mulher, em apenas um dia. E naquele dia, a vida toda dela". Nesse desenrolar, as três precisam desempenhar um papel para um evento festivo. De um lado, Virginia ao receber a visita de sua irmã e empenhar-se para demonstrar melhoras, do outro, Laura em preparar um simples bolo para celebrar o aniversário do marido, encarnando a esposa ideal. Consequentemente, Clarissa em convencer Richard a ir em sua própria festa, já que ele encontra-se em estágio terminal do vírus HIV.

Com a intenção de elucidar que supostamente está tudo bem, essas mulheres chegam ao fundo do poço e erguem-se para defender suas próprias existências da forma como acham serem a mais apropriada, mesmo que isso implique em decisões complicadas. Essa busca por flertar com a verdadeira essência de viver algo real e não aparente para a sociedade, faz de Virginia, Laura e Clarissa, um exemplo de obra cinematográfica para mulheres reais que lutam com as "armas" possíveis para experimentarem uma jornada com mais respeito e significativa. É curioso o papel dos homens de cada história, tanto os maridos de Virginia ou Laura quanto Richard tratam essas mulheres da forma mais afetuosa e carinhosa possível, tentando de suas maneiras cuidar ou abrir os olhos delas, sem deixarem de desempenhar a figura patriarcal. 

Junto de uma trilha sonora envolvente, com um ritmo narrativo construido magistralmente pela montagem, o filme sensibiliza o público do início ao fim. Meryl Streep, Nicole Kidman e Julianne Moore proporcionam interpretações brilhantes e comoventes. A fotografia, por sua vez, dialoga harmonicamente com um roteiro bem estruturado e provocativo. Ao término da narrativa, impossível não lançar um olhar para a própria vida, indagando se a jornada individual corresponde aos anseios pessoais ou de uma sociedade, grupo ou outro sujeito. Particularmente às mulheres, cujas trajetórias ainda enfrentam preconceitos, dificuldades de igualdade e falta de respeito, essa questão não deixa de ser pertinente.    
CineBlissEK



Ficha Técnica: 

As horas (The hours)
2002, Estados Unidos
Direção: Stephen Daldry 
Roteiro: David Hare
Produção: Robert Fox, Scott Rudin
Fotografia: Seamus McGarvey
Elenco: Meryl Streep, Nicole Kidman, Julianne Moore, Claire Danes, Ed Harris, Jeff Daniels, John C. Reilly, Toni Collette

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