terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A jornada de "Lou" inspira mulheres a trilharem seus caminhos de modo contestador e autônomo



No atual momento da sociedade ocidental, as discussões relacionadas às mulheres e ao empoderamento feminino estão presentes nas manchetes de jornais e nas redes sociais. Dito isso, é de extrema significância ter conhecimento de histórias de mulheres de séculos passados que ousaram transgredir os ditames do patriarcalismo, tornando-se revolucionárias de seus tempos. Um desses casos, é da escritora e psicanalista russa Louise Andreas Salomé, retratada no filme "Lou"(2016), da diretora estreante Cordula Kablitz-Post.  

Nessa jornada pela vida de Lou - interpretada quando jovem por Katharina Lorenz e, mais velha por Nicole Heesters - no universo intelectual europeu no final do século XIX, vê-se uma mulher com sede para viver sua vida fora dos padrões sociais e ser protagonista de seu próprio destino. Para isso, ela matricula-se na Universidade da Suíça - única na época a aceitar mulheres - e ali, começa a entrar em contato com diferentes ideias e pessoas. Em Roma, conhece o filósofo Paul Rée (Philipp HauB), que a introduz à Friedrich Nietzsche (Alexander Scheer). 

Os três desfrutam de um período de amizade profunda, nutridos por discussões intelectuais acaloradas e pedidos de casamentos, todos negados por Lou. Além dos filósofos, o psicanalista Sigmund Freud, o poeta Rainer Maria Rilke e o jovem filólogo Ernst Pfeiffer, também fizeram parte do núcleo social de Lou. Esses homens, foram contagiados pelas ideias contestadoras e pelo espírito livre que cerceou a vida dessa escritora. No Brasil, ela não é muito conhecida, tanto que seus livros não foram traduzidos para o português. 

Na trama, a cronologia dos fatos não é linear, uma vez que a narrativa transcorre através de memórias de Lou quando velha. O roteiro altera-se entre passado e presente, sem perder o ritmo. No entanto, observa-se que o foco permanece nas relações amorosas desenvolvidas por Lou ao longo da vida - em sua maioria rejeitando os homens e o casamento -, com pouco espaço para importância de seu trabalho no meio intelectual. 

As recordações dos fatos, resgatadas através de cartas, fotos e cartões postais, convertem-se em um elemento primordial para o drama, ao ponto de algumas sequencias terem o trabalho de fotografia semelhante a um cartão postal. 

O filme "Lou" ilumina a trajetória de vida de uma mulher que buscou trilhar seu próprio caminho, sem deixar-se sucumbir perante os modos ou convenções sociais da época. Recusou o papel da mulher relegada apenas ao espaço privado, na função de servir o marido e cuidar dos filhos. Lou, abalou a moral e os bons costumes, assim como corações, e, também sofreu difamações por seu comportamento. Sua relevância inspira outras tantas mulheres a se identificarem com sua jornada contestadora dos padrões estabelecidos pela sociedade e, não deixa de exemplificar o empoderamento feminino em pleno século XIX.
CineBliss 



Ficha técnica: 

Lou (Lou)
2016, Alemanha
Direção: Cordula Kablitz-Post 
Roteiro:  Cordula Kablitz-Post, Susanne Hertel
Produção: Cordula Kablitz-Post, Gabriele Kranzelbinder, Helge Sasse
Fotografia: Matthias Schellenberg
Elenco: Katharina Schüttler, Nicole Heesters, Alexander Scheer,Philipp Hauß

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